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Investir regularmente: a solução para todas as crises

By 22 de maio de 2018 No Comments
Investir regularmente: a solução para todas as crises

Jornais noticiam que a Argentina vive uma nova turbulência financeira, com profunda desvalorização da moeda nacional e a iminência de uma situação insolvente. Como os hermanos importam muitos carros do Brasil, analistas acreditam que pode haver um reflexo negativo na economia brasileira. Nossa moeda também se desvaloriza. Investidores estrangeiros tiram dinheiro do nosso mercado de capitais. As ações de várias empresas caem.

Se você é um investidor pessoa física – como também sou – lhe pergunto: o que podemos fazer com relação a isto?

Você tem ações de uma empresa transmissora de energia no Brasil? O que essa companhia pode fazer pela Argentina?

O ditador da Coreia do Norte ensaia uma leve aproximação com os democratas da Coreia do Sul. Um encontro com o presidente dos Estados Unidos é anunciado e suspenso logo depois, em função de exercícios militares entre países aliados na região. O clima de tensão continua.

No Oriente Médio, Israel comemora sete décadas de fundação de seu estado moderno, embora seu povo tenha tradição de quase quatro milênios nas margens do Mediterrâneo. Conflitos de proporções bíblicas com os palestinos continuam sem qualquer sinal de resolução definitiva.

Bolsas ao redor do mundo sobem e descem sem parar. E nós? O que podemos fazer de concreto com relação a estes fatos?

Você investe em fundos imobiliários? O que um Shopping Center que lhe entrega proventos mensais pode fazer para resolver disputas bélicas de terceiros, em outros continentes?

Abrigo na tormenta

Estamos lidando com duas escalas para enfrentamento de situações que envolvem terceiros: o indivíduo incapaz de resolver parte dos próprios problemas, e grandes organizações com sólidos fundamentos, com prioridades centradas no próprio ramo de atuação.

Diariamente tragédias acontecem em algum lugar. O mercado, que já foi comparado a um elemento irracional e bipolar, reage a tudo, como se fosse um sujeito alérgico a um sopro de vento. Quando os veículos de comunicação dão vazão às notícias negativas, eles estão alimentando um furacão que nos cerca em velocidade cada vez maior.

Acontece que estamos no olho do furacão. Se olharmos apenas para cima, não veremos sinais da grande tempestade, mas se deixarmos o furacão nos tocar, quem sabe para onde seremos levados?

Certos profetas do Apocalipse do mercado financeiro conhecem muito bem o medo que toma conta de investidores que se deixam levar por notícias negativas, e exploram isso para ganhar dinheiro. Eles oferecem fórmulas secretas e alternativas mirabolantes para que as pessoas possam se proteger de mais uma crise que se aproxima. Esse pessoal vende guarda-chuvas depois que já começou a trovejar.

Fortalezas servem para proteger

Porém, quem está acostumado a lidar com furacões sabe que isso não é suficiente. Os americanos que moram em regiões sujeitas à passagem de furacões constroem casas sobre porões de alvenaria e concreto armado. Quando uma tempestade se aproxima, muitos não abandonam suas casas, mas se protegem nos porões – que nada mais são que o ambiente de uma residência ligado às fundações.

Portanto, o que um investidor individual precisa fazer para se proteger não só da próxima, mas de todas as crises, é se ligar a empresas e fundos imobiliários de sólidos fundamentos. E a maneira mais eficiente de realizar este procedimento é fazer aportes regulares na Bolsa de Valores, na melhor ação de empresa ou cota de fundo imobiliário de cada momento.

Não importa se a Bolsa está cara demais ou barata demais. Sempre haverá uma oportunidade de comprar ativos que estejam com preços descontados. O maior desafio é saber quais são estes ativos e para isso existem as casas independentes de pesquisas sobre investimentos, como a Suno Research.

E aqui apresento um ponto de vista pessoal. A estratégia de investimentos que adoto, a seguir, deve ser considerada como uma referência de auxílio para tomada de decisões, ao invés de ser uma imposição de regras, dado que cada investidor tem um perfil específico. Prezo por agir de acordo com aquilo que falo, sempre com o objetivo de colaborar com pessoas que estão na mesma jornada em busca da independência financeira.

Um tijolo de cada vez

Ao me reconhecer como investidor defensivo no espectro da renda variável, defini a estratégia de realizar um aporte por mês. Antes, consulto regularmente as carteiras da Assinatura Premium da Suno. A partir delas faço minhas análises, para verificar quais ativos estão com o preço abaixo do teto recomendado e dentre eles qual ativo tem maior potencial de gerar renda passiva.

Passo mais tempo estudando a próxima compra, lendo os relatórios preparados por especialistas e me desenvolvendo como investidor, do que propriamente acompanhando o desempenho da minha carteira, ou verificando as cotações dos meus ativos prediletos. Em minhas análises, considero o conhecimento assimilado com o expert Tiago Reis, durante nossa parceria na elaboração do Guia Suno Dividendos.

Em suma, valorizo os indicadores fundamentalistas das empresas, bem como o histórico de pagamentos de dividendos e dos juros sobre o capital próprio delas. Verifico a taxa de crescimento de cada operação, como reflexo da qualidade da gestão, e descarto empresas muito endividadas, mesmo quando pagam proventos elevados.

No caso dos fundos imobiliários, evito cotas baseadas em imóvel alugado para apenas um inquilino, dando preferência para a diversificação entre fundos que operam com imóveis que servem vários clientes, além dos fundos que investem em papéis atrelados ao mercado imobiliário.

Por fazer compras conscientes na Bolsa de Valores, não me importo mais se as cotações dos ativos vão subir. Se elas descerem, sem que isto signifique perdas de fundamentos, eu comemoro e compro mais, sempre que possível.

O destino é mais importante que o meio de transporte

Meus aportes são apoiados em duas pernas: uma responde pelo dinheiro poupado no mês, e a outra responde pelos proventos recebidos do mercado, que serão reinvestidos. A renda obtida no trabalho representa a oxigenação do sistema, e a renda passiva realimenta o poder dos juros compostos.

Por vezes recebo dividendos extraordinários e quebro a regra de um aporte por mês, realizando operações adicionais. Porém, em média, fico no Home Broker da corretora menos de cinco minutos por mês.

Para mim, o Home Broker é apenas um veículo que prefiro deixar estacionado na garagem, na maior parte do tempo. Embora goste tanto de dirigir como investir, sei que se ficar o dia inteiro no Home Broker queimarei combustível demais, girando minha carteira sem necessidade e deixando mais comissões na mesa da corretora, emolumentos para a B3 e eventualmente impostos para o governo. Fora o risco de me envolver num acidente.

Aprendendo com a vida e com os mestres

Com duas décadas de experiência no mercado imobiliário, na renda fixa e há alguns anos na renda variável, aprendi que furacões, assim como crises agudas, são eventos passageiros. As pessoas continuam crescendo, namorando, se casando e tendo filhos, independentemente dos acontecimentos.  As empresas continuam buscando lucros e os fundos imobiliários continuam entregando proventos. Então, eu continuo investindo.

É bom estocar mantimentos no porão, para esperar o furacão da vez passar? É lógico que sim. Por isso devemos ter reservas de capital fora da renda variável. O grande investidor Luiz Barsi Filho ensina que não devemos colocar na Bolsa um dinheiro que poderá fazer falta no curto prazo. No entanto, ele só começou a reservar grandes quantias de capital em renda fixa depois de um estágio no qual seus dividendos já eram volumosos. Deste modo, ele deixa a boca do jacaré aberta, a espera do momento onde a agulha se aproxima da bexiga, como ele mesmo brinca.

Não obstante, no começo de sua trajetória ele também fez aportes regulares na Bolsa, especialmente nas ações da CESP – o que lhe motivou a divulgar seu primeiro estudo sobre a estratégia dos dividendos, ainda em meados da década de 1970.

Por isso, a melhor coisa que um investidor de renda variável – especialmente em começo de jornada – pode fazer é deixar de lado os profetas do Apocalipse do mercado financeiro. A leitura das cartas de Barsi, publicadas pela Suno Research numa iniciativa inédita no Brasil, será bem mais proveitosa.

Eleições abrem janelas de oportunidades

As más notícias continuarão chegando diariamente. Por exemplo: quando as eleições gerais se aproximam, a volatilidade toma conta do mercado, que obviamente tem seus candidatos favoritos. Se estes candidatos lideram as pesquisas, o mercado se anima e os ativos encarecem. Fica mais difícil selecionar bons ativos para investir.

Por outro lado, se os candidatos antipáticos ao capitalismo se tornam protagonistas, o mercado se assusta e as ações caem, assim como algumas cotas de fundos imobiliários que, por natureza, são mais estáveis. Para quem estuda os fundamentos dos papéis, fica claro que uma janela de oportunidades se abre.

De prático, um investidor isoladamente não pode mudar os rumos de uma eleição. Como estamos numa democracia, ele só tem direito a um voto. Mas se ele tem um ofício, é deste ofício que ele tem que se ocupar primordialmente. Se ele fizer bem a sua parte, a sociedade só terá a ganhar.

Como o capitalismo oferece suporte para a democracia e fora da democracia não existem possibilidades dignas de progresso para uma nação no longo prazo, qualquer político eleito no Brasil atualmente sabe que, se as forças do mercado forem ignoradas, não haverá cenário viável para a próxima campanha.

Então, o que mais um investidor pode fazer, além de votar e desempenhar bem o seu trabalho? Um belo aporte. E para belos aportes, conte com a equipe de analistas profissionais da Suno Research.

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Jean Tosetto

Jean Tosetto

Arquiteto e urbanista formado pela FAU PUC de Campinas, tem escritório próprio desde 1999. Autor e editor de livros, é adepto do Value Investing. Colabora com a Suno Research desde janeiro de 2017.