investir na poupança

Você está acostumado a investir na poupança? Esta costuma ser a opção preferida pelos investidores iniciantes.

Contudo, talvez por ser um reflexo da baixa instrução financeira característica da nossa cultura. E ao longo dos anos, muitos não compreendem as facetas e a viabilidade, em termos de rendimentos, existentes ao se investir na poupança.

Investir na poupança é uma aplicação bancária de renda fixa resgatável a qualquer momento. Este produto financeiro funciona como uma reserva de baixo risco para aquelas pessoas que preferem a comodidade do seu próprio banco.

Dentre os muitos ativos caracterizados como de renda fixa que são disponibilizados no mercado brasileiro, a caderneta é a preferida.

O investimento na poupança ainda continua sendo uma das alternativas mais utilizadas pelas pessoas num contexto geral.

Por conta disso, uma breve menção a esse tipo de produto financeiro se faz útil no contexto dos investimentos da população média brasileira.

Investir na poupança é algo bem antigoo que é a poupança

A origem da poupança remonta a 1861.

Neste ano o então imperador Dom Pedro II assinou o decreto nº 2.723, de 12 de Janeiro, que criava esta aplicação.

A poupança era inteiramente garantida pelo império da época.

Neste mesmo decreto foi instituída a Caixa Econômica Federal (CEF), responsável por guardar e remunerar estas aplicações.

Sua função para a população era de prover um meio para que as classes de baixa renda pudessem acumular valores. A remuneração estabelecida foi de 6% ao ano.

E em 1874 o imperador tornou estes 6% como limite obrigatório.

Curiosamente, este patamar de 6% permanece até hoje como referência a rentabilidade da poupança.

Além disso, estes recursos depositados na CEF podiam ser emprestados ao Monte de Socorro. O Monte Socorro, através de penhor, emprestava dinheiro aos mais necessitados.

No ano seguinte, os escravos também puderam depositar seus recursos na poupança, de forma a acumular recursos para sua alforria.

Já em 1915, as mulheres casadas também puderam formar sua própria caderneta, salvo se o marido não permitisse.

Em 1934, esta ressalva foi eliminada, e os menores de 16 anos também puderam abrir e movimentar suas contas sem necessitarem de autorizações.

Já em 1964, a lei nº 4.380 determinava uma correção dos depósitos pela taxa referencial (TR), além dos 0,5% ao mês.

Durante a década de 80, esta correção pela TR passou a ser diária devido a inflação galopante no país.

Nesta mesma década também foi instituída a data de “aniversário” do depósito, que permanece até hoje.

E no dia 16 de março de 1990, com o lançamento do Plano Collor, ocorreu o congelamento da caderneta de poupança.

Poupança hoje em dia

Hoje em dia a finalidade da poupança para os bancos é destinar estes recursos para o crédito imobiliário.

De acordo com a resolução Nº 3.932, de 16 de dezembro de 2010, no mínimo 65% dos recursos captados deverão ser destinados ao financiamento imobiliário.

Desses 65%, 80% devem ser concedidos através do Sistema Financeiro de Habitação (SFH). Já os 20% restantes podem ser emprestados a taxas de juros de mercado.

Pelo sistema do SFH, os juros máximos cobrados dos clientes são de 12% ao ano. Além disso, as parcelas não podem comprometer mais do que 30% da renda destes clientes.

Normalmente, os critérios para definir a rentabilidade da poupança seguem as seguintes regras:

  • Se a Selic estiver em 8,5% ao ano ou menos, a poupança rende 70% da Selic acrescido da Taxa Referencial (TR)
  • Se a Selic estiver maior que 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês acrescido da TR

Desvantagem da data de aniversário

É importante lembrar, no sentido do que evidenciado acima, que essa aplicação remunera o seu rendimento apenas na data de aniversário da aplicação.

Para um investidor que aplicou seus recursos na poupança no dia 10 de janeiro, por exemplo, o mesmo só receberá os seus respectivos rendimentos no dia 10 de fevereiro do mesmo ano.

Não poderia deixar de ser mencionado, neste sentido, que essa rentabilidade é mensal para pessoas físicas jurídicas sem fins lucrativos, ao passo que é trimestral para pessoas jurídicas com fins lucrativos.

Cabe aqui destacar que aplicações na poupança realizadas nos dias 29, 30 e 31 de cada mês terão como “datas de aniversário” o dia 1º do mês subsequente.

Normalmente, os bancos oferecem as cadernetas de poupança através de uma conta poupança por eles disponibilizadas. Basta apenas o depósito financeiro por parte de seus clientes para que esses valores passem a obter suas respectivas rentabilidades.

Além disso, um detalhe desta aplicação é que a rentabilidade oferecida não depende da instituição que disponibiliza a caderneta.

Isto é, as poupanças rendem a mesma coisa independentemente de onde estejam depositadas.

Garantias para investir na poupança

Os rendimentos da poupança são garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Esta garantia funciona da seguinte forma:

Cada depósito em um banco diferente terá direito a R$ 250.000 de garantia total por CPF, incluindo os juros acumulados e não pagos.

Entretanto, é importante se atentar a alguns detalhes.

O primeiro deles é que nas contas conjuntas, esta garantia é por conta, e não por CPF.

Por este motivo, investir na poupança através do casal pode não ser tão interessante assim.

Além disso, recentemente o FGC estabeleceu um limite nos pagamentos de garantias de R$ 1 milhão a cada quatro anos.

Ou seja, quem tem R$ 1,5 milhão em poupança, mesmo que esteja espalhada em diversos bancos, possui R$ 500 mil desprotegidos.

Tributação

Para esse tipo de aplicação, as pessoas físicas são isentas do Imposto de Renda (IR), o que, para muitos investidores, pode ser considerado um atrativo.

Já as pessoas jurídicas, estas pagam 22,5% de IR, o que acaba por tornar essa aplicação muito pouco atrativa para as empresas num contexto geral.

Liquidez

A poupança provavelmente é o investimento de maior liquidez dentro do mercado financeiro.

Você pode aplicar e resgatar qualquer valor a qualquer horário do dia, sete dias por semana.

Vantagens e desvantagens de investir na poupançavantagens e desvantagens de investir na poupança

A caderneta de poupança é um produto de investimento fornecido pela grande maioria dos bancos públicos e privados do país.

Ela é muito conhecida por ser a aplicação mais popular dos brasileiros ao longo dos anos. Isto ocorre por conta de apresentar uma alta liquidez, simplicidade e comodidade para quem a utiliza.

De fato, ao investir na poupança você possui:

  • Comodidade por poder aplicar do seu próprio banco
  • Liquidez imediata
  • Proteção do FGC

Entretanto, a caderneta de poupança possui algumas desvantagens.

Capitalização mensal

Uma anomalia ao investir na poupança é a presença da capitalização mensal de juros através do mecanismo de aniversário do depósito.

Através deste mecanismo, é preciso esperar um mês inteiro para cada novo depósito até que os juros possam ser recebidos pelo depositante.

Caso este depósito seja resgatado antes da data de aniversário, o poupador não irá receber os juros proporcionais, que em tese ele teria direito.

Este tipo de capitalização não é comum em outras aplicações pós-fixadas de renda fixa, visto que elas costumam ser corrigidas diariamente.

É o caso dos CDB, LCI, LCA e Fundos DI, por exemplo.

Garantia limitada

Outra desvantagem de investir na poupança é a garantia limitada do FGC, ao contrário de aplicações com garantias ilimitadas, como é o caso dos títulos públicos.

Quem adquire um título do Tesouro Selic, ou algum Fundo DI que invista nestes papéis, provavelmente estará mais protegido do que o simples poupador na poupança.

Principal não corrigido

Existe ainda outro fator que deve ser levado em conta por aqueles que desejam acumular patrimônio em renda fixa.

De maneira geral, o principal da renda fixa não é corrigido pela inflação.

Desta forma, se os rendimentos forem sendo sacados ao longo do tempo e não forem reinvestidos, o valor do capital do investidor irá ser corroído pela inflação.

Este não é o caso de ações e fundos imobiliários, em que, via de regra, é possível gastar uma parte da renda e ainda sim ter o principal corrigido ao longo do tempo.

Se você deseja conhecer estas aplicações que protegem o valor do investimento, dê uma olhada nas carteiras recomendadas da Suno!

Muitas pessoas inclusive não vendem suas ações ou cotas de fundos imobiliários, vivendo apenas dos rendimentos distribuídos por estas aplicações.

É o caso dos fundos imobiliários.

É possível viver da renda mensal de aluguéis de diversos imóveis, de excelente qualidade e alugados por dezenas de inquilinos.

E o melhor de tudo: sem precisar pagar imposto de renda.

Caso você tenha vontade de investir em imóveis, mas não tem dinheiro para comprar uma casa ou apartamento para alugar, aprenda a investir em fundos imobiliários com o Professor Baroni!

Para aqueles mais adeptos ao mercado de ações, existe uma outra opção.

Viver de renda também é possível através dos dividendos distribuídos pelas empresas listadas na bolsa de valores.

A Suno publicou o Guia Dividendos para aqueles que desejam conhecer a forma de alcançar a independência financeira através dos dividendos.

No vídeo abaixo, o Tiago Reis, junto com Jean Tosetto, comentam a respeito deste fascinante livro que escreveram em conjunto.

Baixa rentabilidade

Entretanto, diretamente proporcional à comodidade e praticidade desse investimento, a aplicação apresenta um baixo risco e também um baixo retorno. Isto ocorre pois essa rentabilidade segue as regras e as normatizações estabelecidas pelo governo.

A última desvantagem da caderneta é o fato de apresentar, historicamente, uma baixa rentabilidade.

Outras aplicações pós-fixadas da renda fixa, tão ou mais seguras do que a poupança, podem render mais.

Poupança e CDIpoupança e cdi

Para demonstrar a rentabilidade histórica abaixo da média da poupança, realizou-se uma comparação da rentabilidade do CDI com a poupança.

De fato, como a maioria das aplicações indexadas ao CDI costuma ser tributadas, então se optou por descontar a alíquota máxima de 22,5% da aplicação.

Além disso, ocorreu uma mudança nas regras de remuneração da poupança. Até 03/05/2012, os depósitos eram remunerados exclusivamente através de 0,5% + TR.

Dessa forma, foram preparadas duas simulações:

  • Aportes até 03/05/2012 X CDI
  • Aporte a partir de 04/05/2012 X CDI

Também se considerou apenas o período após o Plano Real para a primeira comparação, quando a inflação e as taxas de juros já estavam em patamares mais civilizados.

Abaixo estão os resultados.poupança X CDI

Nesta simulação, em apenas 11% dos meses a poupança rendeu mais.

Poupança X CDI – II

poupança X CDI
Nesta simulação, a poupança superou o CDI em apenas 9% dos meses.

Sobre estas comparações, é importante se atentar a alguns detalhes.

Primeiramente, estes resultados são conservadores pois se considerou a alíquota máxima de imposto de renda de 22,5%.

Como os investidores possuem períodos de investimento diferentes, então a alíquota média na prática é menor, podendo chegar ao mínimo de 15%.

Além disso, outro detalhe interessante pode ser visto no gráfico acima.

Veja a proximidade entre os retornos dessas aplicações a medida que o CDI (próximo à Selic) diminui.

Isto acontece pelo seguinte motivo.

Quando a meta da Selic é acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% mais a TR.

Mas  a TR historicamente não aumentou  de forma a compensar a diferença entre a Selic e os 6% da poupança.

Por outro lado, aplicações atreladas ao CDI possuem uma rentabilidade que anda muito próxima à Selic.

Desta forma, quando a taxa básica de juros aumenta acima de 8,5% ao ano, a diferença entre a remuneração oferecida pela poupança e aplicações pós-fixadas ao CDI/Selic aumenta.

Já quando a Selic baixa de 8,5%, a remuneração da poupança é de 70% da Selic + TR. Só que a partir de um determinado nível da taxa de juros, a TR se torna zero.

De forma que a diferença entre as aplicações pós-fixadas ao CDI/Selic e a poupança vai diminuindo proporcionalmente à taxa Selic/CDI.

Portanto, é possível concluir que a medida em que as taxas de juros permanecerem em patamares baixos, a poupança continuará perdendo para outras aplicações pós-fixadas.

Mas a desvantagem fica cada vez menor.

Afinal, vale a pena investir na poupança?conclusão poupança

Diante do que foi salientado acima, é possível concluir algo importante.

Apesar da facilidade, praticidade e comodidade disponibilizados pela Poupança , há outras opções.

De fato, é cabível entender que, em termos de rentabilidade,existem diversas outras alternativas disponíveis no mercado que são muito mais atrativas que este ativo financeiro.

Assim sendo, para pessoas que possuem o interesse de investir na poupança, recomendamos um estudo mais aprofundado. Principalmente no que diz respeito aos mais variados tipos de aplicações, de modo que se possa, assim, concluir também que a poupança não possui um satisfatório grau de retorno ao longo do tempo.

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Rodrigo Wainberg

Rodrigo Wainberg

Profissional aprovado no Level III da certificação CFA, investidor em ações há 6 anos, possui registro de Analista e Consultor de Valores Mobiliários, e é Bacharel em Física pela UFRGS.