Um investidor de valor busca empresas descontadas com relação ao seu valor intrínseco, com foco no longo prazo, comprando evidências e não dependendo de especulações.

Todos os mercados de ações possuem oportunidades de tempos em tempos, uma vez que as irracionalidades do mercado são reflexo das decisões dos seres humanos.

Como diria Peter Lynch, “Quem vira mais pedras ganha o jogo”, ou seja, quem analisa mais empresas irá encontrar o maior número de ações negociadas a preços inferiores ao valor intrínseco.

Eu particularmente foco no Brasil e nos Estados Unidos, pois só aí já tenho mais de 4.000 empresas para analisar, com oportunidades escondidas.

Devemos ter em mente que é impossível prever aspectos macroeconômicos, como as futuras variações do dólar, ou possíveis quedas da bolsa. Se seu foco é no longo prazo, você é imune às flutuações cotidianas.

Eu acredito que a melhor abordagem é estar sempre exposto em moeda forte (Estados Unidos) e mercados emergentes (Brasil), e você vai variando a sua exposição com relação à qual mercado apresenta as melhores oportunidades, com os maiores descontos.

Dessa forma você fica protegido de crises hiperinflacionárias, comuns em economias emergentes (Argentina e Venezuela em 2018, Brasil na época do plano Collor, por exemplo).

Também, você minimiza a sua volatilidade diversificando entre mercados.

Por conta das variações cambiais, os mercados brasileiro e americano normalmente são antagônicos, então você irá minimizar sua volatilidade investindo em duas geografias.

Se o dólar sobe, sua parcela do portfólio no exterior sobe, e caso contrário a parte brasileira é favorecida.

Apesar da volatilidade não ser um problema para aquele que sabe o que está fazendo, minimizá-la é um mecanismo de autoproteção recomendável para o investidor.

Tenha em mente que se você deixar de investir pois especula que o dólar vai voltar à patamares passados com relação ao real, você pode acabar perdendo oportunidades de comprar bons ativos descontados, e o dólar pode nunca chegar na cotação que você espera.

Você pode ficar mais exposto ao mercado brasileiro se julga que o dólar está caro, mas como o foco é no longo prazo, não se abstenha de comprar boas empresas.

Lembre-se que a inflação nos Estados Unidos é mais baixa que a brasileira, portanto no longo prazo a tendência é de que o dólar se aprecie cada vez mais com relação ao real.

Existem ativos que não estão supervalorizados com relação à sua perspectiva futura, e configuram oportunidades de investimento em moeda forte, que gerarão retornos consistentes no longo prazo, e que vão blindar o seu portfólio.

Para dar um pequeno exemplo que vale a pena ser estudado, a Apple é uma empresa com taxa de crescimento anual (CAGR) de seu lucro por ação de 27% ao ano nos últimos 10 anos, e está sendo negociada esses dias a menos de 13 vezes o lucro.

Warren Buffett tem mais de 5% da empresa atualmente e mantêm suas posições independentemente da situação macroeconômica.

Existem outros exemplos como Google, Berkshire Hathaway, BlackRock, JPMorgan, entre outros gigantes, que valem a pena ser analisados como potenciais investimentos de longo prazo.

Eu não deixaria de comprar empresas excelentes a bons preços por causa de especulações de câmbio ou pessimismo com relação à crise.

Diversifique e tenha foco no longo prazo.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.