investimento em renda fixa

Você sabe para que serve o investimento em renda fixa? Esta é uma modalidade que se contrapõe significativamente em relação ao investimento em renda variável.

Para muitos brasileiros o investimento em renda fixa mais comum ainda é a caderneta de poupança, aplicação que rende juros baixíssimos e que muitas vezes não superou a histórica inflação brasileira.

De forma geral, o investimento em renda fixa é uma modalidade de aplicação voltada para pessoas de perfil mais conservador e que querem bons retornos sem abrir mão da segurança.

Esses investimentos garantem, até certo ponto, uma determinada taxa de lucro previsível, mesmo que sejam classificados em pré-fixados ou pós-fixados.

O que é o investimento em renda fixao que é investimento em renda fixa

A renda fixa, como o próprio nome já diz, é uma classe de investimentos financeiros em que a renda do investidor é determinada de acordo com regras fixas.

Não necessariamente você sabe de antemão qual será a sua rentabilidade em termos de reais (R$).

Entretanto, a fórmula de remuneração da aplicação é sempre pré-determinada antes da aplicação.

Os títulos de renda fixa possuem duas classificações básicas: os pré-fixados e os pós-fixados.

Renda pré-fixada

No caso da rentabilidade oferecida ao investidor for pré-fixada, então os juros da sua aplicação obedecem a uma regra percentual, por exemplo:

  • 8% ao ano
  • 0,6% ao mês
  • 0,02% ao dia

Por exemplo, digamos que você investisse R$ 1.000 em uma aplicação que rendesse 9% ao ano.

Ao final do 1º ano você teria R$ 1.100. Se você reinvestisse este dinheiro, ao final do 2º ano teria acumulado R$ 1.210, e assim por diante.

Perceba que os títulos pré-fixados são os investimentos com taxa de retorno já conhecida no momento da aplicação.

Esses são os títulos de elevado conservadorismo e precisão quanto ao retorno esperado pelo investimento.

Você já sabe, antes da aplicação, qual será o retorno financeiro, em Reais (R$), da sua aplicação.

Entretanto, este título pode não corrigir o seu investimento pela inflação.

No exemplo anterior, caso a inflação fosse de 10% ao ano, então na prática o investidor estaria se tornando 1% mais pobre a cada ano.

Renda pós-fixada

Já os títulos pós-fixados somente apresentarão o seu rendimento no futuro, pois os lucros dessa aplicação estarão sempre atrelados a algum índice macroeconômico, seja o CDI (Certificado de Depósito Interbancário), taxa Selic ou até o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

Quando a aplicação for pós-fixada, o investidor não sabe exatamente qual será o valor de juros que irá receber, mas somente a fórmula de remuneração.

Por exemplo, é comum encontrar aplicações do tipo:

  • 105% CDI
  • IGP-M+ 4%
  • IPCA + 6%

No caso de títulos atrelados ao IGP-M ou ao IPCA, o investidor garante um aumento no poder de compra do seu dinheiro.

Isto ocorre pois a rentabilidade será sempre superior à inflação, e a diferença é justamente o juro real oferecido.

Por exemplo, um investimento que pague IPCA +5%, garante ao investidor um aumento de 5% no poder de compra do seu dinheiro.

Em última análise, é somente isto que interessa ao investir no longo prazo.

Se você está em busca receber retornos acima da inflação, não deixe conferir as carteiras recomendadas pela Suno!

Principais tipos de investimento em renda fixatipos de investimentos

A renda fixa pode ser um produto financeiro bastante variado, pois possui diversos tipos de aplicações diferentes dentro de sua mesma filosofia.

CDB (Certificado de Depósito Bancário)

Esse é um dos investimentos mais populares da renda fixa.

Eles funcionam como se o aplicador emprestasse dinheiro para o banco e em troca disso ele recebesse juros pela aplicação a um determinado período.

Assim como alguns investimentos em renda fixa os CDBs têm garantia do FGC (Fundo garantidor de crédito) que no momento assegura aplicações no valor de até R$ 250 mil por CPF e instituição financeira.

Tesouro direto

Essa aplicação é outro investimento em renda fixa bastante conhecido no Brasil.

Diferentemente do CDB, os recursos captados por esses títulos são destinados para o governo financiar projetos públicos.

Existem diversas opções de títulos em que o investidor poderá escolher o prazo de sua aplicação de acordo com a sua preferência.

No entanto, é possível vender os títulos do tesouro antes do prazo, porém com rendimentos que podem ser bastante aquém do esperado.

Ao total existem cinco títulos diferentes disponibilizados hoje em dia:

  • Tesouro Selic
  • Tesouro Prefixado
  • Tesouro Prefixado com Juros Semestrais
  • Tesouro IPCA+
  • Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais

LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e Letra de Crédito ao Agronegócio (LCA)

Semelhante ao CDB, esses títulos ajudam a financiar os bancos, só que agora de modo a alimentar o crédito imobiliário. O LCI também é um produto financeiro garantido pelo FGC para aplicações de até R$ 250 mil.

Outro investimento muito similar à LCI é a LCA, cujo objetivo é captar dinheiro para o agronegócio.

Debêntures

As debêntures são empréstimos concedidos às sociedades anônimas (S/As). Ao contrário das aplicações bancárias, esta aplicação não possui garantia do FGC.

Existem categorias especiais, como as debêntures incentivadas, em que o investidor não precisa pagar imposto de renda.

Em geral, as empresas emitem estes títulos como alternativa ao financiamento bancário e dos acionistas, de forma a conseguirem alongar o seu passivo, muitas vezes com juros favoráveis.

Certificados de recebíveis imobiliários e do agronegócio (CRI e CRA)

Outra aplicação mais sofisticada de renda fixa são os CRI e os CRA.

Este investimento em renda fixa costuma ser reservado para aqueles investidores de maior porte, e também não conta com garantia do FGC.

Geralmente, é necessário centenas de milhares de reais para aplicar neste produto.

Entretanto, a evolução do mercado de capitais facilitou muito a vida do pequeno investidor que quiser aplicar neste produto.
Atualmente, é possível encontrar fundos imobiliários que investem nestes tipos de ativos.

Estes fundos efetivamente democratizaram o acesso a estas aplicações pelo pequeno investidor.

Se você se interessa por fundos imobiliários, não deixe de conferir as recomendações do Professor Baroni, um dos maiores especialistas do Brasil no tema!

Fundos de renda fixa

Os fundos de renda fixa não são uma aplicação em si, mas um veículo para investir em produtos de renda fixa.

Em um fundo, você está confiando ao gestor a tarefa de adquirir bons ativos de renda fixa, de acordo com o mandato do fundo.

Existem diversos fundos.

Desde aqueles mais conservadores, como os Fundos DI, até os mais agressivos, como aqueles que investem em debêntures, CRI e CRA.

Um aspecto importante é avaliar o desempenho do fundo em relação ao seu índice de referência, ou benchmark.

Existem fundos muito caros, e que aplicam em produtos muito conservadores, gerando um retorno muito baixo para os seus cotistas.

Investindo em renda fixa na práticacomo aplicar na renda fixa

Para conseguir investir em renda fixa, existem dois caminhos básicos.

O primeiro deles é lidando diretamente com o emissor dos títulos.

No geral, investimentos em renda fixa são produtos de instituições financeiras criadas para capitalizar essas empresas de forma a permitir que elas consigam realizar seus empréstimos.

A maioria dos investidores opta por realizar esses investimentos através do banco em que possui conta-corrente.

Os grandes bancos brasileiros precisam captar grandes somas de dinheiro, e por isso, oferecem diversos produtos financeiros aos seus clientes.

Devido a esta comodidade, muitos aplicadores permanecem apenas investindo nos produtos do seu próprio banco.

Dependendo dos produtos, pode ser que este investidor esteja recebendo uma rentabilidade muito aquém da que ele poderia receber se estivesse buscando outras oportunidades.

Por este motivo, alguns aplicadores mais engajados buscam abrir contas em outras instituições financeiras para conseguirem taxas melhores.

Aplicando via corretora de valores

Entretanto, a opção mais prática e rentável costuma ser investir através de produtos distribuídos por corretoras de valores.

As corretoras funcionam como um intermediário entre os mais diversos bancos, possibilitando uma plataforma que oferece os títulos mais rentáveis em um determinado período.

E para um ou outro investimento em renda fixa, essa costuma ser a única forma de ter acesso aos produtos.

Este é o caso dos títulos públicos (tesouro direto), que não podem ser comprados pelo site do Tesouro Nacional.

Para comprar esse produto financeiro o investidor necessitará ter uma conta ativa em uma corretora.

Esta mesma situação ocorre no caso das debêntures.

As empresas emissoras costumam realizar ofertas junto ao sistema de distribuição de valores mobiliários, e as corretoras são grandes fomentadoras destes negócios.

Abrir conta em uma corretora de valores costuma ser um processo gratuito e feito de forma online.

E se você não gostar, poderá encerrar sua conta também de maneira muito rápida.

Vantagens do investimento em renda fixavantagens do investimento

Investir em renda fixa proporciona diversas vantagens ao investidor.

Por exemplo, quem deseja construir uma reserva financeira para alguma finalidade, como emergência, ou outro objetivo qualquer, possui várias opções.

Esta pessoa pode deixar o dinheiro no Tesouro Selic, em algum CDB com liquidez diária, ou mesmo em um Fundo DI.

Se esta pessoa estiver com vontade de resgatar o dinheiro em um prazo curto, poderá deixar este mesmo dinheiro na poupança.

Construção de patrimônio

Para aqueles que não têm pressa em resgatar seus recursos, existem boas aplicações para construir patrimônio no longo prazo.

Aqueles investidores mais conservadores podem deixar uma parte dos seus recursos aplicados em títulos do Tesouro IPCA+, garantindo um retorno acima da inflação.

Já os aplicadores mais ousados podem se aventurar nas debêntures por conta própria. Existem várias aplicações desta categoria que oferecem uma rentabilidade atrelada ao IGP-M.

Geração de renda

Um outro objetivo do investimento em renda fixa é conseguir gerar renda através das suas aplicações.

Apesar de este não ser o foco da renda fixa, existem algumas aplicações que pagam rendimentos periódicos.

É o caso do Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais, que como o próprio nome já diz, paga juros a cada seis meses.

Outro exemplo são as debêntures que pagam cupons.

E é claro, os fundos imobiliários de recebíveis, que distribuem rendimentos mensais.

Entretanto, é preciso que o investidor esteja ciente da limitação da renda fixa em gerar renda ao investidor.

Como a renda fixa é uma operação de crédito, e não um ativo real propriamente dito, sua capacidade de gerar renda é limitada.

Para aqueles que desejam uma renda superior, os investimentos em renda variável são mais recomendados.

Este é o caso de quem busca receber dividendos regulares com ações.

Se você se interessa em receber renda proveniente dos melhores negócios do país, não deixe de ler o Guia Suno Dividendos!

Mas é importante que o investidor que busca receber bons dividendos, não pague um preço muito elevado para adquirir as ações.

E nada melhor do que aprender com Luiz Barsi, o rei dos dividendos, a avaliar o preço de uma ação.

Riscos da renda fixariscos

Até agora, a renda fixa foi tratada como uma aplicação que está livre de riscos.

Isso está longe de ser verdade.

É lógico que os títulos públicos, por exemplo, são as aplicações mais seguras do país, pois se tratam do crédito soberano.

Por outro lado, o investidor que quiser resgatar estas aplicações antes do vencimento poderá perder dinheiro.

Esta situação pode ocorrer devido à variação dos preços dos títulos no mercado secundário.

Mesmo as aplicações garantidas pelo FGC não são 100% livres de riscos.

Primeiramente, o FGC é um fundo com recursos limitados. E em uma situação de estresse, existe a possibilidade de que não consiga honrar com seus compromissos.

Isto nunca aconteceu, é verdade. Mas o risco existe, ainda que seja ínfimo.

Por fim, aplicações como debêntures, CRI e CRA, podem levar a perdas totais da aplicação do investidor.

Nestes casos, é fundamental avaliar as garantias oferecidas na aplicação.

Para aqueles investidores que não estão familiarizados com este tipo de análise, talvez a opção de investir via fundos seja a mais adequada.

Conclusão sobre o investimento em renda fixaconclusão investimentos em renda fixa

Os investimentos em renda fixa podem ser importantes dentro de uma carteira diversificada e de preferência, alocada para uma reserva de emergência ou para um fundo de possíveis oportunidades futuras de investimento.

Não acreditamos que apenas o investimento em renda fixa fará o aplicador acumular uma fortuna no longo prazo, por isso acreditamos que aplicações, sobretudo em renda variável possuem mais esse perfil de possibilitar melhores rendimentos num longo intervalo de tempo.

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Rodrigo Wainberg

Rodrigo Wainberg

Profissional aprovado no Level III da certificação CFA, investidor em ações há 6 anos, possui registro de Analista e Consultor de Valores Mobiliários, e é Bacharel em Física pela UFRGS.