Por: Tiago Reis

Investimento Conservador – Parte II

Uma grande incerteza paira sobre o universo dos investimentos acerca das características necessárias a um investimento conservador. Muitas pessoas confundem agir de maneira convencional com investir de forma conservadora. Existe uma grande diferença entre as duas situações e, para esclarecer esse ponto, selecionei algumas ideias de um grande investidor e escritor do Século XX, Philip Fisher.

O escritor alega, em seu livro Common Stocks and Uncommon Profits, a existência de quatro dimensões que definem um investimento conservador. Na Parte I deste texto, abordei a primeira dimensão, que envolve o grau de excelência das atividades da companhia mais relevantes para a rentabilidade atual e futura da empresa.

Na presente parte, apresentarei a segunda dimensão do investimento conservador que, segundo Philip Fisher, está intimamente relacionada ao recurso humano e à cultura organizacional da empresa.

As pessoas que estão por trás de uma empresa diferenciarão um bom investimento de um investimento medíocre por seus planejamentos, objetivos e atitudes. Edward H. Heller, um dos pioneiros a atuar em Venture Capital, diz que por trás de todas as corporações de sucesso estão pessoas determinadas, com personalidade empreendedora, ideias originais e habilidade de tornar a companhia em um ótimo veículo de investimento.

Um bom indicador de que uma empresa se qualifica na segunda dimensão de um investimento conservador é a gestão ser composta por executivos comprometidos e dedicados ao crescimento de longo prazo, cercados por profissionais qualificados e competentes, capazes de gerir as diversas divisões e funções da companhia.

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Estes executivos e outros profissionais devem estar engajados, não em uma infindável busca por poder, mas em alcançar os objetivos claros estabelecidos pela gestão, com o intuito de maximizar a geração de valor para o acionista no longo prazo.

Para isso, a empresa deve dedicar tempo e esforço para identificar e treinar funcionários capazes de ascender na cadeia de comando à medida que as sucessões se fizerem necessárias. Em todos os níveis da hierarquia da empresa os funcionários devem estar treinados e aptos para o cargo.

Isso não significa que as empresas não podem fazer contratações externas. Esse tipo de contratação pode, em determinadas situações, trazer vantagens para a empresa. Muitas vezes uma companhia necessita de um indivíduo com habilidades especificas para desempenhar determinada função e nem sempre tais habilidades são encontradas internamente.

Além disso, através de contratações externas uma empresa pode trazer pontos de vista diferentes que acabam por agregar valor à companhia. Entretanto, de maneira geral, uma companhia que se configura como investimento conservador tende a promover funcionários internos em detrimento de contratações externas.

Esse fato está intimamente relacionado ao desenvolvimento da cultura organizacional. Uma empresa dificilmente conseguirá manter uma cultura organizacional sólida contratando boa parte de seus funcionários administrativos externamente.

A maioria das organizações que possuem grande diferencial em termos de recursos humanos possuem gestores com muitos anos de casa.

Philip Fisher destaca três elementos que devem estar presentes na cultura de uma empresa para que ela se qualifique como um investimento conservador.

 

A companhia deve reconhecer que o mundo em que está inserida está mudando em ritmo acelerado.

O pensamento e planejamento corporativo devem estar atentos para desafiar o que está sendo feito pela companhia, não ocasionalmente, mas frequentemente. A maneira na qual a companhia desenvolve suas atividades deve ser examinada e reexaminada de modo a garantir que esta é a melhor forma de operar.

Muitas empresas pecam neste aspecto ao julgarem a eficiência de suas atividades pelo sucesso passado. A forma em que uma companhia opera pode ter sucesso em um momento, entretanto, com a dinâmica do mercado, a operação pode rapidamente se tornar obsoleta.

Empresas que não estão constantemente desafiando sua maneira de operar, de modo a buscar soluções inovadoras, dificilmente sobreviverão à dinâmica e complexidade do mundo atual.

A empresa deve dedicar-se continuamente a construir um excelente ambiente de trabalho.

Boa parte das pessoas têm de dedicar parte significativa do tempo fazendo o que lhes é solicitado por outros indivíduos no intuito de receber seu salário. Mesmo que a maioria das pessoas prefira gastar seu tempo com recreação, elas compreendem a necessidade disso.

Por mais que muitos indivíduos se encontrem nessa situação, a motivação das pessoas em relação ao trabalho está atrelada a uma série de fatores, que variam desde a forma como são cobradas até a maneira que são reconhecidas.

Uma empresa cuja gestão se dedica a criar um ambiente de trabalho saudável usufrui de ganhos de produtividade e eficiência atrelados à motivação dos funcionários que superam em muito os recursos dispendidos para a implementação de políticas que aprimoram o ambiente.

Existem diversas formas de motivar os funcionários além do estabelecimento de um ambiente de trabalho excelente. Entre elas, podemos citar o envolvimento do funcionário nos lucros da empresa, através de bonificações ou participação direta nos lucros.

 

A gestão deve estar disposta a se submeter à disciplina necessária ao crescimento saudável

Atualmente, a gestão da maior parte das empresas é obcecada por resultados de curto prazo. Muitas vezes o objetivo dos gestores é orientado pela vontade irresistível de apresentar os melhores resultados possíveis a cada período contábil, o que, provavelmente, compromete os resultados de longo prazo.

Para que uma empresa maximize a geração de valor para os acionistas no longo prazo, ela deve apresentar crescimento saudável e sustentável, o que demanda investimentos no presente para obter retornos futuros.

Uma empresa que está preocupada com os resultados imediatos reduz os investimentos para ampliar os lucros, entretanto, no longo prazo, os lucros da companhia serão comprometidos por falta de investimentos passados.

Deste modo, uma empresa que se qualifica como um investimento conservador deve possuir uma gestão voltada para maximizar a geração de valor para o acionista no longo prazo em detrimento dos resultados imediatistas que comprometem os lucros futuros.

Concluindo, para que uma empresa se qualifique na segunda dimensão de Philip Fisher sobre investimentos conservadores, ela deve estar atenta à dinâmica do mundo, dedicando esforços e recursos para a construção de um ambiente de trabalho adorado por todos os funcionários com uma gestão cujos interesses estão alinhados aos interesses dos acionistas em maximizar a geração de valor no longo prazo.

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Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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