Por: Tiago Reis

Os 5 principais indicadores de mercado usados pelos investidores no Valuation

Os indicadores de mercado são um método prático para investir em ações, uma vez que podem ser usados para obter rapidamente estimativas de valor das empresas.

A análise utilizando indicadores de mercado consiste em avaliar uma empresa através da comparação com indicadores de empresas do mesmo segmento de atuação.

Este tipo de análise pode ser útil quando um grande número de empresas comparáveis está sendo negociado na bolsa.

E na média, o mercado está precificando-as corretamente.

Portanto, a avaliação parte do pressuposto de que empresas com características parecidas deveriam ter múltiplos de mercado similares, pelo menos à longo prazo.

Assim, deve-se encontrar empresas comparáveis, com similaridade em:

• Setor de atuação;
• Tamanho;
• Produtos e serviços;
• Mercado consumidor;
• Atuação geográfica;
• Alavancagem operacional e financeira;
• Margem;
• “Business risk profile”.

Mas afinal, quais são os principais indicadores?

Preço / Lucro

 

Usado na avaliação de empresas para medir quanto os investidores estão dispostos a pagar para cada real de lucro que uma empresa produz, este indicador é chamado de P/L.

Se uma empresa produz R$ 1,00 de lucro por ação e suas ações são negociadas a R$ 15,00, a empresa é negociada a 15 vezes o seu lucro anual, ou seja, seu P/L é de 15 vezes.

Uma empresa que é negociada a uma relação P/L baixo pode ser considerada subvalorizada.

Assim como uma empresa que é negociada a um múltiplo P/L elevado pode ser considerada sobrevalorizada.

Enterprise Value /EBITDA

Com este indicador de mercado, deve-se dividir o valor da empresa (que seria a soma do valor de mercado com o endividamento líquido – em inglês “Enterprise Value”) pelo EBITDA.

O EBITDA, apesar de suas imperfeições, seria algo aproximado à geração de caixa potencial da empresa.

Dividend Yield

Outro indicador econômico bastante utilizado é o dividend yield.

Este indicador representa a divisão dos dividendos distribuídos nos últimos 12 meses pelo preço da ação.

Desta forma, se uma empresa distribuiu R$ 1,00 por ação e sua cotação é de R$ 10,00, o seu dividend yield é de 10% (R$ 1,00/R$ 10,00).

O estrategista de investimentos Décio Bazin, em seu livro “Faça Fortuna com Ações”, sugere que o investidor deveria procurar empresas que distribuam mais de 6% ao ano de dividendos.

No entanto, tenha cuidado ao avaliar apenas a distribuição de dividendos.

Dividendos elevados, por si só, não garantem um bom investimento.

Pelo contrário, muitas vezes levam os investidores a entrar em grandes armadilhas.

O investidor deve procurar dividendos sustentáveis, em setores de rentabilidade elevada e com boas perspectivas futuras.

É melhor comprar uma empresa com um dividend yield menor, mas consolidada e que apresenta números saudáveis, do que uma ação com dividend yield alto, porém em deterioração de resultados e um alto risco.

Shareholders Yield

Este é considerado por muitos investidores como um dos melhores indicadores para avaliar uma ação.

O shareholders yield passa uma dimensão para o investidor de quanto a empresa paga de volta ao acionista através de uma combinação entre dividendos e recompra de ações das empresas.

Na prática, é a soma dos dividendos pagos nos últimos doze meses, mais o total da recompra de ações no mesmo período, mais a variação da dívida líquida, tudo isso dividido pelo valor de mercado da empresa.

Preço / VPA

Para analisar este múltiplo, deve-se dividir o preço da ação pelo Valor Patrimonial por Ação.

Deste modo, expressa o quanto os investidores aceitam pagar, no momento, pelo patrimônio líquido da companhia.

O P/VPA pode indicar a sobrevalorização ou não da ação.

Porém pode haver fatores importantes, que o indicador sozinho não mostra, para um P/VPA ser muito baixo ou muito alto.

E esta regra serve para qualquer múltiplo em questão.

Todos os indicadores econômicos têm forças e fraquezas, alguns são afetados por resultados não recorrentes.

Portanto é importante fazer ajustes para que estes indicadores de mercado não sofram impactos destes resultados que não vão se repetir.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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