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A importância do mercado de capitais

By 28 de junho de 2017 No Comments
O mercado de capitais

Muitas pessoas se utilizam do mercado de capitais para especular e tentar grandes lucros no curto prazo, mas esse não foi o objetivo deste fascinante mecanismo quando o mesmo foi desenvolvido, no início do século XVII, período das grandes navegações.

Em um breve e superficial resumo, podemos dizer que na época, Espanha e Portugal se expandiam muito por meio das “grandes descobertas” que ocorreram no período.

Mediante isso, os holandeses criaram as conhecidas Companhias Holandesa das Índias Orientais no intuito de promover uma disputa econômica contra Espanha e Portugal através do forte comércio que era exercido na época entre os países europeus e países da Ásia, América e norte da África.

O desenvolvimento dessa companhia se deu através de capital privado, quando se criou, em 1609, o Banco de Amsterdam a fim de apoiar o comercio colonial, que era rico em metais preciosos e especiarias.

Foi assim que surgiu o conceito inicial de ações, gerando dessa forma o financiamento necessário por aqueles que tinham interesse de fazer parte do projeto e participar de seus lucros, para que houvessem condições de acontecer as expedições.

Apesar de ter surgido para financiamento da Companhia Holandesa das Índias Orientais, uma instituição que tinha por finalidade explorar os recursos de outras regiões do mundo mesmo que isso custasse a vida de milhares de pessoas, a ideia do mercado de capitais continuou o mesmo ao longo do tempo.

Esse modelo foi tão interessante que serviu de base para moldar o sistema capitalista americano, hoje o mais abundante e desenvolvido do planeta.

Muitos dos maiores empresários de todos os tempos foram participantes ativos do mercado de capitais e tiveram alguns deles, inclusive, aberto suas empresas para que fossem financiadas com capital de terceiros.

Vale a pena lembrarmos alguns desses nomes a fim de nos inspirar e aumentar nossa percepção desse poderoso mecanismo financeiro.

Andrew Carnegie (1835 – 1919)

Seguindo a mesma lógica de mercado do século XVII, Andrew Carnegie, um dos maiores empresários americanos de todos os tempos, fez fortuna com sua empresa, a Carnegie Steel Company, mas também era atuante ativo do mercado de capitais da época, tendo investido em muitos projetos através da associação com os mesmos por meio de suas ações.

Carnegie também se preocupava com causas sociais e pregava o exercício da filantropia, tendo feito doações milionárias pelo mundo, e ajudando a construir bibliotecas, museus, fundações, além de ter criado, em 1910, uma instituição não lucrativa chamada Carnegie Endowment for International Peace, direcionada ao entendimento diplomático das nações, que até os dias de hoje continua ativa.
Certamente Carnegie foi um exemplo a ser seguido, tanto como ser-humano, tanto como investidor.

andrew carnegie

John Davison Rockefeller (1839 – 1937)

Rockefeller foi outro investidor e empresário norte-americano de muito sucesso em sua jornada, porém sua atuação se deu no setor do petróleo. Sua empresa, a Standard Oil Company, foi fundada em 1870 em Ohio, em parceria com seu irmão, William Rockefeller, e outros sócios.

Rockfeller se tornou o homem mais rico do mundo em sua época e, assim como Carnegie, além de ser investidor atuante no mercado de capitais, se importava com as causas sociais, tendo financiado diversas fundações que tiveram grande efeito na medicina, educação e pesquisas científicas.

Rockfeller

Henry Ford (1863 – 1947)

Este outro gigante do empreendedorismo americano foi o fundador da montadora de veículos Ford Motor Company, e nela desenvolveu a famosa linha de montagem em série (Fordismo), a qual diminui radicalmente o tempo de montagem dos veículos.

Com uma criatividade aguçada e ativa, Ford registrou 161 patentes em seu nome nos Estados Unidos.

Vale ressaltar que na fundação de sua companhia, foram investidos US$150 000 (em valores da época), provenientes de 12 sócios.

Ford

Fica muito fácil perceber que grande parte do desenvolvimento econômico, social e até mesmo cultural, que fez a humanidade se desenvolver até o patamar que nos encontramos hoje, foi devido, em sua grande parte, à mentes inquietas e criativas que foram estimuladas através de capital empregado por terceiros, que acreditaram no potencial desses projetos no longo prazo e em seus executantes, e não em quem investia para tentar especular e obter lucro no curto prazo.

Essa é a essência primordial do mercado de capitais, financiar projetos promissores que muitas das vezes promovem meios que mudam de fato os rumos da humanidade.

Sua dinâmica é conectar, de um lado, a escassez de recursos, com o outro, que é a abundância de capital, para que assim projetos promissores sejam financiados.

Dessa forma, o mercado abastece o crescimento da economia, realocando capitais que podem ser usados para criar empregos, executar projetos de infraestrutura e financiar ideias inovadoras.As engrenagens do mercado de capitais

É isso que faz a engrenagem da economia e do desenvolvimento de nossa sociedade girar.

Por isso, ainda hoje nós dependemos muito de giro dessa estrutura em nossos padrões de vida, principalmente no Brasil, onde uma parcela muito pequena da população investe na bolsa.

poucos investidores

É preciso que esse mecanismo seja estimulado fortemente para que se melhore esse cenário em nosso país, fazendo com que, dessa forma, mais pessoas se tornem sócias de projetos inovadores, atraindo mais empresas a abrir seu capital na bolsa, gerando mais empregos, mais impostos e mais desenvolvimento.

Nos Estados Unidos, ainda nos dias de hoje temos exemplos claríssimos de como o mercado de capitais impulsiona a economia e estimula o desenvolvimento de inovações tecnológicas que empurram os hábitos e costumes do mundo inteiro a patamares cada vez mais elevados.

Empresas como Google, Facebook, Amazon, Tesla e Apple são exemplos práticos de como ideias financiadas muitas vezes por pessoas comuns podem de fato alterar padrões e percepções de vida.

E o mais fascinante disso tudo é que qualquer pessoa pode se associar a projetos como esses, bastando para isso procurar as informações e estudá-las de acordo com seus interesses.

Mas cuidado

Apesar de ser um mecanismo bastante interessante, de simples acesso e viável para a sociedade como um todo, investir não é uma tarefa assim tão fácil, e é preciso que a pessoa que pretenda aplicar seus recursos no mercado se baseie em informações sólidas e confiáveis antes de aplicar os seus recursos.

Existe bastante conteúdo, inclusive gratuito, que pode ser usado como base para se esclarecer diversas dúvidas sobre o mercado como um todo.

Nossos artigos apresentam várias questões que abordamos diretamente e que envolvem muitas dúvidas das pessoas em geral em relação aos seus investimentos.

Além disso, nossas redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram) nos permitem interagir diretamente com nossos seguidores e constantemente respondemos dúvidas de maneira espontânea e verdadeira, sempre com o respeito que qualquer pessoa merece.

Porém, como em qualquer outra área da vida (política, meio jurídico, medicina, futebol e etc.), existiram, existem e sempre existirão pessoas que agem de má fé e tentam tirar vantagem daquelas que se encontram em posições menos esclarecidas sobre qualquer assunto.

Por isso, muitas vezes o suporte de uma assessoria financeira pode ser uma alternativa a se considerar, principalmente para aquele investidor que não é profissional do mercado e não tenha muita experiência.

Dito isso, é preciso que o investidor esteja sempre atento à qualidade e à reputação de quem se pretende contratar para esse tipo de serviço.

Alexandre Póvoa, economista, palestrante e autor do livro “Valuation – Como Precificar Ações”, retratou bem um cenário bastante comum em um de seus textos, cujo título foi “Recomendação de Investimento. Compre pesquisa e venda charlatanismo. ”.

É importante destacar o trecho em que o autor destaca o verdadeiro sentido da lógica dos investimentos: “(…) investimentos podem permitir alocação mais eficiente de capital, melhor produtividade e, por consequência, maior crescimento econômico agregado. ”

Também neste mesmo artigo, é fácil perceber como o mercado financeiro se tornou um verdadeiro “negócio promissor”, onde charlatões e picaretas exaltam promessas de ganhos absurdos em curtos espaços de tempo no intuito de seduzir as pessoas menos informadas.

Obviamente operações de curto prazo que envolvem day trade e opções já resultaram em grandes lucros em curtos espaços de tempo para muitas pessoas, porém é preciso que se fique bem claro, principalmente para as pessoas menos experientes, que essas atividades envolvem altos riscos e reais possibilidades reais de perda total dos recursos em pouco tempo.

Como dito anteriormente, a essência do mercado de capitais não é a de se especular na esperança de ganhos rápidos e fáceis, e sim financiar projetos promissores e que tenham potencial de crescimento e desenvolvimento da humanidade.

Essa é a mensagem e o verdadeiro espírito dos investidores.

O lucro é prazeroso, e inclusive é o verdadeiro objetivo de quem pretende investir o seu dinheiro, porém, a ambição de poder participar diretamente de empreendimentos vitoriosos deve ser maior que a ganância dos altos lucros no curto prazo.

É claro que é totalmente aceitável e tolerável que algumas pessoas se submetam a correr tais riscos a fim de obterem altas cifras, não temos absolutamente nada contra essa modalidade de investimento e muito menos contra as pessoas que as praticam.

O fato é que esta apenas não é a abordagem em que acreditamos, em que praticamos e nem a que indicamos a quem nos segue e nos acompanha.

Gostamos sempre de deixar claro que nossa abordagem é baseada sempre em análises fundamentalistas e que visam o longo prazo, no intuito de se associar a bons projetos empreendedores.

É para isso que acreditamos que sirva o mercado de capitais, essa ferramenta bastante versátil que contribuiu diretamente para chegarmos até o nível de desenvolvimento social, cultural e tecnológico que nos encontramos hoje, e que ainda tem muito a contribuir para continuarmos evoluindo enquanto cidadãos.

 

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.