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Ler demonstrações contábeis preparadas em outro país que não adotaram as IFRS pode ser um grande desafio para os investidores e não só por especulação.

Há 20 anos, antes de o Brasil adotar as IFRS, um dos principais desafios das empresas brasileiras era fazer-se entender pelos investidores estrangeiros. Mas isso mudou.

IFRS é a sigla para International Financial Reporting Standards (Normas Internacionais de Relatório Financeiro, em tradução livre). Trata-se de um conjunto de regras que determina como devem ser feitos os procedimentos contábeis dentro da empresa. Assim, estas determinações abrangem também a elaboração das demonstrações contábeis.

O seu objetivo é justamente este: padronizar a forma como a contabilidade é feita, independente do país de origem da empresa.

No entanto, na prática, não funciona exatamente assim.

Como funciona a adesão às IFRS

ifrsAderir ou não às IFRS é uma escolha que cabe a cada país. Assim, seguir estes preceitos é uma mudança voluntária.

Isso porque não existe um tratado internacional que obrigue os países a cumprirem os procedimentos das IFRS.

Mesmo assim, as regras da IFRS já foram adotadas em mais de 120 países.

Porém, nem sempre a adesão é 100% executada.

No Brasil, por exemplo, muitas empresas, especialmente as micro e pequenas, ainda não seguem as normas internacionais contábeis.

Na China a situação é ainda pior. Isso porque muitos destes empreendimentos só acataram a parte das normas internacionais.

O problema existe justamente pela falta de obrigatoriedade na adesão e, consequentemente, de punição para quem não seguir as normas.

Logo, a implantação das IFRS continua em processo de convencimento.

História das IFRS

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O processo de criação das IFRS levou alguns anos.

Tudo começou em 1973, com a criação do International Accounting Standards Committee (IASC).

A instituição reuniu entidades profissionais de contabilidade de 10 países.

Foram eles:

  • Alemanha,
  • Austrália,
  • Canadá,
  • Estados Unidos da América,
  • França,
  • Irlanda,
  • Japão,
  • México,
  • Países baixos, e
  • Reino Unido.

O objetivo da entidade era criar um novo padrão de normas contábeis internacionais, que pudesse ter adesão de todos os países.

As primeiras normas publicadas pelo grupo são denominadas como International Accounting Standard (IAS).

Em 2001, foi criado o International Accounting Standards Board (IASB), vigente até hoje, substituindo o IASC em suas funções.

Mas somente em 2004 foi publicado o IFRS 1. Ou seja, a definição dos princípios que regeriam as normas contábeis.

Neste mesmo ano, foram publicadas as primeiras demonstrações financeiras no formado do IFRS.

Em 2007, o Brasil aderiu às normas, tornando-as obrigatórias para as empresas nacionais, especialmente às grandes corporações.

Foi então dado um prazo de adaptação para que estes empreendimentos compreendessem as novas normas e as aplicassem.

Este prazo terminou em 2010.

De fato, ainda há resistência na adoção das normas pelas pequenas e médias empresas. Isso ocorre pelo trabalho que tal mudança demandaria e seu consequente custo.

No entanto, os órgãos reguladores apontam uma melhoria nas empresas que se adequaram às IFRS.

Isso porque as normas geram mais transparência e tornam mais fácil a obtenção de aporte financeiro, especialmente se o capital for estrangeiro.

As campanhas de conscientização neste sentido continuam, visto que não há multas previstas para o descumprimento destas normas.

Por causa da burocracia que envolve o âmbito tributário, a Contabilidade no Brasil acaba focando mais no pagamento de impostos do que na área contábil em si.

Esse é um dos entraves que tornam o processo de implantação completa das IFRS lenta.

Porém, é comprovado que a adequação dos balanços financeiros às IFRS torna mais clara a informação aos investidores.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.