Por: Tiago Reis

Howard Marks e os Raciocínios de Segunda Ordem (Parte I)

Costumo citar o megainvestidor Howard Marks com certa frequência, pois acredito que sua sabedoria no campo dos investimentos é algo exemplar. Assim, resolvi abordar no Suno Call de hoje um conceito que julgo muito importante para o sucesso de um investidor, assim como Howard também o considera.

Deste modo, introduzirei o conceito dos Raciocínios de Segunda Ordem, assunto do primeiro capítulo de seu livro “The Most Important Thing Illuminated”.

A visão de Marks sobre investimentos

No mundo dos investimentos, várias abordagens funcionam com frequência, mas nem sempre funcionarão. Nem mesmo os melhores investidores são capazes de acertar todas as vezes. Portanto, investimentos não podem ser tratados com base em um algoritmo.

As razões para isso são simples:

  • Nenhuma regra funcionará para sempre;
  • Os cenários, em geral, não são controláveis e as circunstâncias raramente se repetem do mesmo jeito;
  • A psicologia humana tem um papel muito relevante nos mercados, de modo que relações de causa e efeito nem sempre são confiáveis.

Para sustentar estas ideias, Marks afirma que é importante ter em mente que investir está mais próximo de ser uma arte do que uma ciência. Deste modo, enfatiza que é essencial que as abordagens de um investidor sejam intuitivas e adaptáveis, ao invés de engessadas e mecânicas.

Muitos almejam retornos superiores à média do mercado. No entanto, para que o investidor conquiste retornos superiores, são necessários raciocínios superiores, de acordo com Howard. Além disso, o autor ressalta que “contar com a sorte não faz parte do plano”.

Como a grande maioria dos investidores toma como prioridade o desejo de bater o mercado, é estabelecida uma “vontade universal”. Por isso, o fato de muitos indivíduos perseguirem um mesmo objetivo torna ainda mais difícil alcançá-lo.

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Então, como alcançar os retornos acima da média?

Será capaz de alcançá-los o indivíduo que estiver um passo à frente dos demais, como em vários outros âmbitos da vida. Para isso, é necessário que o investidor seja capaz de exercer um pensamento crítico no que Marks chama de “Segunda Ordem”.

Isto é, para se atingir um retorno melhor que o do mercado, seu raciocínio deve ser também melhor do que o raciocínio dos demais. Adicionalmente, deve-se levar em consideração que outros investidores devem ser inteligentes, bem informados e altamente equipados. Então, deve-se encontrar uma vantagem que eles não possuem.

Você deve pensar no que os demais não pensaram. Deve encontrar aspectos que passaram despercebidos. Ou deve trazer um insight que os demais não foram capazes de compreender. É necessário agir diferente, bem como se comportar de maneira diferente.

Já que para alcançar o sucesso você precisa estar mais certo que os demais, por definição, seu raciocínio precisa ser diferente, o que nos leva a introduzir os “Raciocínios de Segunda Ordem”, como chamados pelo autor.

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O que é um Raciocínio de Segunda Ordem?

Finalizarei este Suno Call com um exemplo de Marks, diferenciando os raciocínios de primeira e segunda ordem, e amanhã trarei a continuidade do assunto com maiores detalhes.

O Raciocínio de Primeira Ordem diz: “é uma boa companhia; vamos comprar sua ação”. Por outro lado, o Raciocínio de Segunda Ordem leva em conta: “de fato, é uma boa companhia, mas todos pensam que ela é uma excelente companhia, e não é. Portanto, a ação está precificada em patamares muito elevados; vamos vendê-la”.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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