O grau de investimento nada mais é do que a classificação de risco dado por agencias financeiras à empresas e países inteiros. As notas servem de baliza para facilitar a precificação dos juros dos títulos públicos de um país ou debêntures das empresas.

Assim, o grau de investimento funciona como um atestado que o ente avaliado é um bom pagador e que esse mutuário não representa riscos elevados de apresentar um calote.

Abaixo dessa avaliação, temos o grau especulativo, que significa que as agencias de risco não garantem que a empresa ou país arcará com suas obrigações, e o risco de calote é substancialmente mais elevado.

As agências de risco mais conceituadas do mercado são a Fitch, Moody’s e a Standard & Poor’s (S&P), que periodicamente enviam seus técnicos para avaliar e classificar as condições econômico-financeiras dos seus clientes.

A avaliação positiva dada por essas empresas é um ponto importante que dá condições de um país e suas empresas a conseguirem crédito barato em qualquer parte do mundo.

Além disso, uma nota positiva contribui para que mais investimentos sejam atraentes no país, pois diversos fundos de pensão só são permitidos de realizar aportes, em entes privados ou públicos, com grau de investimento.

As classificações de riscos dadas por essas empresas são comumente chamadas de rating de crédito, e eles são representados por códigos.

Esses códigos podem ser representados por letras, números e sinais matemáticos (+ ou -) e normalmente vão de D (a nota mais baixa) à nota AAA (nota máxima).

Abaixo podemos ver como cada código é representado pelas agencias de classificação de risco:

Grau de investimento é muito usado como critério de risco

Códigos de avaliação usados por agências de classificação de risco

Para classificar um rating, as agencias recorrem tanto a avaliações quantitativas como fluxo de caixa, grau de endividamento sobre a geração de caixa, projeções, quanto análise de elementos qualitativos, como situação externa que possa interferir na empresa ou percepções sobre o comportamento dos gestores e do controlador.

As classificações de risco também levam em consideração o fator tempo, em suas avaliações.

Naturalmente, um período mais longo para realizar o pagamento de títulos ou debêntures incorre em mais riscos, e sua classificação de crédito será diferente da de uma emissão que tem curto, por exemplo.

Grau de investimento do Brasil

O Brasil chegou a ter grau de investimento pela primeira vez em 2008, às vésperas da crise financeira global.

A primeira agencia a classificar o país nesse patamar foi a S&P, em abril, em seguida, a Fitch em maio daquele ano, e por último a Moody’s em setembro de 2009.

No entanto, o Brasil, em setembro de 2015, perdeu o grau de investimento e ainda recebeu uma perspectiva negativa para a sua economia, abrindo caminho para que sua nota fosse, mais uma vez, reduzida em fevereiro de 2016.

Em dezembro de 2015, a Fitch reduziu a nota do Brasil para um nível abaixo da categoria de bom pagador, rebaixando novamente a classificação em maio de 2016.

A Moody’s retirou a avaliação do Brasil em fevereiro de 2016, uma semana após o segundo rebaixamento pela S&P.

Na ocasião, a Moody’s reduziu a nota do país para dois níveis abaixo do patamar de investimento.

Conclusão

É importante ressaltar para nossos leitores, que, embora um grau de investimento seja um importante parâmetro, o investidor deve tomar deve tomar decisões por conta própria pois, por diversas vezes, as agencias de risco erraram em suas classificações, de forma a prejudicar drasticamente os investimentos daqueles que confiaram em seus ratings.

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Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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