A geração de caixa de uma empresa é o valor líquido do caixa e equivalentes de caixa que se deslocam e saem de um negócio. Quando positivo, ele indica que os ativos líquidos de uma empresa estão aumentando, o que permite liquidar dívidas, reinvestir no negócio ou remunerar os acionistas.

No entanto, quando dizemos que a geração de caixa de um negócio foi negativa, isso indica que os ativos líquidos de uma empresa estão diminuindo, o que no longo prazo pode deteriorar a situação do balanço patrimonial e ameaçar a própria sobrevivência de uma companhia.

Geração de caixa e lucro líquido são componentes totalmente diferentes

Um erro muito comum entre os mais leigos nesse assunto é confundir esses dois termos que são distintos entre si. Acontece que no lucro líquido de uma empresa devemos incluir todas as contas a receber, fato que não ocorre na geração de caixa, pois ela demonstra apenas o dinheiro que efetivamente foi movimentando.

Nesse caso, a análise do fluxo de caixa de um negócio, pode ser uma importante ferramenta para descobrirmos se uma empresa continua solvente, ou seja, líquida o bastante para honrar com todos os seus compromissos.

Fato que já não pode ser visto no regime de competência, onde o lucro líquido é posicionado. É relativamente comum que empresas que apresentam elevados lucros por um tempo logo venham a se tornar insolventes devido a uma carteira de recebíveis extremamente elevada. Esse fato foi visto claramente nesses últimos anos nas empresas de construção civil no Brasil.

Porém, o contrário também pode ser verdadeiro. Uma companha pode estar recebendo fluxos maciços de dinheiro apenas porque vendeu alguns dos seus ativos de longo prazo. Para se precaver quanto a isso, é necessário uma análise criteriosa dos acontecimentos ocorridos com a companhia no período abordado do balanço.

Outro fato também que pode favorecer a geração de caixa de uma empresa no curto prazo, é a emissão de títulos de dívida corporativa, decisão que não necessariamente poderá ser favorável para os acionistas e para a geração de caixa no longo prazo.

 O demonstrativo de fluxo de caixa

Todo demonstrativo de fluxo de caixa é dividido em três categorias principais:

  • Fluxo de caixa operacional: Caixa gerado nas operações da empresa menos as despesas e gastos decorrentes da industrialização, comercialização ou prestação de serviços da empresa.
  • Fluxo de caixa de investimentos: Gastos em investimentos, no imobilizado e no intangível, e aplicações financeiras. Entradas positivas são por conta de vendas de ativos e resgate de aplicações financeiras.
  • Fluxo de caixa de financiamentos: Entrada com empréstimos e financiamentos de curto prazo. As saídas de caixa são por conta de pagamentos destas dívidas ou pagamentos aos acionistas na forma de distribuição de lucros.

Por fim, temos o fluxo de caixa livre que é uma métrica muito importante que mede a saúde financeira de uma companhia. Ele é definido como o fluxo de caixa operacional da empresa, menos as despesas de capital. Caso positiva, essa geração de caixa pode ser usada para pagar mais dividendos, pagar dívidas ou expandir o negócio.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.