Flutuação suja

A taxa de câmbio expressa o valor da moeda de um país em relação à moeda de outro país. Porém, esse mercado pode sofrer intervenções diretas dos Bancos Centrais, como ocorre no sistema de flutuação suja.

Basicamente, a taxa de câmbio de uma moeda para outra varia conforme a economia internacional e o fluxo de moeda estrangeira. Entretanto, quando a flutuação suja é colocada em prática, a política econômica do país em questão também passa a influenciar o câmbio.

O que é flutuação suja da taxa de câmbio?

A flutuação suja, também conhecida como dirty float, acontece quando a flutuação da taxa de câmbio é “controlada”, de certa forma, pelas instituições monetárias dominantes de cada país. No caso do Brasil, essa responsabilidade fica a cargo do Banco Central (BACEN).

Ou seja, o conceito de flutuação suja remete à intervenção de autoridades monetárias de um país na taxa de câmbio deste, o que faz com que o mercado cambial não seja totalmente livre.

Tipos de flutuação cambial

A taxa de câmbio é um dos fatores mais decisivos para conter a inflação em um país. Existem três regimes cambiais, sendo que a flutuação suja faz parte do sistema híbrido:

  1. Câmbio flutuante: regulado pela oferta e demanda do mercado;
  2. Câmbio fixo: regulado pelo governo (no Brasil, BACEN), por meio de reservas internacionais;
  3. Sistema híbrido: inclui flutuação suja (administrada), e o câmbio geralmente permanece regulado através do livre-mercado. Intervenções ocorrem quando a taxa de câmbio sofre oscilações demasiadamente bruscas.

Qual a diferença entre flutuação suja e flutuação limpa?

Flutuação suja

A flutuação suja, quando necessário, propicia a intervenção da autoridade monetária na compra ou venda de moeda estrangeira (dólares) no mercado. Isso corre para garantir que não ocorra desvalorização ou sobrevalorização da moeda do país em grau demasiado.

Já a flutação limpa não envolve intervenção de autoridades monetárias do país no mercado cambial visando à estabilização (ao controle) da taxa de câmbio.

Consequências da flutuação suja

Na atualidade, a flutuação de câmbio vem sendo cada vez mais suja. Tal atuação faz com que muitas vezes o câmbio não exprima a real situação econômica do país.

Um exemplo de dirty float é a moeda chinesa, o yuan, e o câmbio da China. As autoridades monetárias deste país têm mantido uma taxa de câmbio artificialmente desvalorizada diante do dólar.

Esta medida, com o aumento da produção da indústria chinesa e os baixos salários, vem aumentando a competitividade dos produtos chineses no mercado internacional.

Como resultado, os produtos de outros países emergentes, incluindo o Brasil, perdem espaço no mercado internacional.

Flutuação suja no Brasil

No Brasil, o BACEN sempre interveio para controlar a cotação do dólar, mantendo-a dentro de uma banda encoberta ou dentro de valores estipulados.

Esta intervenção é uma flutuação suja, visto que o BACEN não permite que a cotação do dólar flutue livremente.

Assim, pode-se dizer que atualmente, no Brasil:

  • O câmbio não é realmente puro, mas tem uma flutuação suja;
  • Não há fixação da banda cambial para conter a inflação e atingir a meta;
  • O câmbio se mostra instável, dificultando por vezes os investimentos externos no país.

Além disso, no Brasil, já existiu a particularidade da banda cambial. Esse foi um regime de câmbio que foi implantado pelo BACEN de 1995 até 1998 no Brasil, na fase inicial do Plano Real. Nele, o BACEN definia uma faixa ou banda dentro da qual o câmbio poderia flutuar livremente.

Para entender melhor sobre a aplicação da flutuação suja, é necessário ficar atento aos movimentos do Banco Central sobre as negociações de câmbio. Para isso, assine gratuitamente a Lista de Whatsapp da Suno e receba, diretamente no seu celular, as principais notícias econômicas e financeiras do mercado brasileiro.

Compartilhe a sua opinião
Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.