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Quem é Florian Bartunek?

By 25 de setembro de 2017 No Comments
Quem é Florian Bartunek?

Florian Bartunek é um dos gestores de fundos mais renomados do Brasil. Fundou em 2002 a Constellation, uma gestora de fundos de ações que possui um patrimônio aproximado de 2 bilhões de reais.

Entre seus sócios, o Constellation tem pessoas de renome como o Jorge Paulo Lemann e o fundo americano Lone Pine Capital.

Florian estudou administração da PUC do Rio de Janeiro e seu primeiro estágio foi trabalhar na área de marketing do banco nacional. Porém, sua primeira experiência profissional no mercado de capitais, foi no banco Pactual, em 1989, que nada mais era que um pequeno banco de investimentos, com muito pouca notoriedade na época.

Então, começando a sua carreira como um analista de investimentos e por diversas vezes trabalhando também como um operador, Florian, foi ganhando muito experiência no ambiente agitado e volátil do mercado.

Rapidamente, mas com muito esforço, se destacou entre os demais analistas. Naquela época, como não existia internet, ele colhia o máximo de informações que podia sobre as empresas, copiando dados de balanços que foram colhidos diretamente na própria CVM, cortes de revistas com noticias relevantes sobre as empresas entre outras formas de acompanhamento bastante triviais nos dias de hoje.

No dia-a-dia do trabalho como analista, existiu uma passagem bastante interessante no início da carreira de Florian, que foi o aprendizado conquistado com a parceria que o Pactual tinha com o megainvestidor George Soros.

Soros, vislumbrando boas oportunidades nas empresas brasileiras de menor porte, e por consequência, menos acompanhadas pelo mercado em geral, pediu que boa parte do seu dinheiro sobre administração dos analistas do Pactual entre eles o Florian, fosse aplicado em small caps. Atitude essa que acabou dando muito certo, coroando o fundo como o de melhor desempenho do mercado por muitos anos.

Essa historia ensinou uma lição muito importante para Florian como investidor: Invista sempre onde há menos popularidade, onde a incerteza é mais elevada ou em situações pouco acompanhadas pelo mercado.

Em suma, ele estava ali, indiretamente, tomando lições sobre uma filosofia value investing, numa realidade totalmente incipiente que era a bolsa brasileira nos anos 80 e 90.

Gerindo o dinheiro de Lemann

Alguns anos depois, devido a divergências internas com a administração do Pactual, Florian resolve sair do banco e procurar um emprego no concorrente ao lado, o banco Garantia.

Florian, naquela época, já admirava bastante o Jorge Paulo Lemann, que era o fundador do Garantia, e foi pedir emprego diretamente a ele.

Porém, Lemann estava num processo de venda de sua participação no banco Garantia para o Credit Suisse, ao mesmo tempo em que estava procurando montar um fundo de gestão de recursos para que seu dinheiro fosse investido no mercado de capitais. Então ofereceu o emprego para o Florian, em meados de 1998.

Logo de início, deu sorte porque quando começou não tinha dado tempo de investir em muitos ativos e rapidamente veio a crise da Rússia, que afetou os mercados do mundo todo.

Logo de cara, a primeira ação que Florian investiu, caiu cerca de 100 mil dólares, o que o deixou bastante nervoso e então ele resolveu ligar para Jorge Paulo, que então demonstrando toda sagacidade de investidor de sucesso respondeu:

“Se não perder, não ganha, é assim mesmo. E, se você está querendo comprar mais, ficou barato”.

Pouco tempo depois desse período mais conturbado, Florian, que não gostava da ideia de gerir um fundo com milhares de clientes, pois geralmente, esses clientes assumiam uma postura pro-cíclica (vendiam ou compravam acompanhando a “onda do mercado”).

Então resolve formar o Constellation, um fundo de sócios e de algumas pessoas próximas com a finalidade de aplicar capital nas empresas da bolsa.

Na cabeça de Florian, aquela não era a melhor época de se iniciar um fundo, pois o pensamento dominante era que Lula seria eleito e iria confiscar todo o dinheiro do Brasil.

E em parte, foi o que realmente aconteceu, ele foi eleito, porém, o que se seguiu foi uma das épocas de maior criação de riqueza do país, puxada por uma demanda externa muito forte e uma incomum estabilização da economia brasileira.

O Ibovespa saiu de 14 mil pontos e chegou até os 70 mil pontos, em 2011, uma extraordinária valorização.

Em busca da empresa ideal

O pensamento de investidor de Florian se desenvolveu mesmo depois que ele leu o livro O jeito de Warren Buffett de investir, livro que resume as principais estratégias de Buffett na hora de investir.

Esse livro o transformou, nas palavras dele, foi como ler a bíblia, pois Buffett ensinava que vale muito a pena o investidor olhar também, para a qualidade do ativo que representa o papel. Na época, o preço era o principal fator de investimentos para os analistas.

Florian, na sua procura pela “empresa ideal”, costuma investir em companhias com fortes vantagens competitivas, que basicamente seriam barreiras a entrada de novos competidores.

Por exemplo, a Ambev possui uma participação no mercado cervejeiro de cerca de 70% há muitos anos, e sempre com uma elevada rentabilidade, fato que claramente demonstra fortes vantagens competitivas.

O mesmo pode ser replicado para os grandes bancos brasileiros.

No entanto, se olharmos para o setor de torradeiras, por exemplo, percebemos que todo ano, uma empresa diferente é líder de vendas, sempre com retornos baixos e muito comumente estão atuando numa contínua guerra de preços.

Fatores que fazem desse investimento, um péssimo ativo para o investidor no longo prazo.

Depois de analisar as vantagens competitivas, Florian, avalia a gestão da companhia.

Em geral, ele prefere uma empresa familiar, que procura estar no dia-a-dia da companhia, pois, em muitos casos, um conselho de administração que se reúne de tempos em tempos, pode ser facilmente enganado, pois a gestão da empresa possui muito mais informações sobre o negócio, e pode estar mascarando os dados ruins e ressaltando os bons.

Um terceiro ponto, muito importante que ele costuma analisar, é o potencial de crescimento da empresa, sua perenidade e consistência nos resultados.

Ele costuma dar o exemplo de Warren Buffett, que é amigo de Bill Gates, mas, apesar disso, nunca Buffett decidiu investir na Microsoft.

Na época do Boom da internet, nos anos 90, Buffett foi amplamente chamado de ultrapassado, por não investir em empresas ligadas a tecnologia.

Como resposta, ele costumava dizer que não sabia onde estariam essas empresas em 10 anos, por exemplo.

Ele não poderia prever se a empresa continuaria tendo um diferencial competitivo ou seria esmagada pela concorrência.

Por lado, Buffett investe grandes somas de seu capital na Coca-Cola, que é líder de mercado a décadas, e é muito fácil para ele, prever de certa forma, onde estará a empresa no médio prazo.

Outro ponto importante que ele gosta de ressaltar é que nada pode ser mais prejudicial para o investidor do que ficar acompanhando de perto o desempenho do mercado.

Florian, diz que acompanha o desempenho da bolsa muito por alto, seu foco mesmo está nas empresas.

Ele passa boa parte do seu tempo em reunião com diretores e executivos, tentando extrair o máximo de informações possíveis, que possam fazer com que ele identifique as boas companhias para o longo prazo.

Não é possível o investidor que está dentro do mercado deixar de estar exposto à alta volatilidade da bolsa, ele tem que saber se adaptar e conhecer bem as empresas onde está investindo.

Muitas vezes crises totalmente sem nenhuma correlação com a realidade das empresas fazem derrubar seus preços, no entanto, o investidor tem que ter na cabeça que tudo isso é passageiro.

Buffett costuma afirmar: “O importante não é prever o tempo, mas construir a arca de Noé”.

Construir a arca, seria o investidor construir uma carteira conservadora, com boas empresas que tenham o mínimo de alavancagem ou se possível nenhuma.

Filosofia de investimento de Florian Bartunek para fazer bons negócios

Essas dicas valiosas foram retiradas do livro Fora da Curva, do qual Florian é coautor.

  1. Invista em ações de empresas com vantagens competitivas claras, ou seja, que tenham criado “barreiras à entrada de competidores. É o caso de companhias que se mantêm na liderança de seus setores por anos, como a fabricante de bebidas Ambev.
  2. Só compre ações de companhias bem administradas, com donos ou executivos confiáveis. Analisar gestão é algo subjetivo: ajuda estudar o histórico dos profissionais que comandam a empresa
  3. Prefira empresas que tenham potencial de crescimento e receitas previsíveis.
  4. Não analise apenas o preço, mas também a qualidade da companhia. Boas empresas se tornam baratas com o tempo.
  5. Num cenário de crise, não adianta tentar prever o tempo; o melhor é construir a arca de Noé e investir em papéis de empresas que sofram menos num cenário turbulento.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.