flipper

Participar um IPO pode ser uma grande oportunidade de adquirir ações de uma boa empresa a um preço baixo. Porém, existe um tipo de investidor de IPOs que se limita a comprar e vender a ação já no seu dia de lançamento. É o chamado investidor flipper.

Mesmo não sendo uma operação “bem-vista” pelo mercado em geral, o flipper é muito comum em todos os mercados do mundo – principalmente quando se trata de grandes IPOs.

O que é um flipper?

Flipper é o investidor que faz uma operação de curtíssimo prazo com uma ação no seu primeiro dia de negociação – ou seja, durante o IPO de uma empresa na bolsa. Também conhecida como “flipar”, essa atividade consiste em comprar antecipadamente as ações de um IPO com a intenção de vendê-las no dia de lançamento no mercado.

Ou seja, a lógica por trás dessa estratégia consiste em negociar a ação rapidamente a ação durante a sua estreia no mercado. O objetivo é lucrar com a valorização do papel durante suas primeiras horas de negociação. O termo vem do verbo em inglês “to flip” – que se refere a algo que vira rapidamente de uma hora pra outra.

Qual a lógica por trás de um flip?

Um IPO é um momento muito aguardado pelo mercado. Por isso, normalmente a tendência é que o preço da ação sempre suba em seu primeiro dia de negociação.

Isso acontece porque uma empresa que abre seu capital sempre busca captar o máximo de recursos possível. Dessa forma, ela só irá realizar um IPO em quando sentir que o mercado está aquecido, ou quando seu setor de atuação apresentar boas perspectivas para o futuro.

Logo, na maioria das vezes, os IPOs só são realizados quando existe uma grande estimativa de demanda dos investidores pelo papel. Sendo assim, sempre se espera uma boa valorização da ação durante as primeiras horas de pregão – o que favorece a atuação dos flippers.

Como um flipper avalia se deve participar de um IPO?

Além de altamente especulativa, a flipagem é considerada uma operação com risco considerável – já que nem todo IPO irá se valorizar como o esperado. Porém, existem alguns aspectos que os flippers consideram antes de decidir aplicar essa estratégia. Alguns deles são:

Volume da oferta: Quanto maior o tamanho do IPO, mais atrativo ele é para os flippers. Isso acontece porque, na maioria das vezes, grande parte da demanda em um IPO vem de investidores institucionais – como bancos e fundos de investimento. Se o capital aberto no IPO for baixo, o papel não irá atrair tanto interesse desses investidores.

Setor de atuação da empresa: Se o segmento onde a empresa atua estiver aquecido, ou apresentar solidez e projetar bons resultados no futuro, maiores são as chances do IPO se valorizar no primeiro dia de pregão.

Liquidação financeira da ação: Em uma compra antecipada de ações, o investidor tem um prazo de liquidação (D+1, D+2, D+3) após o dia do IPO para efetivamente pagar pelas ações. Por isso, esse período pode funcionar como uma “garantia” para o flipper, caso a operação dê errado. Logo, quando maior for o tempo para o investidor pagar pela ação que reservou, mais interessante será a flipagem.

Book de ofertas: O book de ofertas o principal indicador para orientar o flipper na venda das ações. Se o volume no book de compras estiver for maior que no book de vendas, a tendência é que a ação se valorize. Caso contrário, o papel pode começar a cair, forçando o flipper a realizar a venda.

Como o flipper é visto pelo mercado?

A flipagem ainda é uma operação muito controversa. Empresas e investidores institucionais, por exemplo, afirmam que esse tipo de especulação acaba sendo prejudicial para o mercado. Segundo elas, os flippers só se “aproveitariam” da volatilidade no primeiro dia de pregão e atrapalhariam a emissão de ações da empresa.

Em alguns mercados, como o norte-americano por exemplo, existem proibições legais que coibem a atuação do investidor flipper. Já o Brasil ainda não possui legislação sobre o tema. Algumas tentativas de limitar esse tipo de operação já foram feitas, mas sem muito sucesso.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.