FCD é a sigla para Fluxo de Caixa Descontado
Por: Tiago Reis

FCD: A ferramenta que auxilia os analistas na precificação de ativos

O fluxo de caixa descontado – ou FCD – é uma das ferramentas mais utilizadas pelos analistas de empresas para estimar o potencial valor de uma companhia no futuro.

Um dos fatores que contam positivamente para a utilização do FCD, segundo os analistas, é o seu rigor técnico e capacidade de inserir variáveis e premissas estratégicas, operacionais e financeiras que compõe a metodologia de avaliação.

De forma simplificada, o método de fluxo de caixa descontado consiste em trazer a valor presente, mediante a uma taxa de desconto, o fluxo de caixa futuro de uma empresa.

A partir dessa ferramenta a empresa consegue ter em mãos a capacidade de projetar a sua situação financeira futura, otimizando assim, a aplicação do fluxo de caixa de uma maneira mais produtiva, pois a companhia terá um melhor planejamento futuro dos seus recursos.

Por que fazer o FCD

Se um analista ou empresário deseja saber qual o valor econômico de uma empresa, é bem provável que o primeiro método a ser considerado será o calculo do fluxo de caixa descontado.

Esse método deve seguir várias etapas que devem ser seguidas corretamente de forma a garantir o mínimo de confiabilidade nas informações obtidas através dele.

Geralmente o fluxo de caixa descontado pode ser calculado de duas maneiras:

  • Para obter o fluxo de caixa dos acionistas, descontado todos os efeitos de dívidas;
  • Ou através do uso do FCL (ou fluxo de caixa livre) que nada mais é do que o dinheiro gerado após a dedução dos impostos, investimentos permanentes e variações esperadas no capital circulante líquido.

Antes de tudo, é necessário o analista fazer um cálculo da quantidade de dinheiro que efetivamente entra através da geração de caixa na empresa descontando todas as despesas necessárias para tocar aquele negócio.

A partir disso é necessário calcular o potencial de rendimento da empresa no futuro.

Para fazer esse cálculo é necessário definir quais são as oportunidades e desafios que a empresa possa enfrentar no futuro, o que naturalmente nos dará um número muito pouco preciso, porém, ele deve ser aproximado.

Analisar os riscos que o negócio corre e incluí-los no fluxo de caixa descontado é uma tarefa que exige muito realismo, pois é nessa hora que são feitas análises sobre a dinâmica competitiva da empresa, aceitação dos produtos por parte do seu público-alvo ou até fatores macroeconômicos totalmente externos à capacidade da empresa de resolvê-los.

Pontos negativos do FCD

A armadilha mais comum para essa ferramenta é justamente no momento de projetar os resultados futuros de um negócio.

O futuro é um fator totalmente enigmático e tentar estimá-lo pode gerar contratempos importantes, principalmente se o calculo foi feito com base em premissas excessivamente otimistas.

Muitas empresas fazem projetos alavancados com base em cálculos complexos de fluxo de caixa descontado, mas esquecem que se não colocarem premissas realistas, todo um projeto pode vir por água abaixo.

Conclusão

Em face de tudo o que foi mencionado, é importante que, antes de se fazer um cálculo de FCD, que o investidor cerifique-se de que dentro das premissas, foram inclusos os fatores de riscos mais relevantes para a companhia, pois dessa forma o resultado estará possivelmente bastante próximo daquele estimado pelo analista.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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