Dividendos

A estratégia de investir em empresas que apresentam promissores dividendos apresenta menor risco do que investir em empresas em situação financeira desafiadora. Ao longo do tempo, as empresas saudáveis são vencedoras.

Em nosso primeiro relatório, explicamos o que são os dividendos e como a estratégia de investir em empresas que pagam dividendos foi o norte de renomados investidores como o nosso mentor intelectual Luiz Barsi e John D. Rockefeller, o homem que revolucionou a indústria do petróleo e passou seus últimos 40 anos de vida aposentado.

Gostamos desta estratégia por um motivo simples, acreditamos que ela gera maiores retornos ao longo dos anos com menor risco.

O gestor holandês de fundos conservadores Pin Van Vliet explica em seu livro “High Returns from Low Risks” como o título do seu livro é um paradoxo e uma “verdade inconveniente” no mundo dos investimentos.

Usualmente investidores acreditam que o risco e o retorno são inseparáveis. Maior o risco, maior o retorno.

O autor realizou pesquisas com dados de mercado de ações datados de 1929 para provar que investir em ações de baixo risco gera retornos surpreendentemente altos, significativamente melhores do que aqueles gerados por ações de alto risco.

Ele apresenta essa história contra-intuitiva traçando um paralelo com a fábula da “tartaruga e a lebre”.

Investir em ações de baixo risco funciona e continuará a funcionar, mesmo que mais pessoas tomem consciência deste paradoxo.

Casos brasileiros

Em 2015, a British American Tobacco recomprou as ações da Souza Cruz (CRUZ3) e fechou seu capital.

Empresa de perfil defensivo, a fabricante de cigarros era uma das ações preferidas do mercado por ser uma das maiores distribuidoras de dividendos da Bolsa, distribuía cerca de 97% do seu lucro.

Souza Cruz

O retorno de CRUZ3 foi espantoso ao longo dos anos, a ponto do renomado gestor Luiz Stuhlberger, gestor do Fundo Verde, ter declarado: “se tivesse colocado todo dinheiro na Souza Cruz desde o começo, tinha ganhado mais”.

Mas como uma empresa que cresce pouco e distribui todo seu lucro pode gerar tanto retorno?

A recorrência do pagamento de dividendos demonstra a confiança no fluxo de caixa futuro da empresa. E uma confiança no fluxo de caixa diminui a percepção de riscos. E a menor percepção de risco amplia o valor de mercado de um empreendimento.

Portanto, ao mirar a estratégia de dividendos, é importante também se atentar com o potencial de valorização da empresa em relação aos seus pares.

A empresa que distribui seus lucros compromete seu crescimento?

Não necessariamente.

O crescimento do lucro nem sempre depende de reinvestimento. Depende da capacidade da empresa em crescer.

Muitas vezes o crescimento pode ser alcançado com pouco investimento ou sob uma base de ativos já existentes, com a melhoria de seu desempenho operacional.

Por exemplo, a Fleury S.A (FLRY3) é uma empresa de medicina diagnóstica (exames de imagens radiológicas e análises clínicas) focado no segmento intermediário e premium.

As alavancas de sua estratégia:

Alavancas Fleury

Apresenta sólido crescimento ao longo dos anos:

crescimento fleury

E consequentemente teve uma forte valorização de mercado:

Fleury

Os investidores que confiaram na estratégia – melhorar seu resultado sob uma base de ativos existentes e com melhores margens operacionais – tiveram um ganho de capital e com dividendos extremamente relevante.

Dividendos são reveladores

Dividendos distribuídos de forma recorrente e sustentável revelam grandes qualidades de empresas. Entre elas: (i) resiliência; (ii) riscos controlados; (iii) vantagens competitivas.

Resiliência é a capacidade da companhia em lidar com os problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos e resistir à pressão de situações adversas. Empresas que pagam dividendos de forma recorrente usualmente possuem esta característica.

A Ambev S.A. (ABEV3) recentemente anunciou a compra da Cervejaria Artesanal Colorado, de Ribeirão Preto-SP. O mercado americano mostrou que o potencial de crescimento de cervejarias locais “pequenas e independentes” é imenso.

Nos EUA, elas crescem double digits anualmente, e já representam mais de 15% do mercado. Para traçar um paralelo, a terceira colocada em market share no Brasil, a gigante Heineken, possui 9,3% do mercado.

Portanto, a aquisição de uma marca local não é apenas uma estratégia monopolista de mercado. É uma estratégia de antecipação para uma tendência de mercado, verificada lá fora e aqui.

A companhia entendeu que precisava diversificar ainda mais suas marcas e estar bem posicionada no mercado “premium”. Isto é resiliência.

Ambev

Gerenciamento de riscos é fundamental em qualquer investimento.

Setores intensivos de capital apresentam riscos ainda maiores, dada a magnitude do capital investido. Em geração de energia, a empresa que vence o leilão para construção de uma usina assume o compromisso de entregar a energia em determinado prazo.

Os riscos em construção de usinas são o capex overrun, que seria gastar mais que o planejado, e o risco de atraso da obra, que acarreta custos de aquisição da energia que precisa ser entregue.

A EDP Energias do Brasil (ENBR3) tem mostrado que consegue transformar riscos em oportunidades.

A antecipação na entrega das usinas hidroelétricas permite a companhia auferir receitas com a venda de 100% da energia “antecipada”, reduzindo o seu risco.

EDP energias Brasil

A vantagem competitiva que uma empresa possui em relação aos seus concorrentes podem ter diversas origens, desde melhor acesso a um determinado mercado, vantagens tecnológicas e organizacionais, escala, entre outros. Vamos explorar esta questão com maior profundidade no futuro.

O fato é que vantagens competitivas permitem às empresas melhorar as condições para longevidade dos seus negócios e lucrar mais que os concorrentes.

Quando a companhia de meios de pagamentos Cielo (CIEL3) perdeu a exclusividade da Visa em 2010, houve uma expectativa de mudanças relevantes no setor de meios de pagamentos.

Mas não foi o que aconteceu. Apesar da empresa ter perdido mercado desde então (e continuará perdendo devido a novas regras do setor), ela continua com market share de 52% do mercado.

O baixo crescimento dos concorrentes nos últimos anos é explicado por algumas vantagens competitivas da Cielo.

Os principais acionistas da Cielo são o Bradesco e o Banco do Brasil. Sua principal concorrente – Rede – tem como acionista o banco Itaú. Ao longo do tempo os bancos criaram barreiras de entrada para novos competidores ao não desenvolver soluções de padronização para o mercado.

Também fecharam acordos para credenciar os estabelecimentos comerciais que já são clientes dos bancos, uma enorme base de clientes. A Cielo também possuía até recentemente um acordo de exclusividade com a bandeira de cartão de crédito American Express.

E por último, a companhia investe em produtos mais tecnológicos e de maior valor agregado, como soluções de análise de dados e gestão do negócio para os clientes. Isto são vantagens competitivas.

CIEL3

A Fórmula BSD: Big, Safe Dividends

“Encontre ações com potencial de valorização acima da média e dividendos seguros e crescentes e compre-os a preços atraentes”

No best-seller “The Little Book of Big Dividends: A Safe Formula for Guaranteed Returns”, Charles Carlson desenvolve uma filosofia de investimentos baseada no reinvestimento dos dividendos obtidos através da aquisição de empresas que pagam dividendos regulares.

A fórmula básica de Carlson baseia-se em duas premissas para escolha das empresas a serem investidas:

  • Uma empresa não pode pagar dividendos se não tiver o dinheiro para fazê-lo;
  • Você deve escolher ações com base em seu potencial de retorno total, e não apenas no dividend yield.

Parece um pouco óbvio dizer que “Uma empresa não pode pagar dividendos se não tiver o dinheiro para fazê-lo”, mas muitas as empresas distribuem bônus a executivos e dividendos aos acionistas além da capacidade de fazê-lo.

Em 2013, a PDG Realty SA (PDGR3) distribuía polpudos bônus aos seus funcionários do alto escalão.

O resultado da empresa era “turbinado” por um reconhecimento contábil dos custos e receitas das obras que permitia o reconhecimento das receitas antecipadamente ao real andamento das obras.

O “truque” contábil gerou resultados de curto prazo inconsistentes com a realidade. O valor patrimonial das ações evaporou. Hoje a companhia encontra-se em recuperação judicial.

pdg reclamando

No mesmo ano, a Eletropaulo (ELPL4) perdeu mais de 50% do valor de mercado e viu os dividendos desaparecerem.

A empresa vinha pagando relevantes dividendos ao longo dos anos, mas acumulava enormes riscos em seu passivo. Ao perder disputas judiciais teve que reconhecer em seu balanço dívidas com fundos de pensão e viu sua receita cair devido a revisão da sua base de ativos regulatórios.

A “queridinha” dos dividendos amarga desde então resultados ruins, e nada de dividendos.

Retorno Total sobre as Ações

Ao investir em ações, o investidor é remunerado de duas maneiras –  ganhos de capital e dividendos. A combinação dos dois é o retorno total da ação.

De acordo com Carlson, cerca de 40% do retorno do mercado à longo prazo vem de dividendos.

Portanto, embora ficamos mais focados nos movimentos de curto prazo do preço das ações, o impacto dos dividendos nesta equação (retorno total = ganhos de capital + dividendos) é relevante.

Quais empresas pagam dividendos?

Uma vez que iniciam uma política de dividendos, dificilmente as empresas mudam sua política.

Por essa razão, Carlson tende a ver empresas maiores, mais estabelecidas e maduras pagando dividendos seguros.

Ele diz que normalmente elas são as maiores em seus mercados e mais estáveis. Faz sentido. Todos as empresas citadas nos “casos brasileiros” possuem esta característica, e são pagadoras de dividendos.

Como mitigar o risco emocional inerente a qualquer investidor? Carlson sugere que o investidor compre ações que paguem dividendos seguros e crescentes e reinvista-os. Mesmo que o valor for pequeno, reinvista comprando frações de ações.

Não recomendamos que o reinvestimento dos dividendos seja feito necessariamente no mesmo papel que pagou o dividendo. Às vezes, a melhor oportunidade está em um novo papel e é neste que você deve concentrar os seus investimentos.

Não há fórmulas mágicas para retornos exorbitantes de seus investimentos pessoais. No entanto, existem regras básicas para mitigação de riscos e que lhe garante ganhos consistentes.

Prudência

Aprenda com os erros e acertos de quem investe há mais tempo que você. Evite erros. Estude as empresas que quer investir. Todos os investimentos possuem riscos. Seja diligente na análise, reduza o seu risco e não seja pego de surpresa.

Paciência

Invista com objetivos de longo prazo. Lembre-se que quem venceu a corrida foi a tartaruga. Não tenha pressa. Se as condições de mercado não são favoráveis para comprar ações, espere. A volatilidade de mercado cria diversas oportunidades de compra a preços menores que no passado.

Persistência

Busque conhecimento. Acompanhe as empresas, o valor das suas ações, seus planos de expansão e melhorias, quais são as expectativas de dividendos, etc. Seja disciplinado com seu dinheiro. Reinvista seus dividendos.

Aqui na Suno, estamos sempre buscando recomendar empresas que se adequem a essa estratégia através do nosso relatório Suno Dividendos. Seja um assinante premium e descubra como podemos te ajudar!

 

Comentários

©2017 SUNO RESEARCH | Investimentos inteligentes

[i]
[i]
[i]
[i]

Fazer login com suas credenciais

ou    

Esqueceu sua senha?

Create Account