empresa estatal
Por: João Arthur Almeida

Estatal, só se for de graça

Os acontecimentos recentes mostram porque afirma-se que empresas estatais só devem ser compradas de graça.

A Petrobras vinha seguindo sua política de reajustes de preços diários, que, ao ser implementada, trouxe retornos positivos ao balanço da empresa.

A política consiste, basicamente, em adequar o preço do produto diariamente com base no preço da matéria-prima.

Esta política, embora tenha contribuído com os resultados da petroleira, pesou no bolso de muitos brasileiros.

Com o aumento do preço nos postos de combustíveis muitas pessoas e empresas que demandam combustível se mostraram insatisfeitas.

A insatisfação seguiu calma até esta semana, quando explodiu com a greve dos caminhoneiros.

Além da greve, foram bloqueadas rodovias em diversos estados do Brasil.

A situação causou transtornos em todo o país, com a gasolina faltando em alguns postos, e um súbito aumento do preço.

Em Recife, a gasolina chegou a ser negociada pelo valor de R$ 8,99 o litro.

Com a pressão em toda a sociedade tornando-se cada vez maior, os políticos passaram a entrar em cena buscando a imagem de “salvador da pátria”.

De repente a Petrobras, e o seu presidente Pedro Parente, tornaram-se os alvos preferidos dos políticos.

O vice-presidente do senado Cássio Cunha Lima (PSDB-SP) chegou a proferir em um vídeo que a primeira medida para estancar a crise seria demitir Pedro Parente.

Pedro Parente, vale ressaltar, foi um dos responsáveis pela redução da alavancagem da estatal, e por tornar a empresa novamente lucrativa.

A companhia, inclusive, em 2018 anunciou o primeiro pagamento de dividendos desde 2014, quando teve que ser interrompido devido à grave crise financeira que a empresa atravessava.

A Resposta da Petrobras face o aumento dos preços

A Petrobras, então, já no final do dia 24 de maio anunciou a redução do preço do diesel em 10% e o congelamento do preço por 15 dias.

Pedro Parente afirma que a decisão não teve influência política e foi tomada exclusivamente pela diretoria da Petrobras.

Porém, sabemos que o controlador da empresa é o Governo Federal, e que o fim desta situação delicada é do maior interesse do governo. Ainda, a política de reajustes estava a ajudar o balanço da Petrobras. Portanto, esta foi uma medida que foi de encontro aos interesses dos políticos, e contra os interesses dos acionistas da empresa.

Já como reflexo desta medida de congelamento dos preços, a ação da empresa despencou mais de 10% no mercado americano, após um dia de queda forte queda no Brasil.

Não julgaremos aqui o mérito do aumento de combustíveis, mas, sabemos que fosse a Petrobras uma empresa privada e totalmente livre da intervenção governamental, esta medida de hoje não teria ocorrido e os acionistas não estariam amargando uma perda de seu patrimônio.

A Petrobras, assim como todas as outras estatais, está sujeita a estas intervenções. Por essas e outras afirma-se: Estatal só se for de graça.

João Arthur Almeida

Profissional aprovado no exame CGA, Certificação de Gestores Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), para gestores de fundos de investimento. Também aprovado no exame (CEA), Certificado de Especialista em Investimentos pela mesma instituição.

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