No mundo dos investimentos existem grandes nomes que buscamos constantemente nos espelhar e buscar inspiração para quem sabe conseguir chegar perto de onde eles chegaram.

Um desses nomes de sucesso que com certeza vale conhecer e se inspirar, é o de Luis Stuhlberger, que se tornou o maior gestor de fundos do Brasil.

Apesar de muito conhecido no mercado financeiro, Stuhlberger é discreto e tem uma postura low-profile. Por este motivo não existem muitas matérias sobre sua vida pessoal na internet.

Quem é Luis Stuhlberger?

Nascido em São Paulo, em meados de 1955, Stuhlberger possui um currículo acadêmico invejável, se destacando como melhor aluno por onde passou.

Formado no Colégio Bandeirantes, decidiu seguir os passos de seu pai e se formou em engenharia civil pela Escola Politécnica da USP, em 1977. Logo após se formar, percebeu que a carreira de engenheiro não era para ele e ingressou em um curso de especialização em Administração na FGV.

Luis tem origem judaica, seu pai e seu avô vieram da Polônia, em 1929, para São Paulo. É casado com Lílian e tem 3 filhas, Diana, Renata e Beatriz.

Seu pai, David Stuhlberger, era sócio de uma construtora que, posteriormente, se associou a um grupo dono de uma indústria petroquímica e um banco, onde Luis iniciou sua trajetória profissional.

Após breve passagem no banco, surgiu a oportunidade de mudar para uma corretora associada, a Griffo, que estava iniciando seu departamento de commodities e, entendendo como ser o lugar certo para ele, iniciou na corretora em 1980.

Depois de dois anos, em 1982, tomou a decisão de trabalhar no mercado de ouro, por acreditar ser o lugar certo e a hora certa, uma vez que o Brasil tinha grande potencial de exploração e o ouro acabará de se tornar ativo financeiro.

O mercado do ouro foi de grande importância para o desenvolvimento de Stuhlberger e da Griffo, até o governo Collor, quando o presidente abriu a economia e o ouro perdeu seu valor.

Em 1992, a corretora agora chamada Hedging-Griffo estava se adaptando ao novo mercado que estava surgindo no Brasil e criou novas áreas como assessoria financeira a clientes de alta renda e fundos de investimento. Stuhlberger, portanto, foi para a área que ele se identificava mais, a gestora de fundos.

No ano de 1997, já com 42 anos, tomou a decisão de criar um fundo. Nesta época, estava receoso pois poderia não obter bons resultados para o fundo e não tinha expectativa de atrair a confiança de potenciais investidores para o fundo, pelo fato da Griffo ser apenas uma corretora e não um banco.

Um programa de incentivo de gestoras da BM&F garantiu R$500 mil ao fundo e, junto com mais alguns clientes, iniciaram com um patrimônio de R$1 milhão, com serviços de custódia e liquidação financeira terceirizados para o Itaú.

Era necessário um investimento mínimo de R$5 mil para participar do fundo Verde, de multimercado.

O Fundo Verde: bom desempenho

Ao analisar o desempenho do fundo Verde desde o início de sua criação, é inevitável se deparar com um resultado impressionante, no caso hipotético de alguém que houvesse investido o valor de R$100,00 no início, teria agora um total de R$14,3 mil, como podemos observar no gráfico abaixo:

Retorno Fundo Verde

Cabe agora buscar entender o que levou o fundo a obter tamanho sucesso e quais foram as metodologias de investimento utilizadas pelo gestor para tal feito.

O fundo Verde é multimercado e teoricamente, seu ponto neutro é quando há um investimento de um terço do capital em ações e o restante em renda fixa.

Crise da Ásia

Em 1997, o fundo passou pela primeira crise, a da Ásia. Enquanto a maioria das pessoas apostava na estabilização da economia brasileira, Stuhlberger via que a única maneira que o governo poderia fazer para não desvalorizar o real em relação ao dólar seria aumentando os juros.

Logo, ordenou a compra de vários contratos de juros, apostando na alta das taxas. De fato, isso que aconteceu, as taxas foram de 19% para 40%.

Enquanto a maioria do mercado perdia muito dinheiro, como o Garantia que teve que ser vendido, o fundo Verde iniciava de forma muito positiva, na contramão do mercado.

Maxidesvalorização do Real

Para Stuhlberger, em 1998, a única saída possível do governo contra a deterioração da economia brasileira seria a desvalorização do real, no entanto, havia uma dúvida sobre o próximo passo de Fernando Henrique Cardoso e Gustavo Franco, presidente do banco central.

Enquanto o primeiro, agora reeleito, tinha 4 anos para consertar a economia, o segundo era contra a desvalorização do câmbio, o que acarretaria em um aumento das taxas de juros novamente, que afundariam ainda mais a economia do país.

Stuhlberger contou em entrevista à revista piauí que a gota d’água foi quando recebeu a informação sobre a moratória da dívida de Minas Gerais e percebeu que não tinha como o real se sustentar.

Um dia antes de sair para um viagem familiar com suas filhas, ele tomou a decisão de investir todo o patrimônio do fundo em dólar, para não ser surpreendido e perder a oportunidade.

Durante a viagem, recebeu uma ligação onde informaram que Gustavo Franco havia sido demitido e em seu lugar entrou Francisco Lopes, que permitiu uma maior desvalorização do real.

Após este acontecimento comprou ações de empresas exportadoras que se beneficiam da desvalorização do câmbio e assim, somando tudo, terminou o ano de 1999 com um rendimento líquido de 125%.

Até este ano o fundo tinha apenas R$5 milhões, com o rendimento obtido no ano, o patrimônio dobrou. Além do fato de que passaram a atrair mais investidores pelo bom desempenho, conseguindo mais dinheiro para então, aumentar a equipe.

No livro “Fora da Curva “, Stuhlberger conta sobre a importância deste acontecimento, que segundo ele mudou a história de sua vida:

“Fico pensando se eu teria feito essa posição em dólar se não tivesse marcado a viagem para Foz do Iguaçu. Se ficasse no Brasil, talvez decidisse esperar mais um dia, ou uma semana. Poderia ter perdido a oportunidade.”

Eleições de 2002

No começo do ano, enquanto as campanhas indicavam José Serra como provável candidato a ser eleito presidente da república, Stuhlberger viu a oportunidade de investir em estruturas de juros e câmbio que trariam resultados positivos caso a disputa eleitoral se acirrasse.

O posicionamento do gestor frente à campanha eleitoral de 2002 é explicado no livro “Fora da Curva”:

“Eu não tinha ideia de que o Lula ia ganhar a eleição, mas era muito barato investir nessas estruturas de juros e câmbio. Já me perguntaram muitas vezes porque eu fiz isso, digo que a razão é que era um seguro barato. Nada como comprar um seguro para tempestade num dia de sol.”

No meio do ano, seu pensamento veio a se concretizar, e já era muito mais caro fazer tais seguros. A antecipação do fundo Verde garantiu um bom ganho quando muita gente perdeu dinheiro.

Ainda, enquanto o mercado acreditava que Lula não teria capacidades para governar com o congresso, Stuhlberger pensava que ele faria o certo quando assumisse, em 2003.

Seu pensamento favorável à Lula se fortaleceu com dois fatos:

O primeiro, quando em uma palestra de Aloizio Mercadante, na sede da Hedging-Griffo, Stuhlberger teve a sensibilidade de acreditar nas palavras ditas por Mercadante de que o PT não comprometeria o mercado, como todos pensavam.

Já o segundo acontecimento foi quando em uma conversa com um cliente grande conhecedor de política, este disse que o Lula colocaria o congresso no bolso.

Com essas informações Stuhlberger tomou a decisão de comprar muitas ações e títulos de dívida externa e, quando em 2003 a bolsa subiu quase 100%, ganhou novamente muito dinheiro.

Sobre as informações que recebeu e o fizeram investir durante as eleições ele disse:

“Todos os dias, sou bombardeado por muitas conversas e leituras. O importante é dar atenção às pessoas certas, e tentar evitar as que estão fazendo as análises erradas.”

Poucos, porém, importantes momentos

Vendo a história do fundo Verde desde o seu início em 1997, percebe-se que o seu desempenho muito superior foi fruto de uma análise bem-feita em poucos momentos que, no entanto, foram cruciais.

O diferencial de Stuhlberger como gestor foi a sua sensibilidade para captar as grandes mudanças e acontecimentos para conseguir ganhar com elas.

Conforme ele cita na sua participação no livro “Fora da Curva”, o seu pensamento sobre o dever de um gestor de fundos é:

“Entender o ciclo da economia e do mercado. Precisa antecipar o que pode acontecer com os juros, câmbio e a inflação e entender como isso vai influenciar as empresas e os setores.  (…) Outra obrigação do gestor é acertar quando investir.”

Postura de investimento

Com a leitura do livro “Fora da Curva”, já citado algumas vezes, percebemos em algumas passagens que Stuhlberger tem uma das características que julgamos essenciais para um investidor de valor: paciência.

“Às vezes, o investimento em ações é como uma estrada acidentada. As empresas são boas, mas há solavancos. O investidor não pode desistir no meio do caminho.”

“Não dá para estar sempre no mercado. Às vezes é preciso esperar a oportunidade. As grandes oportunidades acontecem poucas vezes na vida.”

O que é confirmado com sua entrevista à revista piauí, onde ele comenta sobre um de seus investimentos:

“Eu apanhei do Brasil inteiro. Era o único que achava que a inflação ia subir. Perdi dinheiro durante meses, mas quando a inflação subiu, no começo deste ano, os papéis capturaram a alta do índice e o fundo teve um ganho significativo.”

Além disso, em trechos de sua mesma entrevista para a revista, revela a outra característica importante que possui: disciplina.

“Eu sou muito disciplinado nos meus estudos, leio uma quantidade absurda de relatórios e depois tiro minhas conclusões.”

Assim como seu perfil analítico e avesso à tomada de riscos desnecessários:

“Todas as minhas decisões são bem embasadas. Acho que meu negócio dá certo porque sou o gestor mais covarde que existe. Morro de medo de perder o dinheiro dos outros. E o meu também.”

“Acho que nesse mercado existe muita ganância. E também muita gente jovem que nunca viu uma crise. Isso faz as pessoas tomarem riscos desnecessários. Isso eu não faço nunca.”

Percebe-se através de suas declarações que ele tem total preparo psicológico necessário para tomar as decisões corretas de investimento, no momento certo, assim como tem feito desde o início.

Conclusão

O maior gestor de fundos do Brasil disse na entrevista à revista piauí que sempre achou que não seria nada na vida, onde a única coisa que tinha a oferecer era seu currículo e de resto, era um zero à esquerda.

Podemos dizer com convicção que Stuhlberger estava equivocado ao pensar isso, e que, devido ao seu preparo e à sua postura adotada, tornou-se com méritos o maior gestor de fundos do Brasil.

Vale ressaltar que nos inspirar em pessoas que são referência no âmbito que atuamos é uma forma de buscar melhorar e no Brasil, Luis Stuhlberger é uma das melhores pessoas do mercado financeiro para usar como inspiração.

 

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Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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