renda fixa

Você sabe do que se trata a renda fixa? Esta classe de investimentos é tida muito comumente como a aplicação financeira preferida do brasileiro nos últimos anos.

Muitos se sentiram atraídos por sua facilidade de aplicação, liquidez e alta rentabilidade o que garantiu à renda fixa um lugar prioritário na carteira de investimentos de um aplicador.

Investimentos de renda fixa são todos aqueles investimentos cuja fórmula de rentabilidade é pré-determinada antes do início da operação, como CDB, Poupança, LCI, LCA, Títulos Públicos e Debêntures.

O mercado desta categoria de investimentos se desenvolveu muito nos últimos anos, várias aplicações financeiras foram criadas e hoje esta classe de investimentos reúne mais de 3 milhões de aplicadores movimentando um total de R$ 2 trilhões.

A grande vantagem destas aplicações é a “considerável certeza” de saber a sua rentabilidade já no momento da aplicação.

  • O que é
  • Tipos de investimentos
  • Como investir
  • Porque investir
  • A garantia do FGC
  • Riscos
  • Conclusão

O que é a renda fixa

De forma simplificada, investir nesta aplicação significa emprestar dinheiro para o emissor (governo, banco, empresas ou pessoa física), em troca de juros, que nada mais são do que a remuneração do investidor ao deixar de ter o uso do seu capital naquele momento.

O emissor deste título, ou dessa dívida, se beneficia dessa transação ao captar o dinheiro do investidor.

Dessa forma ele pode se capitalizar através de recursos para aportar em seus projetos de negócios, ou para outra finalidade que exija o desembolso de recursos.

E depois que ocorre esta transação inicial entre emissor-investidor, os títulos podem ser negociados livremente no mercado secundário.

Juros pré-determinados

Como o próprio nome já diz, a renda do investimento é fixa. Não necessariamente o seu valor, mas sim, a maneira como esta renda será calculada.

E esta maneira, ou fórmula de cálculo dos juros, pode ser pré-fixada ou pós-fixada.

Quando a remuneração for pré-fixada, o investidor já saberá, antes do início da operação, qual será o percentual exato de juros, por exemplo:

  • 8% ao ano
  • 0,54% ao mês
  • 0,01% ao dia

Por outro lado, no caso de investimentos pós-fixados, o percentual exato de juros não é conhecido de início, pois ele depende da evolução de algum indicador.

Na prática, estes indicadores servem de base para o cálculo dos juros das aplicações pós-fixadas.

O mercado financeiro utiliza uma série de indexadores, dentre os mais famosos são o DI ou CDI (taxa de juros interbancária), IPCA (índice de preços), IGP-M (taxa de inflação), Selic (taxa básica de juros).

É muito comum encontrar investimentos que sejam remunerados como 100% do CDI, 105% do CDI, etc.

Nesta categoria também se enquadram aquelas aplicações que fornecem uma rentabilidade fixa acima da inflação, como por exemplo, IGP-M + 6%, IPCA + 4%.

Quando este for o caso, apesar do investidor não saber exatamente qual será o seu retorno exato em reais, ele tem a certeza de que a remuneração do título terá sempre um spread em cima da inflação.

Algumas pessoas costumam chamar estes últimos títulos de mistos por este motivo.

Perceba que estes investimentos possuem, por natureza, uma remuneração limitada.

Se você quiser conhecer investimentos com maior potencial de retorno, conheça as carteiras recomendadas da Suno de Ações e de Fundos Imobiliários.

Vencimento definido

Como os títulos da renda fixa são essencialmente originados em operações de crédito, então é natural que exista uma data para que esta operação seja encerrada.

Por exemplo, se você tomasse um empréstimo no seu banco, certamente teria uma data de encerramento, que seria quando você pagasse a última parcela de sua dívida.

Assim também acontece com os títulos de dívidas do mercado financeiro.

Por exemplo, para os títulos públicos adquirido via Tesouro Direto, o vencimento pode ser em 5 anos, 10, 15, até quase 30 anos.

Assim, cada título registrado possui uma data em seu “rótulo”, como por exemplo, 15/08/2023, 10/10/2035, 10/11/2045.

Desta forma, uma classificação também comum de ser encontrada é separar os títulos em curto prazo e longo prazo.

Um título de curto prazo seriam aqueles com vencimento próximo enquanto os títulos mais longos só vencem em vários anos ou décadas.

Liquidez

Outro fator determinante na hora de escolher alguma aplicação de renda fixa é avaliar a liquidez deste investimento.

A liquidez nada mais é do que a facilidade de monetizar determinada aplicação, isto é, transformá-la em dinheiro novamente.

Existem duas opções para concretizar esta monetização.

A primeira delas é quando o investidor vende seus títulos para o próprio emissor do título, o que é denominado de recompra ou uma transação no mercado primário.

Entretanto, nem sempre esta opção está disponível ao investidor antes do vencimento do título. Irá depender do tipo de aplicação escolhida.

Já a segunda opção ocorre quando este investidor vende seus títulos para outro investidor. Neste último caso, esta seria uma transação no mercado secundário.

Novamente, este tipo de transação também pode ser difícil de ser concretizada.

Dependendo do título, pode ser que não haja “mercado” para sua negociação e dessa forma, o investidor terá que esperar até o vencimento para reaver o seu capital.

Por este motivo, para quem deseja formar uma reserva de emergência ou para qualquer outra finalidade, é fundamental que o título possua o que é denominado de liquidez diária.

Assim, sempre que houver a necessidade de resgate, este poderá ser efetuado de maneira rápida.

Neste caso, também é importante que o título possua baixo risco de mercado, assunto que será tratado mais adiante.

Negociação fracionada

É importante entender que os títulos da renda fixa adquiridos não são empréstimos propriamente ditos, como uma transferência bancária, mas sim, são papéis que garantem direitos.

E dessa maneira, a cada título está associado um determinado Valor Unitário, ou Preço Unitário (PU), que passa a ser corrigido de acordo com a fórmula de remuneração do título.

Exceto pela Poupança, o investidor não consegue resgatar e aplicar exatamente o valor que deseja, pois as negociações ocorrem por múltiplos e frações de uma unidade (1,0) título.

Por exemplo, se o PU para investimento for de R$ 1.000, o investidor só conseguirá investir múltiplos como R$ 2.000, R$ 3.000, ou em alguns casos, também frações, como R$ 100, R$ 200, R$ 300, etc.

Cronograma de pagamentos

Sempre que o investidor não resgata seus títulos ou os vende no mercado, cada aplicação receberá um fluxo de pagamentos.

Este fluxo nada mais é do que a devolução do capital e juros.

O mais comum é encontrar títulos que devolvam o capital e os juros somente no vencimento.

Entretanto, dependendo da aplicação, é possível encontrar aplicações com cronograma diferente de pagamentos.

Por exemplo, nos títulos públicos com cupons o investidor recebe a cada seis meses juros que podem ser pré ou pós-fixados.

Já no caso dos CDBs, LCI e LCA, os juros só são pagos na data de vencimento.

É interessante notar que existem aplicações em que é possível receber juros de maneira mensal, mesmo que o investimento em si seja de renda variável.

Como? Através dos fundos imobiliários de recebíveis, que funcionam como uma espécie de renda fixa “turbinada”.

Se você se interessou por estes fundos, conheça as recomendações do Professor Baroni, um dos maiores especialistas do Brasil.

Tributação

A tributação das aplicações de renda fixa também varia bastante conforme o investimento e se o investidor é pessoa física ou pessoa jurídica.

Neste artigo serão abordadas as regras somente para pessoa física.
Existem basicamente dois impostos que incidem sobre os rendimentos das aplicações. São eles:

  • Imposto de Renda (IR)
  • Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)

Por exemplo, Poupança, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas são livres de quaisquer tributos.

Já as LCI são livres de IR, mas não de IOF.

Quanto aos CDBs, ocorre a tributação tanto de IR como de IOF.

Enfim, são vários casos que serão abordados mais adiante.

Mas é importante ter em mente que estes impostos são sempre cobrados em cima dos rendimentos e nunca sobre o principal.

Outro detalhe importante é que as alíquotas de IR e IOF são padronizadas de acordo com o prazo de resgate.

As tabelas de alíquotas são as seguintes:

Tabela IOF

Tabela IOF

Tabela IR

Custos operacionais

Além dos tributos, dependendo da aplicação que o investidor escolher, ela poderá estar sujeita também a alguns outros custos.

Por exemplo, é necessário pagar uma taxa anual à B³ para investir através do Tesouro Direto.

Algumas corretoras também cobram “taxas de custódia” que costumam ser valores fixos mensais.

Além disso, caso o investidor necessite vender seus títulos no mercado secundário, a corretora costuma atuar como intermediária, cobrando um deságio sobre o valor do título.

Tipos de investimentos de renda fixa

Por ser essencialmente uma operação de crédito, existem dezenas de investimentos diferentes no mercado.

Contudo, algumas modalidades são mais difundidas no mercado de capitais, como por exemplo:

  • Caderneta de poupança: Aplicação bastante conhecida pelos brasileiros. Permite a aplicação de valores muito baixos, que variam da instituição financeira. O dinheiro é acrescido de juros mensalmente.
  •  Títulos públicos: São papéis emitidos pelo Tesouro Nacional, oferecendo uma remuneração em condições e prazos preestabelecidos. Os títulos públicos têm como objetivo prover recursos para repor o déficit orçamentário do governo. Também são instrumentos de implementação da política monetária, no qual quando o banco central emite títulos está retirando dinheiro do mercado e quando o banco central recompra títulos, está pondo dinheiro novamente em circulação.
  • CDB: Também conhecido como certificado de depósito bancário, este é um título que os bancos emitem para se capitalizar. O investidor que compra esses títulos está, na prática, emprestando dinheiro para a instituição financeira, em troca de uma rentabilidade diária.
  • Debêntures: É um título de dívida que gera o direito de o comprador receber uma remuneração em juros dada pelo emissor desse título. As debêntures são emitidas por sociedades anônimas de capital aberto ou fechado, e são utilizadas para financiar projetos ou para prover de recursos empresas que precisam reestruturar suas dívidas.

Caderneta de Poupança

A Poupança é o investimento preferido pelos brasileiros.

Esta aplicação de renda fixa rende a mesma coisa em qualquer instituição financeira. Pelas regras atuais, a remuneração, livre de impostos, é dada por:

  • 0,5% ao mês + TR, quando a meta da Selic for maior do que 8,5% ao ano.
  • 70% da meta da Selic + TR, quando a meta for menor do que 8,5% ao ano.

Uma das vantagens da Poupança é possuir liquidez imediata. Isto é, o investidor pode investir e resgatar sua aplicação a qualquer hora do dia, sete dias por semana.

Além disso, esta aplicação de renda fixa é garantida pelo FGC, cuja função será explicada mais adiante.

O grande objetivo da Poupança é amealhar recursos para o financiamento imobiliário.

Títulos públicos

Os títulos públicos adquiridos via Tesouro Direto estão ganhando bastante popularidade no Brasil.

Existem diversas opções disponíveis ao investidor, curto prazo, longo prazo, pré e pós-fixados e sem cupom ou com cupom.

Ao total, são oferecidas cinco classes de títulos:

  • Tesouro Selic
  • Tesouro IPCA+
  • Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais
  • Tesouro Prefixado
  • Tesouro Prefixado com Juros Semestrais

Estas são as aplicações mais seguras do país, pois possuem garantias ilimitadas pelo Tesouro Nacional.

Esses títulos possuem excelente liquidez, e o investidor consegue encontrar aquele título que seja mais adequado aos seus objetivos.

Sejam eles de reserva de curto prazo ou enriquecimento de longo prazo.

Quanto ao valor mínimo de aplicação, este valor é o maior valor entre R$ 30 e 1% do PU.

Portanto, é um investimento bastante acessível ao pequeno investidor.

CDB e outros títulos emitidos de instituições financeiras

Outra modalidade de aplicações de renda fixa muito populares aqui no Brasil são os títulos emitidos por instituições financeiras, como por exemplo:

• CDB
• LCI
• LCA

Essas aplicações são muito parecidas. Todas elas são garantidas pelo FGC e funcionam de forma similar.

O tipo mais comum mais comum encontrado é o das aplicações pós-fixadas ao CDI, ou seja, remunerações do tipo:

• 100% CDI
• 105% CDI
• 110,5% CDI

E na maioria dos casos, quanto maior o vencimento e menor a solidez financeiras, maior será este prêmio sobre o CDI.

As diferenças gerais entre essas aplicações ficam por conta da tributação, já explicada anteriormente, assim como a finalidade do crédito captado.

CDB são destinados a empréstimos em geral.

Já a LCI e LCA fomentam os setores imobiliários e do agronegócio, respectivamente.

A liquidez também costuma variar bastante. É mais fácil encontrar CDB com liquidez diária ao invés das LCI e LCA.

Também é comum cláusulas de carência. Isto é, durante determinado período após aplicação, o investidor está proibido de resgatar seus títulos.

Quanto à liquidez no mercado secundário, depende bastante do título e da corretora, mas de forma geral, é limitada.

Assim, o investidor poderá dificuldade em resgatar títulos que não tenham liquidez diária.

Quanto ao valor mínimo de aplicação, irá depender bastante do emissor e do título em si.

Emissões de grandes bancos costumam ser mais acessíveis ao contrário de títulos emitidos por instituições financeiras de menor porte.

CRI e CRA

Uma modalidade de investimento pouco conhecida do brasileiro é o investimento em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA).

Estas aplicações costumam exige um valor mínimo de investimento muito elevado, da ordem de centenas de milhares de reais.

Ainda por cima, não possui a garantia do FGC e a liquidez costuma ser baixíssima.

São operações de crédito bastante sofisticadas, lastreadas em créditos imobiliários e do agronegócio, e que costumam pagar elevados prêmios em relação à inflação.

Basicamente, uma instituição adquire contratos de recebíveis e os “empacota” em títulos que podem ser vendidos no mercado.

Os rendimentos são isentos de tributação e geralmente são pagos periodicamente, de forma a pagar os juros e a amortização do capital.

Adquirir estes títulos diretamente não é uma opção viável para a maioria dos investidores. A melhor alternativa costuma ser a compra de fundos imobiliários de recebíveis.

Debêntures – crédito corporativo

Outra aplicação de renda fixa pouco conhecida no Brasil são as debêntures.

As debêntures são empréstimos captados pelas Sociedades Anônimas (S/A) no mercado de capitais.

Esta aplicação não possui garantia do FGC e sua liquidez também é bastante limitada.

Além disso, exceto pelas debêntures de infraestrutura, as outras emissões são tributadas com Imposto de Renda.

A remuneração pode ser tanto pré ou pós-fixada, e é comum encontrar títulos que paguem prêmio sobre o IGP-M.

O investimento mínimo costuma ser da ordem de poucos milhares de reais, e na maiorias dos casos, os juros e amortizações de capital são pagos regularmente.

Uma particularidade destas aplicações é que em algumas raras emissões, os títulos são perpétuos, isto é, não possuem vencimento.

Como investir em renda fixa

Para conseguir investir em renda fixa, existem basicamente três maneiras diferentes:

  • Adquirindo títulos diretamente do emissor
  • Aplicando via corretora de valores
  • Investindo via fundos

1ª opção: Adquirindo títulos diretamente do emissor

É possível investir emprestando dinheiro diretamente para o emissor.

De fato, todo mundo que tem depósitos na Poupança está emprestando dinheiro ao banco.

Entretanto, esta não é a única aplicação disponível.

As instituições financeiras costumam anunciar investimentos em CDB, LCI e LCA diretamente ao público.

Mas para ter acesso a estes produtos, é necessário abrir uma conta junto a estas instituições. Este é um procedimento que pode ser burocrático, mas que por outro lado, pode permitir ter acesso a produtos financeiros “fora do radar”.

2ª opção: Aplicando via corretora de valores

A maneira mais simples de encontrar bons produtos é abrindo uma conta em uma corretora e distribuidora de valores.

Estas instituições trabalham com dezenas de emissores diferentes que desejam captar recursos, e dessa forma, o investidor tem acesso a uma ampla plataforma de produtos.

Podendo assim, encontrar os títulos mais adequados ao seu perfil.

Uma outra vantagem de comprar via corretora é a custódia dos títulos na B³.

A maioria das corretoras possui o selo Cetip certifica, que garante o registro dos títulos no nome do investidor. Veja se a sua corretora possui este selo.

Dessa forma, o investidor consegue acessar o extrato da custódia dos seus títulos de forma muito segura e transparente, o que fornece uma segurança adicional na hora do investimento.

Um outro detalhe importante é que apesar dos grandes bancos também oferecerem produtos de renda fixa, na maioria dos casos estes produtos possuem baixa rentabilidade para quem tem pouco capital investido.

Assim, ao abrir conta em uma corretora o investidor consegue ter acesso à mesma rentabilidade oferecida aos clientes “private” dos bancos.

3ª opção: Investindo via fundos

As duas opções mencionadas acima se referem ao investimento direto em títulos.

Entretanto, muitas pessoas preferem a comodidade da aplicação em fundos de investimento.

Os fundos nada mais são do que uma comunhão de recursos para compra de ativos.

Portanto um fundo de renda fixa costuma adquirir estes mesmos títulos que o investidor compra diretamente.

A vantagem dos fundos desse tipo é poder democratizar algumas aplicações como os CRI e CRA, mencionados anteriormente.

Além disso, o fato de haver um gestor profissional pode permitir ao investidor auferir retornos maiores do que aqueles conseguidos individualmente.

Entretanto, é preciso estar atento a algumas armadilhas.

Todo fundo possui taxa de administração. Em alguns casos essa taxa é bastante elevada, sobretudo em grandes fundos de bancos.

Isto não seria um problema, desde que o gestor conseguisse uma rentabilidade que compensasse estes custos.

Entretanto, em muitos casos os ativos adquiridos pelo fundo são os mesmos que o investidor conseguiria comprar por conta própria, como o título Tesouro Selic.

Caso o investidor consiga um bom fundo DI , por exemplo, com baixa taxa de administração e liquidez diária, pode ser uma alternativa interessante ao investimento direto em títulos pós-fixados.

Porque investir em renda fixa

É inegável que o investimento nessa classe de investimentos sempre foi o tipo de aplicação mais popular aqui no Brasil.

Sobretudo em um passado não tão distante, quando as taxas de juros acima da inflação eram bastante elevadas. Mesmo hoje estas taxas estão entre as mais atrativas do mundo.

Reserva de emergência a para outras finalidades

Para quem pretende juntar algum dinheiro para a compra de algum bem ou outra finalidade qualquer, o local mais indicado para este dinheiro é em títulos pós-fixados e com alta liquidez.

Por exemplo, na Poupança, CDB com liquidez diária, e Fundos DI.

Acúmulo de patrimônio e geração de renda

Vários investidores acreditam no potencial de acúmulo e geração de renda na renda fixa.

De fato, este pode ser o caso para títulos de longo prazo, que costumam oferecer um prêmio em relação à inflação.

No mercado de títulos em geral, a regra que vale é que quanto maior o risco do título maior será o seu retorno em juros.

A relação diretamente proporcional entre risco e retorno é que faz os títulos de mais longo prazo renderem mais que os títulos de curto prazo.

A ideia é que em tese, o investidor passará mais tempo (logo mais risco) com o título aplicado.

Entretanto, estes juros já foram maiores no passado do que são hojes.
Na maior parte do mundo, investimentos em renda fixa não são considerados alternativas viáveis de construção de riqueza.

Existem vários estudos que mostram que aplicações dessa categoria rendem muito menos no longo prazo do que boas ações.

O próprio Luiz Barsi, um dos maiores investidores da bolsa, faz uma afirmação um tanto polêmica de que renda fixa é igual a perda fixa.

Uma estratégia interessante para formar uma carteira previdenciária, por exemplo, é direcionar os investimentos para ações que paguem bons dividendos.

Aprenda tudo sobre dividendos lendo o Guia Suno de Dividendos!

No vídeo abaixo, o Tiago Reis, CEO e fundador da Suno, entrevista o Jean Tosetto, um dos autores do livro:

A garantia do Fundo garantidor de créditogarantia do FGC

O Fundo Garantidor de Crédito, ou FGC, é a associação responsável pelo socorro aos correntistas, poupadores e investidores em caso de falência da instituição financeira.

Esta instituição é muito conhecida pelo mercado, e garante ao investidor receber os seu capital de volta assim como os juros combinados.

De maneira geral, a garantia é de R$ 250.000 por CPF contra o conjunto de instituições financeiras de um mesmo conglomerado.

Esta garantia de R$ 250.000 também é limitada por conta, mesmo que tenha mais de um titular.

Além disso, uma mudança recente nas regras do FGC diz respeito ao teto de pagamentos.

Atualmente, a cada quatro anos o investidor terá direito a receber no máximo R$ 1 milhão do FGC.

É importante salientar que não são todas as aplicações que são garantidas pelo FGC.

Das aplicações mencionadas neste artigo, são cobertas pelo FGC apenas:

  • CDB
  • LCI
  • LCA
  • Caderneta de Poupança

Riscos para o investidor de Renda Fixa

A renda fixa não é livre de riscos.

Mesmo nos casos em que o investidor tem a proteção do FGC, em última instância o fundo garantidor pode não honrar com seu pagamento.

Afinal, este fundo tem uma reserva limitada de dinheiro, e em um caso extremo de inadimplência de algum emissor, o fundo pode ter dificuldade de captar mais recursos para honrar os pagamentos.

O risco do investidor não receber o que lhe é devido no prazo combinado é chamado de risco de calote, ou risco de crédito.

Risco de mercado

Outro risco presente é o risco de mercado, que diz respeito à oscilação do valor dos títulos no mercado secundário.

Para títulos pós-fixados no CDI, essa oscilação é desprezível, e o valor do título cresce dia após dia.

Entretanto, para o caso de títulos pré-fixados ou mesmo pós-fixados a algum índice de inflação, a situação é diferente.

O valor desses títulos varia no curto prazo e por isso, alguém que dependa do resgate destas aplicações pode sofrer prejuízos.

Por isto é fundamental não ter reservas financeiras de curto prazo em títulos dessa natureza.

Exemplo real – Tesouro Prefixado

Esta situação descrita acima é bastante comum para o caso dos títulos públicos pré-fixados.

Estes títulos pagam R$ 1.000 no vencimento por unidade. Entretanto, a remuneração oferecida pode variar.

Digamos que em uma determinada data esta taxa fosse de 10% e o título tivesse ainda três anos para o vencimento.

Dessa forma, para encontrar o preço do título nesta data, é preciso descontar o fluxo de caixa de R$ 1.000 à taxa de 10%, e pelo prazo de três anos.

Fazendo essa conta, chega-se ao preço de R$ 751,31. Repetindo este procedimento para o ano seguinte, o valor deste título no final do próximo ano deveria ser de R$ 826,44.

Portanto, em tese o valor do título deveria aumentar conforme o tempo passar, até atingir o valor de R$ 1.000. Esta é a curva do título.

Entretanto, pelo fato destes títulos serem negociados no mercado, o preço de compra e venda varia de acordo com as transações realizadas.

E como o Tesouro Nacional toma como referência estes preços quando o investidor deseja o resgate antecipado, então é natural que o valor do título varie, formando o que se denomina curva de mercado.

Risco de liquidez

O último risco é o risco de liquidez.

Como explicado ao longo deste artigo, alguns títulos não permitem o resgate antecipado. E para outros, a liquidez no mercado secundário pode ser muito baixa.

Dessa forma, é importante ter em mente os objetivos adequados ao investimento.

Se a finalidade for montar uma reserva de dinheiro, devem ser escolhidos títulos que permitam o resgate antecipado, de preferência pós-fixados ao CDI ou à Selic.

E caso a finalidade seja “carregar” os papéis até o vencimento, a liquidez será secundária.

Conclusão sobre a Renda Fixaconclusão renda fixa

A renda fixa pode ser um ótimo instrumento de reserva de valores no curto e médio prazo, devido a sua relativa segurança e previsibilidade de resultados.

No entanto, toda essa segurança cobra seu preço, que é o baixo retorno dessa aplicação no longo prazo.

Diversas pesquisas apontam a renda fixa como um produto de investimento secundário na proteção a períodos longos de aplicação, principalmente nos períodos de inflação elevada, nos quais a preservação dos valores aplicados é ainda mais importante.

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Rodrigo Wainberg

Rodrigo Wainberg

Profissional aprovado no Level III da certificação CFA, investidor em ações há 6 anos, possui registro de Analista e Consultor de Valores Mobiliários, e é Bacharel em Física pela UFRGS.