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    Faltam empreendedores no Brasil?

    Faltam empreendedores no Brasil?
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    Na noite do último sábado, veio a falecer o empresário Raul Randon. Raul foi fundador da Randon (RAPT4), bem como da produtora de maçãs Rasip. Ambas as empresas são listadas na bolsa de valores.

    As ações da Randon apresentaram um bom desempenho ao longo do tempo, e Raul foi figura ativa na gestão durante todos estes anos como empresa listada. Atualmente as ações da Randon precificam a empresa em R$3,2 bilhões de valor de mercado.

    Quantos empreendedores criaram este valor aos seus acionistas ao longo de uma vida? Não muitos.

    Raul é um exemplo que gestão faz diferença. Em um segmento de margens apertadas, como a indústria automobilística e de autopeças, criar valor aos acionistas não é fácil.

    O segmento que a Randon atua é intensivo em capital, para construir fábricas e investir em estoques é necessário um volume de recursos financeiros expressivo.

    Raul sabia desde o começo que para construir um império industrial seria necessário acessar a capital de terceiros, e o mercado de capitais foi essencial para a sua trajetória.

    O mercado foi uma via de mão dupla para a Randon: investidores em bolsa financiaram a expansão industrial, e esta expansão garantiu um bom retorno para o capital dos acionistas.

    Ações da Randon (RAPT4) – Fonte: Economatica / Suno Research

    Hoje em dia, empreender é mais fácil do que era no início da carreira de Raul. Digo isso pelo simples fato de que a internet criou um ambiente que permite que com pouco capital seja possível fazer vendas para todo o Brasil e quem sabe até para outros países.

    Torço para que o Brasil crie mais empresários como Raul, que além de empreender criem a oportunidade para que investidores de todo Brasil participem de projetos vencedores.

    Obviamente precisamos criar incentivos para quem mais empresas se tornem listadas. Eu conversei com um acionista controlador de uma empresa ligada ao setor de educação semana passada, e ele disse que precisa “ser louco” para ter uma empresa listada no Brasil, pois os custos cobrados para manter a empresa na bolsa são elevados. Segundo este acionista, somente para empresas que querem crescer faz sentido se manter listada.

    O mercado de capitais não é lugar de especulador. Existem especuladores sim, mas a grande maioria dos investidores pretende ser investidores de longo prazo e financiam empresas de verdade, que geram empregos de verdade, que pagam impostos e que ajudam suas comunidades a prosperar.

    Não tenho dúvida que Caxias do Sul/RS, onde está localizada a principal planta da Randon, é hoje uma cidade mais próspera por conta da empresa criada por Raul.

    A Marcopolo, também está localizada lá, e também contribui para a cidade se tornar um dos principais polos industriais do Brasil.

    O mercado de capitais ajudou ambas as empresas, e poderia ajudar muitas outras.

    Precisamos no Brasil de empresários com uma mentalidade mais aberta ao mercado de capitais, como era o Raul – que possuía três empresas listadas (Randon, Fras-le e Rasip). Empresas listadas têm mais acesso a capital para crescer. Tenho certeza que sem o mercado de capitais a Randon teria um tamanho menor. Foi um negócio bom para os dois.

    Seria um sonho para nós da Suno Research poder ser um dia uma empresa listada.

    Raul é uma inspiração para nós e torcemos que outros empresários aprendam sua lição: o mercado de capitais está aí para servir o empreendedorismo e financiar a prosperidade.

    Tiago Reis
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