efeito Fisher

Você sabe o que é o efeito Fisher?

O efeito Fisher foi uma das importantes descobertas da macroeconomia.

O efeito Fisher define que a taxa de juros nominal é igual à taxa de juros real mais a expectativa de inflação. Esta, atualmente, parece ser uma afirmação inclusive óbvia. Mas, na época, Irving Fisher foi um dos primeiros a verificar esta relação.

A descoberta de Fisher trouxe consequências muito importante para a macroeconomia.

Efeito Fisher e a macroeconomia

o efeito Fisher e a macroeconomia

Fisher considerou que a taxa de juros real de um país é fixa no curto prazo.

Segundo ele, os investidores levam em conta apenas a taxa livre de inflação na hora de tomar as suas decisões, ou seja, eles observem o retorno real do investimento.

Como esta taxa é dada, de acordo com Fisher, uma elevação da expectativa da inflação ocasionaria de um aumento da taxa de juros nominal para manter a economia em equilíbrio.

Pois, ao elevar a taxa de juros nominal na mesma medida do aumento da expectativa inflacionária, se estaria retornando ao mesmo patamar de juro real.

Isto pode parecer bastante confuso, por isso, será apresentado um exemplo.

Exemplo do uso do efeito Fisher

Considere a situação do Brasil em 2018 com a taxa de juros Selic no valor de 6,5%.

A expectativa de inflação, para o ano, é de 4,5%.

Isto signifique que o Brasil apresenta um juro real de 2%.

Imagine, então, que devido a um pessimismo com a economia, a expectativa de inflação se eleve. Suponha que ela chegue a 6%.

Lembre-se que, de acordo com Irving Fisher, a taxa de juros nominal é a soma da taxa real com a expectativa de inflação.

Como a taxa de juros real é fixa no curto prazo, o que aconteceria com a taxa de juros nominal?

Ela subiria até 8%. Dessa forma, novamente, a taxa de juros nominal seria:

2% (taxa real) + 6% (expectativa de inflação) = 8%

Esta teoria, através da análise da macroeconomia, se provou real na maioria dos casos. Inclusive no Brasil.

Em 2014 e 2015, por exemplo, quando as expectativas de inflação se elevaram, ocorreu posteriormente uma elevação na taxa nominal de juros.

Posteriormente, quando o país conseguiu superar a sua crise financeira, e as expectativas de inflação se reduziram, a taxa Selic cedeu até atingir a sua mínima histórica de 6,5%.

No longo prazo a taxa real de juros se altera

É importante ressaltar que, no longo prazo, a taxa real de juros pode se alterar.

Conforme os países se tornem mais desenvolvidos, e assim, credores mais confiáveis, é normal que os investidores cobrem menos para emprestar os seus recursos.

O Brasil, por exemplo, já teve uma taxa de juros real muito mais elevada do que a observada nos últimos anos.

Países muito desenvolvidos têm taxa de juros reais iguais a zero ou até negativas. Conforme o Brasil se desenvolva, é normal que o país siga este mesmo caminho.

Algumas medidas que contribuem para a redução da taxa de juros acima da inflação são:

  • Capacidade de pagamento do Estado
  • Segurança jurídica
  • Confiabilidade das instituições
  • Superávit fiscal
  • Crescimento econômico

Portanto, o efeito Fisher é melhor observado quando restrito às observações macroeconômicas de curto prazo. Isso, no entanto, não deve retirar os méritos da grande descoberta do economista Irving Fisher.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.