Por: Tiago Reis

O que é o Economic Value Added (EVA) e como analisar esse indicador?

O mínimo que todo investidor espera que é seu investimento gere um retorno suficiente para remunerar todo o capital investido. Porém, mesmo que empresa tenha lucro , gere dividendos e apresente retorno sobre patrimônio, isso não significa que ela está valor econômico aos acionistas. Logo, para analisar se um investimento vale a pena sob a ótica econômica, o indicador mais adequado para isso é o chamado Economic Value Added, ou EVA.

Através do Economic Value Added, é possível saber se o investimento trouxe ganhos de valor real para os acionistas – algo que vai muito além do que o lucro contábil que ele apresentar.

O que é Economic Value Added (EVA)?

O Economic Value Added (EVA) é o lucro econômico que uma empresa obteve em determinado período. Também chamado de valor econômico agregado, o EVA mede o desempenho financeiro da empresa com base na riqueza que ela efetivamente criou, após se deduzir o custo do capital investido do seu lucro operacional.

A ideia por trás do EVA é que um investimento só faz sentido se ele gerar o maior retorno possível sobre o capital investido para seus acionistas. Portanto, para ser viável, o conceito por trás do EVA afirma que as empresas devem criar retornos a uma taxa acima do seu custo de capital para serem atrativas aos investidores.

Por isso, o Economic Value Added (EVA) é um importante indicador operacional dos projetos da empresa, servindo como um reflexo da sua própria administração. Assim que ele resume sucintamente quanto e de onde uma empresa criou riqueza, os gerentes conseguem, a partir disso, não só analisar o desempenho de cada atividade, mas também priorizar aquelas que são mais eficientes.

economic value added

Como calcular o EVA?

Os três principais componentes do Economic Value Added (EVA) são:

  • Lucro operacional líquido;
  • Capital total investido (Dívidas + Patrimônio Líquido);
  • WACC (Custo Médio Ponderado de Capital, que equivale média ponderada entre o capital de terceiros e capital próprio investido na empresa);

Com isso, o cálculo do Valor Econômico Adicionado será dado pela seguinte formula:

  • EVA = Lucro operacional líquido após impostos – (Capital total investido x WACC)

Ou seja, o custo total investido no negócio é deduzido do lucro operacional líquido (após impostos) para chegar ao lucro econômico criado pela empresa

A ideia por trás da multiplicação do WACC e do investimento é avaliar o grau de eficiência do capital investido pela empresa. Ou seja, essa taxa é o valor que a empresa precisam atingir para que os investidores tenham um retorno econômico sobre seu investimento.

Para exemplificar o cálculo do EVA, suponha que uma empresa apresente os seguintes resultados após um ano:

  • Lucro operacional líquido após impostos = 5.380.000
  • Investimento total de capital = 3.300.000
  • WACC = 0,156 ou 15,60%

Portanto, o seu Valor Econômico Adicionado será:

  • EVA = 5.380.000 – (3.300.000 x 0,156) = 4.865.200

Dessa forma, o saldo positivo de 4.865200 mostra que a empresa a empresa teve EVA mais do que suficiente para cobrir mais do que seu custo de capital. Por outro lado, um número negativo indicaria que o projeto não obteve lucro suficiente para cobrir o custo de fazer negócios – sendo assim inviável economicamente.

Limitações do EVA

Mesmo sendo um indicador bastante utilizado, o EVA apresenta algumas limitações. Como o cálculo do valor econômico adicionado é relativo, o indicador pode ser aplicado apenas dentro do período medido. Por isso, ele não pode ser utilizado como como preditivo de desempenho futuro, especialmente para empresas em meio a reorganização ou prestes a fazer grandes investimentos de capital. Além disso, as distorções de acumulação ainda podem afetar a medida, particularmente quando se trata de diferenças de depreciação e amortização.

Ao mesmo tempo, por depender muito do capital investido, o analisar o Economic Value Added de um negócio só faz sentido, para atividades de produção intensiva, que transformam insumos e matéria prima em produtos e bens de consumo. Dessa forma, o EVA é mais útil para fabricantes de automóveis, por exemplo, do que empresas de software ou empresas de serviços com muitos ativos intangíveis.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

1 comentário

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  • Eliana 21 de novembro de 2019

    Excelente artigo

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