Por: Tiago Reis

É possível começar com R$10,00?

Um vídeo tem viralizado na internet nos últimos dias.

No vídeo, um indivíduo ensina como ganhar dinheiro empreendendo com apenas R$10,00. Na verdade, com R$10,00 emprestados. Capital próprio de ZERO.

Eu sugiro ver o vídeo (que dura apenas um minuto), mas se você não tiver tempo, basicamente o indivíduo sugere que é possível empreender independente do seu capital inicial: basta ir no centro do Rio de Janeiro comprar água e gelo baratos e revender na praia de Copacabana por 5 vezes mais do que o valor de custo.

Obviamente, o indivíduo não considera a tributação e nem risco de a fiscalização apreender a mercadoria.

É um cenário hipotético, porém realista. Quem já foi nas praias no Rio sabe que os vendedores cobram um preço bem acima do custo do produto.

Cobram este preço pela comodidade, e mesmo com margem alta, o preço total não é algo que represente muito do total da renda do consumidor. Por conta disso, o consumidor acaba pagando.

Este vídeo tem caráter motivacional sobretudo para aquele que quer empreender. Mas eu analiso este empreendimento sugerido sob a ótica financeira.

E o que eu penso sobre o empreendimento?

É um negócio excelente, pois apresenta uma margem de lucro elevada e um giro de estoque rápido.

Consequência? Uma alta rentabilidade sobre capital empregado.

E uma alta rentabilidade sobre capital empregado permite que o indivíduo cresça rapidamente o seu negócio.

Obviamente, neste caso é difícil escalar o negócio, pois o limitante acaba sendo mão-de-obra: é um negócio que depende da habilidade de vendas do indivíduo que é apenas um.

Ele não consegue vender em todas as praias do Rio de Janeiro simultaneamente.

E o que o investidor tem a aprender com isso?

O investidor deve buscar investir em negócios exatamente com essas características: alta rentabilidade, pouco capital empregado, algum potencial de crescimento e baixo risco.

Não são todos os negócios que são assim: as forças competitivas atuam no mercado forçando redução de preços e margens.

Desta forma, é preciso investir em empresas que detenham fortes vantagens competitivas. Não são muitas empresas que tem essa característica.

Quais negócios tem as características acima?

No Brasil podemos citar as seguintes empresas B3, Itaú/Bradesco, Grendene, Alpargatas, Arezzo, Ambev, Senior Solution, entre outras.

Nos Estados Unidos eu destaco a Apple, Google, Booking.com e Facebook.

As empresas citadas acima detêm as características do negócio descrito pelo indivíduo: margem alta, pouco capital necessário para operação e algum crescimento. Com a vantagem que são negócios escaláveis.

A Apple, por exemplo, vende um produto de alta margem pois consegue cobrar o preço mais alto entre todos os smartphones.

A empresa não detém ativos industriais relevantes pois quem fabrica os aparelhos são os fornecedores chineses terceirizados, e, por fim, a empresa trabalha com capital de giro muito baixo: recebe a vista, trabalha com baixo estoque e paga os fornecedores num prazo longo.

Desta forma a empresa gera muito caixa frente ao capital investido, como o nosso amigo que vende água na praia, mas com a vantagem de ter um negócio com escala global: vende-se iPhone do Brasil até o Japão.

Obviamente, que um excelente negócio é somente parte da equação. É preciso comprar o negócio em um Valuation acessível.

Vou escrever cada vez mais a respeito de Valuation neste espaço diário.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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