Por: Tiago Reis

Duas perguntas que sempre me fazem

Estas perguntas foram respondidas no livro “101 perguntas e respostas para investidores”, e como me fazem com muita frequência, resolvi publicar novamente neste espaço.

Existe uma composição ideal de renda fixa e variável para compor uma carteira?

Consultores financeiros e a própria mídia muito frequentemente sugerem que uma carteira ideal deve ter exposições de 80% a 90% a fundos de renda fixa, com uma pequena parcela em fundos de multimercado, e exposições de 10% ou menos em ações.

Eu vejo essas recomendações como absurdas, pois com essa composição de carteira, muito dificilmente o investidor conseguirá chegar a sua independência financeira, especialmente com a tendência de juros baixos que estamos vivendo no país e que deve permanecer por um bom tempo.

Para nós, não existe exatamente uma composição ideal de renda fixa e variável, e eu costumo dizer que a composição ideal geralmente é aquela que mais se encaixa no perfil do investidor e a que mais lhe proporciona conforto.

Além disso, há de se considerar o tamanho da carteira. Para carteiras com volumes financeiros mais elevados, faz sentido adquirir BDR’s, por exemplo, ou mesmo instrumentos de renda fixa mais sofisticados, como debêntures ou CRIs.

Já para carteiras menores, de investidores que estão iniciando, não faz muito sentido ter esses ativos, que exigem geralmente volumes financeiros mais elevados.

Porém, de forma geral, uma carteira previdenciária formada por algo como 50% ações, 30% fundos imobiliários, 15% em renda fixa e 5% em BDR’s, seria algo como próximo do ideal, capaz de apresentar retornos bastante acima da média no longo prazo, com menor volatilidade, e ainda proporcionar ao investidor, através da alocação em renda fixa, a possibilidade de aproveitar momentos de crise para investir de maneira mais intensa.

Por que investir em Google ou Facebook se estas empresas não pagam dividendos?

Apesar de gostarmos bastante de dividendos e considerarmos os dividendos uma das mais importantes formas do investidor obter rentabilidade com o investimento em ações no longo prazo, especialmente com o reinvestimento dos mesmos, eles não são a única forma do investidor ganhar dinheiro com ações.

Além dos dividendos, o investidor pode ganhar dinheiro em ações através da valorização de suas ações, e geralmente a valorização de uma ação é uma parte muito representativa da rentabilidade obtida no longo prazo.

No caso de Google e Facebook, apesar de não serem empresas que pagam dividendos atrativos, por outro lado, são empresas que até aqui, historicamente, se valorizaram muito acima da média, apresentaram resultados crescentes e enriqueceram muitos investidores ao longo do tempo com a valorização de seus papéis, que foi bastante expressiva.

Para se ter uma ideia mais precisa, os BDR’s do Facebook, desde o início de 2014, quando custavam cerca de R$ 84,00, se valorizaram mais de 220%, sendo que as cotações chegaram a alcançar, em meados de 2018, cerca de R$ 400,00.

Empresas como Facebook, Google, ou muitas outras que não pagam ou pagam poucos dividendos, geralmente são empresas que costumam fazer retenções de resultados para reinvestirem no próprio business, adquirindo outras empresas, e investindo em suas operações de forma geral, o que em muitos casos garante bom resultados, já que são empresas de elevadas métricas de rentabilidade e conseguem remunerar o capital de forma eficiente.

Dessa forma, apesar dessas empresas não destinarem dividendos aos seus acionistas, essas empresas acabam incrementando de forma relevante seus resultados, incrementando seu patrimônio, o que se reflete também em cotações cada vez maiores.

Além disso, com resultados fortes e uma boa geração de caixa, é bem provável que empresas como Google e Facebook venham a distribuir dividendos no futuro.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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