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Dividendos – quais os principais conceitos desta remuneração?

By 4 de outubro de 2017 No Comments

O objetivo de toda instituição não filantrópica é gerar lucro – esse é um consenso geral e dificilmente alguma pessoa venha a discordar desse ponto de vista – e, dessa forma, toda empresa listada na bolsa de valores, por lei, deve distribuir no mínimo 25% de seus rendimentos a seus acionistas e, geralmente, esses pagamentos são feitos através dos dividendos.

Normalmente, tais proventos são distribuídos após o desconto de todos os tributos e impostos referentes ao Estado.

Apesar das empresas estarem submetidas a este pagamento mínimo de um quarto de seus lucros, cada companhia tem a sua política de distribuição de proventos individual e, com isso, elas têm a opção de poderem pagar os seus acionistas trimestralmente, semestralmente ou até mesmo anualmente, porém essa periodicidade deve ser exposta de antemão nos estatutos de toda empresa de capital aberto.

É interessante que os investidores se atentem a essa periodicidade pois, ao estarem cientes desses períodos de pagamento, é possível que se planejem de modo a recebe-los de maneira intercalada, de acordo com seus interesses pessoais.

Então, quanto maior os dividendos, melhor é a empresa?

Pela lógica, quanto maior a remuneração de uma empresa a seus acionistas, maior seria sua capacidade de gestão e geração de valor.

Este é um raciocínio bastante comum e presente nos investidores, principalmente os iniciantes, que tendem a acreditar que as companhias que pagam generosos dividendos são muito prestigiadas e apresentam excelência em sua capacidade de gestão.

Entretanto, em todos os casos, é preciso que o investidor se dê o trabalho de investigar o porquê da empresa apresentar aquele pagamento de dividendo, seja ele considerado baixo ou alto.

Normalmente, lucros recorrentes é um dos fatores do qual as empresas distribuem proventos atraentes, mas também pode acontecer de a empresa ter recentemente gerado caixa com a venda de algum ativo específico, ou algum outro bem não recorrente, e ter distribuído esses dividendos.

Dessa forma, é importante destacar que as companhias as vezes utilizam sua reserva de lucros distribuindo bonificações muito maiores e causando uma distorção nos dividendos anteriores.

Portanto, ao se investir em uma empresa, é importante se atentar aos proventos pagos nos anos anteriores e analisar se essas empresas estão pagando dividendos incompatíveis com seu histórico.

Essa atenção se faz necessária porque os proventos não são fixos. Na verdade, eles costumam se alterar todo ano.

É interessante perceber que essas bonificações são uma espécie de “recompensa” que os acionistas recebem das companhias por arriscarem investir seu capital na organização e por confiarem e acreditarem na missão, gestão, operação e resultados das empresas as quais se tornam sócios.

Ao se investir em empresas sólidas, com boas margens, baixo endividamento e bons dividendos, a probabilidade de se receber proventos satisfatórios e recorrentes aumentam bastante.

Alguns setores, como o de energia elétrica e o setor bancário, por exemplo, se destacam por serem segmentos de empresas que possuem a característica de serem excelentes pagadores de proventos no longo prazo.

Cabe destacar, também, que ao se reinvestir estas bonificações, os resultados dos investidores tendem a serem ainda melhores ao longo do tempo.

Para o investidor que tenha interesse nos dividendos, é importante se atentar às datas referentes aos mesmos, que normalmente são incompatíveis quando comparadas com as demais empresas.

O mercado é uma via de mão dupla entre os investidores e as companhias, e os dividendos são um dos elos de ligação entre essas vias.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.