A diversificação é uma estratégia muito eficaz quando bem utilizada

Muitos investidores se questionam a respeito do conceito que tange a ideia de diversificação que deve ser estabelecida em uma carteira previdenciária de investimentos.

Obviamente que este é um conceito bastante representativos para quem aplica seu capital, porém, mesmo, assim, muitas pessoas seguem sem o devido esclarecimento sobre o que é, de fato, a ideia que existe por detrás da diversificação.

A diversificação é uma técnica de gerenciamento de risco que tende a misturar uma determinada variedade de investimentos dentro de um portfólio de aplicação financeira. Assim, o risco do portfólio é consideravelmente reduzido.

O raciocínio por trás desta técnica transparece que uma carteira construída de diferentes tipos de investimentos, em média, produzirá maiores retornos e representará um risco menor do que qualquer investimento feito de maneira isolada e individual.

Ainda, este tipo de conduta, por parte de um investidor, tende a demonstrar um esforço para suavizar eventos de risco não sistemáticos em um portfólio para que, assim, o desempenho positivo de alguns investimentos neutralize o desempenho negativo de outros.

Neste sentido, os benefícios da diversificação de investimentos são válidos apenas se os ativos financeiros presentes em uma carteira não estiverem perfeitamente correlacionados.

  1. Por que diversificar os seus investimentos?
  2. Correlação e diversificação
  3. Diversificando investindo em dólar e outras moedas fortes
  4. Considerações sobre uma carteira diversificada
  5. Conclusão sobre diversificação

Por que fazer a diversificação dos seus investimentos?

Por que diversificar?Investimentos possuem riscos inerentes atrelados a eles.

Ao investir, o investidor corre um risco buscando obter um retorno financeiro.

Alguns investimentos possuem um grau de risco que pode ser considerado menor, como por exemplo o investimento em títulos públicos do governo dos EUA.

Já outros investimentos são considerados de maior risco, como por exemplo as ações de empresas dos países emergentes, como o Brasil.

No entanto, todos os investimentos apresentam risco.

A diversificação de investimentos ocorre, portanto, para buscar reduzir esses riscos.

Mais especificamente, o risco não sistemático. É importante diferenciar o risco não sistemático e o risco sistemático.

Risco sistemático

O risco sistemático é o risco que diz respeito a todas as empresas de uma economia.

Ou seja, fatores de risco sistêmico não afetam somente uma determinada companhia, mas sim todos os agentes da economia.

Um exemplo de fator de risco sistemático é o PIB.

Todas as empresas se beneficiam de uma alta do PIB, pois há maior consumo.

Da mesma forma, todas as companhias são prejudicadas por uma queda neste mesmo indicador.

O interessante de observar sobre o risco sistemático é que ele não pode ser reduzido para um investidor que aplica apenas um país. Pois, como dito anteriormente, ele afeta toda a economia.

Por isso, diz-se que este tipo de risco é não diversificável.

Risco não sistemático

Este é o risco que a diversificação busca reduzir.

Ele pode ser definido como o oposto do risco sistemático. Enquanto o risco sistemático afeta toda a economia, o risco não sistemático influencia apenas sobre empresas ou setores específicos.

A queda do preço do barril do petróleo, por exemplo, possui um efeito enorme sobre os resultados da Petrobras, no entanto, pouco afeta o banco Itaú.

Um outro exemplo seria a variação no preço do minério para a Vale. Ou ainda uma nova regulação que limitasse a atuação dos bancos, afetando o setor como um todo.

Em suma, os fatores de risco não sistêmico podem afetar bastante algumas empresas, enquanto são indiferentes para outras.

Por isso se busca reduzir consideravelmente o risco não sistemático.

Imagine, por exemplo, que um investidor aplica apenas em ações da Petrobras.

Caso o preço do barril de petróleo caia bastante no mercado internacional este investidor será duramente prejudicado.

Agora imagine um outro investidor que possui apenas 5% dos seus investimentos em Petrobras, enquanto os outros 95% são distribuídos entre outras empresas e setores que não possuem relação com o preço do petróleo.

Este último investidor sofrerá um impacto muito menor do que o primeiro investidor.

E isto ocorre pois o segundo investidor utilizou a diversificação para proteger os seus investimentos.

A correlação e a diversificação

correlação e diversificaçãoUm fator interessante de se observar a respeito da diversificação é que ela só é efetiva quando ativos com correlação distintas são inseridas em um portfólio.

Mas o que seria a correlação?

A correlação é uma medida estatística que mede quanto duas variáveis se movem conjuntamente.

Por exemplo, suponha que as ações da Petrobras e o preço do barril do petróleo possuam correlação igual a 0,9.

Isso significa que caso o valor do barril de petróleo aumento seu valor em 10% as ações da Petrobras aumentarão o seu valor em 9%.

Pois: 10% x 0,9 = 9%

A correlação varia entre +1 (correlação perfeitamente positiva) e -1 (correlação perfeitamente negativa).

Observando o exemplo acima é possível perceber porque a diversificação não é efetiva para ativos com uma alta correlação positiva.

Suponha, por exemplo, que o preço do barril do petróleo caia em 10%. Assim, as ações da Petrobras cairão 9%.

Portanto, um investidor que possua seus investimentos divididos entre estes dois ativos perderá boa parte do valor do seu portfólio.

Correlação negativa como forma de diversificação

A correlação negativa pode ser uma boa forma de diversificar os investimentos em um portfólio.

Suponha, por exemplo, que um investidor tenha em sua carteira de investimentos ações brasileiras e dólar.

Essas duas variáveis são negativamente correlacionadas. Ou seja, uma queda no valor das ações brasileiras costuma acompanhar uma alta do dólar. Assim como um aumento no valor das ações costuma acompanhar uma queda do dólar.

Assim, um investidor que dividir os seus recursos entre ações brasileiras e ativos correlacionados com o dólar pode ter uma carteira balanceada e com uma volatilidade muito reduzida.

Isto ocorre pois os movimentos dos dois ativos se contrapõe entre si.

É importante que se destaque, ainda, que alguns estudos e modelos matemáticos transparecem a ideia de que a manutenção de um portfólio bem diversificado de 10 a 15 ações e fundos imobiliários produz o nível mais relevante de redução de risco.

Entretanto, existem outras vertentes que prezam que até 20 ações de variados setores e também fundos imobiliários com características distintas podem significar uma boa estratégia de alocação de ativos.

Diversificação através do investimento em moeda forte

diversificar investindo em dólarNão poderia deixar de ser mencionado, também, que outros benefícios relacionados a diversificação de investimentos podem ser obtidos através da aplicação em ativos estrangeiros denominados em moedas forte, como o Dólar ou o Euro, por exemplo.

O fator acima evidenciado se faz interessante porque esse tipo de conduta tende a manter em equilíbrio uma carteira de investimentos em um cenário de crise interna no Brasil, por exemplo.

A título de ilustração, suponha que uma recessão econômica e/ou política atinha o Brasil, de forma que não afete a economia do Estados Unidas da mesma maneira.

Nessa conjuntura, portanto, ter investimentos atrelados à moeda norte-americana fornece a esse investidor uma interessante proteção contra perdas devido à variação cambial que, por consequência, possa ser observada em um ambiente de crise interna em nosso país.

Existem algumas maneiras de investir em ativos correlacionados a moedas fortes. As principais são:

  • BDR’s
  • Ativos correlacionados com moedas fortes
  • Investir diretamente fora do país

BDR’s

BDR é a sigla para “brazilian depositary receipts”. Eles representam ações do exterior negociadas no Brasil.

Através dos BDR´s é possível investir em ações de empresas gigantes de todo o mundo.

Alguns exemplos de companhias que dispõe de BDR são:

  1. Apple
  2. Google
  3. Facebook

O BDR é, sem dúvida, uma das formas mais fáceis de se aplicar em moeda forte.

As companhias possuem suas receitas nessas moedas, portanto, se beneficiam da alta desses ativos.

Dessa forma, os BDR´s são uma ótima ferramenta de diversificação deinvestimentos.

Assim como ocorre com as ações comuns o investidor que detém BDR´s também tem direito a receber dividendos.

Um fator que pesa contra o investimento nessa classe de ativos é a sua falta de liquidez.

Ativos correlacionados com moedas fortes

O Brasil possui muitas empresas exportadoras.

Essas, ao exportarem os seus produtos, são pagas em moeda forte. Tipicamente, pagas em dólar.

Portanto, praticamente toda a receita das exportadoras é proveniente de moedas fortes.

Logo, elas são diretamente beneficiadas de um aumento no valor destes ativos.

Imagine, por exemplo, que uma exportadora de automóveis vende 100 carros sempre por $ 1 milhão. E que o valor do dólar é de R$ 2.

Dessa forma, a receita da empresa, no primeiro momento, é de R$ 2 milhões.

Agora suponha que o dólar suba para R$ 4. Agora a empresa terá uma receita de R$ 4 milhões enquanto vende os mesmos 100 carros.

Ou seja, o custo para a companhia não mudou, mas o lucro aumentou consideravelmente.

Por isso as exportadoras são diretamente beneficiadas de uma alta do dólar.

Portanto, também são alternativas para compor a diversificação de ativos.

Alguns exemplos de empresas exportadoras e seus respectivos setores são:

  • Suzano: Papel e celulose
  • Tupy: Autopeças
  • Fibria: Papel e celulose

Obviamente, não basta a companhia ser uma exportadora para que se caracterize como uma boa aquisição.

É necessário, também, que o negócio da empresa seja rentável e lucrativo.

Investir diretamente fora do país

Uma outra opção para que deseja obter uma diversificação de investimentos é investir diretamente fora do país.

Ou seja, abrir uma conta em uma corretora no exterior e negociar os ativos diretamente.

É importante ressaltar, porém, que isto pode ser custoso e muitas vezes envolve muita burocracia.

Considerações acerca da diversificação de ativos

Considerações sobre a diversificação de investimentosA diversificação de ativos em um portfólio de investimentos pode ocorrer de duas formas.

É possível diversificar dentro de uma mesma classe de ativos. Por exemplo, considere a classe de ações.

É possível comprar várias ações de diferentes empresas, que atuem em diferentes setores e que sejam negativamente correlacionadas. Dessa forma, estará se obtendo uma diversificação dentre desta classe de ativo.

Ainda, pode ser feito uma diversificação através de mais de uma classe de investimentos.

Por exemplo, o investidor pode, além de investir em ações, investir também em fundos imobiliários.

Dessa forma o portfólio de investimentos estará também diversificado em relação às classes de ativos.

É interessante que essas duas formas de diversificar uma carteira de investimentos sejam combinadas de forma a obter um portfólio mais balanceado e com menor risco.

Outras classes de ativos, como a renda fixa, também podem ter espaço em um portfólio de investimentos.

Qual é o número ideal para uma carteira de investimentos diversificada?

A questão a respeito desse tipo de prática financeira pode ser bastante pessoal, variando de investidor para investidor.

Estudos mostram que entre 15 e 20 ativos pode ser o número ideal. No entanto, muitos investidores se sentem desconfortáveis em ter mais de 5% do seu patrimônio em determinados ativos.

Assim, alguns optam por ultrapassar este limite, chegando a 25 ou 30 ações.

Porém, é sempre preciso lembrar que o acompanhamento dos ativos presentes em uma carteira de ativos deve ser feito de maneira bastante rotineira e perspicaz e, num ambiente de alta diversidade de ativos, por consequência se torna muito mais difícil o acompanhamento de todos os ativos ali presentes.

Por conta disso, um alto grau desse tipo de característica de alocação, maior do que a que foi sugerida anteriormente, pode se tornar um empecilho no que diz respeito ao acompanhamento das performances tanto das ações quanto dos fundos imobiliários ali presente.

Para montar uma carteira diversificada de investimentos e ter ajuda no acompanhamento de ativo, você pode contar com a ajuda da Suno Research.

Com a assinatura premium você tem acesso a carteiras recomendadas de ações que conta com diversificação entre empresas e setores.

Ainda, você terá o seu acompanhamento das ações e fundos imobiliários facilitados, pois são divulgados comentários e opiniões sobre os resultados das empresas e a performance nos fundos imobiliários.

Diversificação para investidores iniciantes

Muitos investidores iniciantes apresentam a dúvida de como diversificar a sua carteira de investimentos, já que os aportes tendem a se direcionar todos para um ou dois ativos.

No vídeo abaixo, Luiz Barsi, um dos maiores investidores do Brasil, explica como deve ser feita esta diversificação.

Conclusão sobre diversificação

conclusão sobre diversificaçãoAumentar a variedade dos ativos de uma carteira de investimentos é, sem dúvidas, uma atitude bastante louvável por parte de um investidor.

Ao fazer isto, o investidor consegue reduzir o risco do seu portfólio, e assim ter uma carteira muito menos volátil.

Porém, é preciso que se atente ao fato de que uma maior diversificação demanda uma maior disponibilidade de tempo para acompanhamento desse portfólio, o que acaba por poder dificultar, de certa maneira, o grau de conhecimento de um investidor acerca dos seus ativos no horizonte de longo prazo de suas aplicações financeiras.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.