Por: Tiago Reis

Dicas para melhorar sua análise de empresas – Parte II

Em continuidade à Parte I, hoje apresentarei a segunda dica que pode te ajudar a fundamentar melhor sua decisão de investimento.

Na Parte I, expliquei como conhecer o modelo de negócio e o funcionamento da operação de uma empresa é fundamental para analisá-la. Hoje, abordarei alguns conceitos de contabilidade sem os quais a análise pode ser extremamente prejudicada.

 

2) Conhecimento básico de contabilidade e finanças é fundamental

Você não precisa ter mestrado em contabilidade para realizar uma análise bem fundamentada acerca de uma empresa, entretanto, é necessário conhecer alguns conceitos básicos.

Saber o que são demonstrações financeiras e como elas se relacionam é importantíssimo para analisar uma empresa e decidir se você deve se tornar acionista da mesma ou não.

Três demonstrações auxiliam na compreensão das atividades de uma empresa, são elas, o Balanço Patrimonial (BP), a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC).

Mas como elas se relacionam?

É muito simples. A mãe de todas as demonstrações é o Balanço Patrimonial. Nele, podemos compreender quais foram as decisões de investimento e financiamento de uma empresa.

Os itens descritos no Balanço Patrimonial são divididos em ativos, passivos e patrimônio líquido.

Os ativos representam os investimentos da empresa. Estes são os bens que a companhia utiliza para desenvolver seu negócio. Entre os ativos, podemos encontrar equipamentos, máquinas, imóveis, estoques, veículos e outros bens que a companhia utiliza para que sua operação possa ocorrer normalmente.

Do outro lado do BP, temos os passivos. Com os passivos, podemos compreender como a empresa financia suas atividades. Os passivos representam as dívidas da empresa.

Essas dívidas podem ser empréstimos, financiamentos ou quaisquer outras formas de sustentar a operação com capital de terceiros. Quando um fornecedor lhe oferece prazo para pagamento, por exemplo, ele está sustentando sua operação e esta dívida se torna um passivo para sua empresa.

Além dos passivos, uma empresa pode financiar sua operação através de capital próprio. No Balanço Patrimonial, o capital próprio é representado pelo patrimônio líquido (PL). O PL pode ser visto, de maneira simplificada, como o dinheiro dos sócios.

Quando uma empresa opta por financiar sua operação através de capital próprio, o montante de capital que os sócios disponibilizaram para a operação aparece no Balanço Patrimonial como patrimônio líquido.

Entendido isso, podemos resumir o Balanço Patrimonial como o documento que mostra como a empresa capta recursos (seja capital próprio ou de terceiros) e o que ela faz com o recurso captado (quais são os investimentos da empresa).

Repare que no BP não podemos analisar os resultados dos investimentos e financiamentos. Para analisar os resultados, temos a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE).

A DRE nos mostra se a empresa obteve lucro ou prejuízo naquele período. Nela se encontram as receitas provenientes da operação, bem como os custos e despesas que, quando deduzidos das receitas, resultam nos lucros (ou prejuízos).

Mas como a Demonstração do Resultado do Exercício está ligada ao Balanço Patrimonial?

Toda vez que uma empresa paga um custo ou uma despesa, ela está remunerando terceiros, o que se relaciona com os passivos anteriormente mencionados. Os custos e despesas podem ser o pagamento de fornecedores, de salários para seus funcionários, tributos, juros bancários, entre outros.

O resultado (lucro ou prejuízo) é a remuneração dos proprietários da empresa, que se relaciona ao patrimônio líquido anteriormente citado.

Os acionistas podem utilizar os lucros para reinvestir no negócio, pagar dívidas, adquirir novas empresas ou, quando nenhuma dessas opções for vantajosa, a companhia pode distribuir os lucros para os acionistas na forma de proventos (dividendos ou juros sobre capital próprio).

Entretanto, perceba que neste ponto ainda não tratamos da geração de caixa da empresa. Uma empresa pode ser extremamente lucrativa, sem gerar caixa, o que pode, inclusive, levar a mesma à falência.

Para saber se os lucros da empresa se convertem em geração de caixa, devemos olhas para a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC).

Muitas pessoas (inclusive gestores) acreditam que lucro e geração de caixa são a mesma coisa, entretanto isso não é verdade. Explicarei esse assunto em detalhes na Parte III desta série e, portanto, hoje apresentarei apenas a DFC.

A Demonstração dos Fluxos de Caixa é o documento fundamental para se analisar a movimentação real de caixa da empresa. Quanto dinheiro foi gerado pela operação da empresa? Quanto capital ela utilizou para reinvestir no negócio? Ela está investindo ou desinvestindo? A companhia captou recursos através de financiamentos? Ela pagou dívidas antigas?

Todas estas perguntas são de suma importância na análise da saúde financeira de uma empresa e elas só podem ser respondidas através da Demonstração dos Fluxos de Caixa.

Uma DFC é dividida em três partes. A primeira parte diz respeito ao fluxo de caixa operacional. Aqui são contabilizadas todas as entradas e saídas de caixa da empresa que estão relacionadas à operação. Quando a empresa paga os fornecedores, por exemplo, isso representa uma saída de caixa. Quando recebe pagamentos de clientes, a transação representa uma entrada de caixa.

A segunda parte da DFC aborda os fluxos de caixa de investimentos. Nesta etapa encontram-se todas as saídas e entradas de caixa referentes aos investimentos da empresa. A compra de novas máquinas e equipamentos, por exemplo, será contabilizada nesta parte da DFC.

A terceira parte da DFC apresenta os fluxos de caixa de financiamentos. Aqui são contabilizadas todas as captações de recursos bem como os pagamentos das dívidas.

Somando os três fluxos de caixa anteriormente mencionados temos a variação de caixa da empresa. A variação de caixa é importante para saber se a empresa está gerando caixa ou consumindo caixa em suas atividades.

Na próxima parte desta série, darei continuidade às dicas explicando com mais clareza a diferença entre lucro e geração de caixa. Assim, a importância da DFC e da DRE na análise de uma empresa se tornará evidente.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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