Por: Tiago Reis

Devo investir no exterior?

Todo investidor já deve ter feito essa pergunta. As burocracias que envolviam esse tipo de investimento há algum tempo mantiveram muitos indivíduos distantes de outras economias, porém com o avanço da tecnologia, os investimentos no exterior se tornam cada vez mais práticos e atraentes.

Muitos investidores são levados a pensar que não são influenciados pela cotação de moedas estrangeiras, já que boa parte (ou a totalidade) dos seus gastos são realizados em moeda local. Entretanto, devemos considerar que muitos produtos utilizam commodities em sua fabricação e estas matérias primas são cotadas em dólar.

Uma alta do dólar faz os preços dos imóveis se elevarem, por exemplo, pois a construção civil tem boa parte de seus insumos vinculados à commodities. A área de metais e petróleo afeta o setor como um todo.

O mesmo ocorre em diversos setores da economia. A aviação, por exemplo, é altamente dependente do preço do petróleo (combustível) e de metais (aeronaves).

Quando um investidor tem todo seu patrimônio vinculado à economia local, ele não está protegido de crises cambiais. Imagine um cenário de forte alta do dólar. O patrimônio deste indivíduo não será corrigido na mesma proporção e seus gastos provavelmente se elevarão, caso este investidor pretenda manter seu padrão de vida.

Quando você realiza investimentos no exterior, você está expondo seu patrimônio a outras economias, o que reduz o impacto de eventos econômicos locais no seu portfólio de ativos.

Além amortecer os efeitos da economia local, a exposição a outras economias pode te proporcionar diversas oportunidades de investimento. Enquanto o Brasil possui pouco mais de 300 empresas de capital aberto listadas na B3, os Estados Unidos possuem mais de 5000 companhias listadas em bolsa.

Neste número, podemos encontrar, além das organizações americanas, muitas companhias de diversos outros países que possuem ADRs (o equivalente de BDRs nos Estados Unidos) na bolsa de Nova York.

Além da oportunidade proporcionada pelo maior número de ativos, o investimento no exterior pode permitir ao investidor aproveitar o crescimento econômico em outros países enquanto o Brasil vive recessão econômica.

Para ilustrar esse cenário, podemos utilizar o período de 2010 a 2015, onde o Brasil viveu desaceleração da economia que culminou na crise do biênio 2015/16, enquanto os EUA se recuperaram da crise de 2008 e voltaram a apresentar crescimento econômico.

Durante esse período, o Índice Bovespa, principal indicador de desempenho das ações listadas na B3, não apresentou resultados satisfatórios, devido principalmente aos fatores que permeavam a economia e a política brasileira.

O gráfico a seguir, mostra a cotação do Índice Bovespa no período:

Durante o mesmo período, os EUA estavam saindo do que foi a pior crise dos últimos 50 anos no país. O desempenho do Índice S&P 500, o equivalente ao Índice Bovespa americano foi muito superior no período, conforme o gráfico a seguir:

Os investimentos no exterior, portanto, abrem diversas oportunidades ao indivíduo que busca primeiramente proteção contra eventos que impactam a economia local e, em segundo lugar, exposição ao crescimento de diversas outras economias. Com uma gama infinitamente maior de ativos, o investidor pode diversificar seu portfólio com rentabilidade atraente.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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