Por: Tiago Reis

Derivativos: como funcionam esses instrumentos financeiros?

Dentre todas os elementos que compõem o sistema financeiro, um dos que mais chamam a atenção por sua complexidade e formas de aplicação diferentes são os chamados derivativos.

Muito conhecidos até mesmo por quem não investe, os derivativos são instrumentos muito utilizados no mercado financeiro. Eles permitem tanto que o investidor assuma uma posição de especulador, quanto que ele se proteja em face a um determinado risco.

O que são derivativos?

Derivativos são instrumentos financeiros onde são estabelecidos valores econômicos com base em um outro ativo, em relação a um período no futuro.

Ou seja, como o nome bem diz, derivativos nada mais são do que contratos com um prazo definido que possuem o seu preço derivado de algum ativos. Esses ativos podem ser uma ação, uma commodity, a inflação acumulada em um período, a taxa básica de juros ou qualquer outra variável com significado econômico.

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Sendo assim, um derivativo possui a sua própria cotação, que é lastreada por um segundo ativo, e seu próprio prazo para vigorar.

Alguns exemplos de contrato derivativos são o “SOJ” que é um contrato derivado do preço da soja, o “DOL” que é um contrato derivado do preço do dólar, o “IND” um contrato derivado do índice Bovespa, ou “PETRF17” que é um contrato que deriva das ações da Petrobras.

Um contrato de derivativos ocorre sempre entre duas partes, em uma relação com prazos e valores determinados. Com essa operação, uma das partes escolhe vender o risco que acredita que o ativo tenha, enquanto a outra compra esse risco, acreditando que é possível ganhar com ele.

Exemplo do uso de derivativos

mercado de derivativos seguros

Para exemplificar o que seria e como funciona um contrato de derivativo, suponha a seguinte situação abaixo.

Digamos que você, leitor, é um produtor de café. Sua trabalhosa safra está para ser colhida e vendida daqui a seis meses.

No entanto, você não quer correr o risco de ter que vender sua safra por um preço abaixo do atual praticado no mercado.

Como sabemos, o café é um commodity, e commodities oscilam bastante de preço, algumas vezes até de forma brusca e em períodos curtos de tempo.

Vamos supor que o kg do café esteja sendo vendido atualmente a R$ 50.

Pela natureza do produto, este preço pode estar muito diferente daqui a 6 meses, quando é o momento da colheita e venda.

Por exemplo, o preço pode ir a R$40, a R$30, ou até mesmo a valores menores.

Você, então, para se precaver desses cenários, resolve acessar o mercado a termo.

Este instrumento financeiro permite que você, hoje, possa vender sua safra de café ainda a ser colhida por um preço acordado entre você e o comprador.

Desta forma, você pode ter segurança para seguir com sua colheita e plantar sua próxima safra, pois mesmo que o preço do kg do café caia drasticamente, você receberá o montante acordado no dia da liquidação do contrato a termo.

Neste exemplo, o valor do contrato deriva do preço do café, mas em outras ocasiões ele pode derivar do preço de outros ativos.

O contrato a termo é, portanto, um tipo de Derivativo.

Ao uso do mercado de derivativos para proteção em relação a um determinado risco, dá-se o nome de hedge.

Funções dos derivativos

Os derivativos são instrumentos bastante versáteis, possuindo várias utilidades e aplicações dependendo da situação. Porém, normalmente os derivativos podem ser utilizados com três propósitos principais:

  • Proteção financeira;
  • Seguro contra riscos;
  • Especulação.
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Derivativos como proteção financeira

Os derivativos são frequentemente utilizados para operações de proteção financeira, principalmente se tem algum risco sobre um fluxo de pagamentos ou recebimentos futuros que estão sendo esperados.

Ou seja, para minimizar esse risco e diminuir a exposição perante as incertezas do mercado, pode ser feito um contrato com derivativos como uma forma de proteção. A essa proteção, se dá o nome de hedge.

Caso uma empresa tenha que fazer um pagamento futuro de um valor em dólares, por exemplo, ela pode utilizar-se de uma operação de swap. Sendo assim, a empresa garante que pagará o valor acordado, anulando assim o risco de uma alta do dólar.

Um produtor de café pode também pode utilizar esse instrumento, por exemplo, ao vender  comprar uma opção de venda de café a um valor específico, anulando assim o risco da cotação do café estar baixa quando for a hora de vender a sua safra.

Porém, quem faz uma operação de Hedge opta por garantir a segurança de fixar um valor a ser recebido, mas ao mesmo tempo também ganhos eventuais que ele possa ter com a variação do mercado.

Derivativos como seguro

Já vimos que o primeiro intuito da utilização dos derivativos é de promover a proteção dos agentes econômicos sujeitos a variações bruscas dos preços de seus insumos e produtos básicos negociados.

No entanto, temos que, também, observar o outro lado das operações envolvendo derivativos.

Por que, no exemplo inicial, alguém se comprometeu a pagar R$50 por kg de uma safra de café que ele só receberá daqui a 6 meses?

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A resposta é muito simples. A pessoa do outro lado acredita que, 6 meses depois, o kg do café valerá mais do que R$50. Sendo assim, ela busca obter um ganho financeiro ou um “seguro” para tal situação.

Vamos observar primeiro a hipótese do seguro.

Digamos que quem esteja do outro lado da compra do seu café seja uma empresa do setor que compra o insumo para torrá-lo e vendê-lo nos supermercados.

A empresa não deseja correr o risco de ter que pagar R$60, R$70, ou até mais por kg de café e assim ter sua margem de lucro reduzida.

Ao invés de aceitar este risco, a empresa toma uma atitude inteligente e garante o preço de R$50 por kg, podendo assim seguir o seu negócio com muito mais previsibilidade.

Derivativos como ativo para especulação

derivativos especulação
Agora na hipótese de quem busca puramente o ganho financeiro, é muito provável que quem esteja comprando sua safra seja um investidor que por alguma razão (condições de maior demanda prevista no futuro, por exemplo) acredita que o kg de café estará superior a R$50 em seis meses.

O investidor então firma o contrato buscando obter um ganho financeiro.

Digamos que na data de vencimento o kg do café esteja a R$65, o investidor, portanto, obteve um lucro de R$15 por kg, pois pagou R$50 por um ativo que vale R$65.

É possível perceber com estes exemplos uma característica marcante dos derivativos, eles são simétricos.

Isto é, o ganho de uma parte é igual ao prejuízo da outra.

Neste último caso, enquanto o investidor ganhou R$15,00 por kg, o produtor do café perdeu (ou deixou de ganhar) R$15,00 pelo mesmo kg, já que poderia ter vendido pelo preço de R$65,00 caso não houvesse firmado o contrato previamente.

Como funciona o mercado de derivativos?

derivativos longo prazo

Embora no curto prazo o mercado de derivativos cause ganhos para uma parte e perdas para outra, no longo prazo ele pode ser muito benéfico para ambas as partes.

Ele permite que produtores ou compradores alcancem proteção e previsibilidade nas receitas, além de permitir que quem quer especular com preços futuros de ativos faça isto de maneira muito prática.

Atualmente muitos desses agentes econômicos, assim como o investidor do exemplo anterior, lançam mão dos derivativos como forma de obter ganhos financeiros no mercado.

Como exemplo, quando ocorre um cenário de crise no Brasil, algo não assim tão raro, o preço do dólar tende a subir e a atividade econômica diminuem como um todo.

Portanto, aquele operador que se posicionar da forma correta, através de uma compra de contrato de dólar, pode gerar lucros financeiros mesmo neste cenário adverso.

Vamos supor que o dólar esteja hoje a R$ 3,40, o investidor que achar que vai ocorrer uma forte elevação deste preço no futuro pode firmar um contrato de compra de dólar para liquidação daqui a 6 meses se comprometendo a pagar R$3,40 para cada dólar.

Caso o cenário de crise se materialize como ele imaginou, e o dólar vá a, digamos, R$ 5,00 o investidor terá um grande lucro, pois pagará R$3,40 em um ativo que vale R$5,00, um ganho de quase 50%.

Obviamente, este tipo de operação requer muita experiência e capacidade de leitura de mercado. Dessa forma, é recomendada apenas para investidores mais experientes.

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Tipos de derivativos

Agora que já temos uma boa noção sobre o que são derivativos, vamos falar um pouco mais em detalhes sobre cada tipo:

Dentre os principais tipos de derivativos temos:

  • Operações a termo;
  • Contratos Futuros;
  • Opções;
  • Swaps.

Operações a termo

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O contrato a termo é o mais simples derivativo negociado em bolsa.

Nele, comprador e vendedor estabelecem um compromisso de compra e venda para negociação de um determinado ativo financeiro a um preço fixado na própria data da celebração do contrato.

Por exemplo, um investidor pode comprar a termo uma ação da Ambev, por 30 dias, ou seja, ele está se comprometendo a comprar essa ação da Ambev no período de 30 dias, dentro de um preço pré-definido.

Da mesma forma o vendedor estará obrigado a vender o ativo no preço estabelecido dentro do prazo.

Contratos a termo não são padronizados, assim permitem mais flexibilidade para comprador e vendedor acordaram situações específicas para cada contrato. Este tipo de derivativo não possui muita liquidez.

Contratos Futuros

mercado futuro

O mercado futuro é semelhante ao mercado a termo, no entanto, com algumas diferenças.

Uma delas é que as partes não estão vinculadas, ou seja, um investidor pode vender um contrato que tenha comprado antes mesmo do vencimento.

É por essa razão que esse mercado é muito mais líquido que o mercado a termo.

Outra diferença é que no mercado de futuros, os compromissos são ajustados diariamente às expectativas do mercado referentes ao preço futuro de um bem.

No Brasil, esses contratos são negociados exclusivamente em bolsa, onde são oferecidos diversos contratos tanto para ativos de renda fixa quanto para os de renda variável. Além disso, existem diversos ativos relacionados ao agronegócio.

Outro importante fator do mercado futuro é que nele o risco de contraparte é da Bolsa de Valores, ou seja, se uma das partes não honrar com seu compromisso a bolsa garante a operação.

Isto traz uma maior segurança a este tipo de derivativo.

Opções

mercado de opções

Opções contratos que dão a seus titulares o direito de comprar ou vender o ativo relacionado, em uma data futura por um preço previamente estabelecido.

É semelhante a um contrato de seguro, no qual o comprador deve pagar um prêmio ao vendedor. Neste caso, o vendedor é chamado de lançador, pois é ele quem lança a opção.

Diferentemente dos futuros, o detentor de uma opção de compra (call option) e o detentor de uma opção de venda (put option) não são obrigados a exercer o seu direito de compra ou de venda.

Enquanto que quem lança a opção, caso o titular exerça o seu direito, tem a obrigação de comprar (Lançador de put) ou vender (Lançador de call) o ativo específico.

Existem uma série de operações mais complexas que podem ser montadas utilizando as opções. Algumas operações com opções mais famosas são as seguintes:

  1. Long short;
  2. Venda coberta;
  3. Compra coberta;
  4. Straddle;
  5. Strangle.

Exemplo do uso de opções de compra (Call)

O uso do instrumento de opções pode ser um tanto quanto complexo, principalmente para o investidor iniciante, portanto, para ficar mais claro, vamos a um exemplo:

Supõe-se que um investidor comprou uma opção de compra das ações da Vale a R$50 uma ação, com vencimento em um dia específico no futuro.

Quando esse dia chegar, o investidor terá a opção de comprar ou não a ação da Vale, a depender do preço que a ação estiver sendo negociada no mercado.

Caso o preço da ação fique superior a R$50,00 provavelmente o investidor exercerá sua opção, pois poderá comprar por R$50,00 uma ação que está sendo negociada por um preço mais alto no mercado, tendo dessa forma, lucro.

Caso o papel caia abaixo dos R$50,00 o investidor tem a alternativa de não exercer a opção, pois vale mais a pena comprar o papel no mercado à vista.

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Exemplo do uso de opções de venda (Put)

Caso o investidor acredite na queda de uma ação é também possível se posicionar para lucrar neste cenário.

Digamos que o investidor acredite na queda das ações da Petrobras, que hoje são negociadas a R$20,00, assim, ele adquire um direito para vendê-las em uma data futura ao preço de R$20,00.

Se as ações caírem abaixo de R$20,00 o investidor ganhará dinheiro, pois ele poderá comprar a ação por um preço inferior no mercado à vista e vendê-la por R$20,00.

Enquanto se a ação estiver acima deste preço ele não vai exercer o seu direito de vender o ativo, pois não será proveitoso.

Para adquirir o direito de comprar ou vender determinado ativo, o investidor paga ao lançador da opção um valor em reais denominado “prêmio”.

Esta é a remuneração paga ao lançador por correr o risco da operação, e é também o máximo prejuízo que quem adquire a call ou a put pode ter, o que ocorre caso não seja proveitoso ao comprador exercer o seu direito.

Nesses casos se diz no jargão do mercado que a opção “virou pó”.

Swaps

swaps derivativos

Swaps são do que contratos que determinam um fluxo de pagamentos entre as partes contratantes, em diversas datas futuras. Como o próprio nome sugre, nos swaps, negocia-se a troca do índice de rentabilidade entre dois ativos.

Por exemplo: Uma empresa exportadora A tem uma dívida cujo valor é corrigido pela inflação e prevê que terá dólares em caixa. Portanto, ela pode preferir que sua dívida seja atualizada pela cotação do dólar.

Já a empresa B, que só vende no mercado interno, tem um contrato reajustado em dólar, e pode preferir usar outro indexador, tal como a taxa de juros.

Então, A e B, interessadas em trocar seus respectivos riscos, poderiam firmar um contrato de swap (diretamente ou mediante a intermediação de uma instituição financeira).

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É importante perceber que este tipo de contrato têm um risco inerente associado a ele, variações bruscas e inesperadas podem acontecer nos seus respectivos indexadores, prejudicando dessa forma, os signatários.

A operação de swap, assim como a operação do contrato a termo, deve ser liquidada assim que chegar o término do contrato.

Estes contratos são muito comuns para empresas exportadoras, que possuem receitas em moedas estrangeiras e custos em real.

Como o valor das moedas apresentam certa volatilidade, o swap age como mecanismo para aumentar a previsibilidade de companhia.

É necessário, entretanto, precaução ao utilizar estes contratos.

Em 2008 muitas empresas que utilizavam contratos de swap apostando na baixa do dólar sofreram grandes prejuízos.

Uma delas foi a Sadia. O prejuízo bilionário fez com que a empresa tivesse que se unir à sua principal concorrente, a Perdigão. Criando, assim, a BRF foods.

Vale a pena utilizar derivativos?

conclusão sobre o mercado de derivativos

A criação do mercado de derivativos foi muito importante para mitigar diversos tipos de riscos financeiros que a economia pode exercer nos seus mais variados segmentos de mercado.

Esses contratos já salvaram, em especial, muitos produtores de commodities e exportadores de prejuízos insustentáveis para seus projetos.

No entanto, a utilização dessas ferramentas exige muita responsabilidade e cautela, pois seus contratos podem acarretar em perdas significativas.

É aconselhável que apenas os investidores mais experientes lancem mão dos derivativos, de forma a maximizar seus benefícios e minimizar os riscos inerentes dessa estratégia. No vídeo abaixo, discutimos se este mercado é uma boa opção para o investidor de longo prazo.

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Perguntas Frequentes sobre Derivativos

Quais são os principais tipos de derivativos?

Os principais tipos de derivativos são os contratos a termo, os contratos futuros, as opções e os swaps.

Quais são os derivativos financeiros?

Derivativos financeiros são categorias de derivativos que tem como base um bem ou ativo financeiro, como dívidas, moedas, taxas de juros, índices, entre outros?

O quê derivativos para fins de hedge?

Derivativos de hedge são operações utilizadas para proteger uma transação financeira a ser realizada no futuro, fixando antecipadamente um preço para ela.

O que são opções no mercado financeiro?

Opções são contratos que negociam direitos sobre um determinado ativo negociado no mercado, fornecendo o direito (mas não a obrigação) de comprar ou vender um ativo a um preço em determinada data.

Bibliografia

https://www.investopedia.com/ask/answers/12/derivative.asp

https://www.thebalance.com/what-are-derivatives-3305833

https://libertex.com/blog/what-are-derivatives-finance

https://www.khanacademy.org/economics-finance-domain/core-finance/derivative-securities

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.