demonstração do resultado do exercício

Você sabe interpretar a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE)? Este é um importante documento que ajuda na arte de fazer valuation.

Para um investidor de valor, entender a Demonstração do Resultado do Exercício das empresas a que se interessa se faz uma tarefa de fundamental importância no âmbito de suas aplicações financeiras.

A DRE informa todas as receitas e despesas de uma companhia ao longo de um determinado período. A última linha da DRE informa o lucro ou prejuízo deste período.

Mesmo nessa realidade, contudo, muitas pessoas ainda investem o seu capital de forma precipitada.Antes de, de fato, possuírem um conhecimento mínimo acerca da DRE.

Portanto, é importante evitar este comportamento ao máximo pelos investidores iniciantes no mercado.

Demonstração do Resultado do Exercício – Conceitoo que é a demonstração do resultado do exercício

Muito conhecida também como DRE, a Demonstração do Resultado do Exercício é um documento obrigatório.

E que informa, em relação a determinado período, se uma companhia obteve lucro ou prejuízo..

As empresas listadas na bolsa de valores precisam divulgar a DRE em períodos trimestrais e também no acumulado ao ano.

Os fundos imobiliários também precisam informar este documento.

Se você deseja aprender sobre os fundos imobiliários, confira os excelentes relatórios do Professor Baroni sobre o assunto.

Essa documentação é elaborada partindo-se do quanto de faturamento total tal companhia obteve naquele período.

Ou seja, qual foi a sua receita bruta proveniente de suas atividades operacionais.

Estabelecida a receita bruta, algumas deduções provenientes de seu desempenho também daquele período são feitas nesse montante financeiro.

Dentre os principais itens abatidos desse capital supostamente levantado pela empresa, tem-se:

  • Impostos sobre a receita
  • Custos da produção ou da realização de serviços
  • Despesas com as vendas (marketing, logística, etc.)
  • Despesas administrativas
  • Receitas/despesas de aplicações financeiras

Normalmente, a ordem desses itens da Demonstração do Resultado do Exercício é feita de maneira padronizada.

Assim, as informações ali repassadas se encontrem organizadas para uma melhor compreensão daqueles que as analisam para qualquer finalidade.

Ainda, dependendo do segmento de atuação, outras categorias podem ser adicionadas ou retiradas dessa composição.

Exemplo de DRE

Abaixo encontra-se um exemplo de uma Demonstração do Resultado do Exercício.

O case em questão refere-se ao terceiro trimestre de 2017 da Magazine Luiza (MGLU3).

Fonte: Release Magazine Luiza – 3T17

(dá pra ler alguma coisa dessa dre? Qualquer coisa, faz outro print porque esse tá terrível)

É possível constatar, acima, que no terceiro trimestre do ano de 2017 a companhia obteve pouco mais de R$ 3,4 bilhões de receita bruta, ou seja, o capital que foi levantado proveniente da venda dos produtos de seu estoque.

Ao se observar a última linha do demonstrativo, percebe-se que, após a dedução de vários fatores (detalhados a cada linha da DRE), a companhia obteve “apenas” R$ 92,5 milhões de lucro líquido.

Ou seja, dos R$ 3,4 bilhões de receita bruta realizados pelo Magazine Luiza, somente R$ 92,5 milhões foram convertidos com sucesso de acordo com o objetivo de toda empresa.

Vale mencionar que nesse caso, especificamente, é possível perceber claramente que o custo total de suas operações compromete bastante os seus resultados, haja vista que atingiu R$ 1,9 bilhões no referenciado espaço de tempo.

Porém, não há como negar que todas as linhas presentes no DRE possuam as suas importâncias e considerações dentro da análise do desempenho de um determinado período.

Como analisar a demonstração do resultado do exercícioanalisando a DRE

Existem duas formas básicas de olhar uma DRE, que é através da análise horizontal e análise vertical.

Caso você queira se aprofundar em contabilidade e análise de balanços, não deixe de ler o mais novo livro da Suno: o Guia Suno de Contabilidade!

E o melhor de tudo é que isto é apenas o começo. Aprenda como ir além do balanço, no vídeo abaixo, apresentado pelo Tiago Reis, CEO e fundador da Suno.

Análise vertical

A análise vertical nada mais é do que comparar itens da DRE em relação a receita líquida do período.

Por exemplo, as margens de lucro da companhia medem a lucratividade do período.

A margem bruta, por exemplo, mede a lucratividade da empresa após deduzidos somente os custos de produção de determinado bem ou serviço comercializado pela empresa.

Já a margem operacional inclui não somente os custos de produção, mas também todos os custos administrativos, de pessoal, depreciação, entre outros.

Resultados não recorrentes, como lucros na venda de imobilizado e despesas não recorrentes, também são compreendidos dentro da margem operacional.

Além disso, são também incluídos os lucros da equivalência patrimonial.

Estes lucros nada mais são do que a proporção dos lucros das empresas nas quais a sociedade possui participação não relevante.

Por fim, a margem líquida inclui também o resultado financeiro, assim como os tributos pagos.

É possível também comparar as despesas em relação às receitas da empresa.

Como por exemplo, qual seria a percentagem das vendas pagas aos funcionários.

Ou então, qual é a despesa de depreciação desta empresa.

Análise horizontal

A análise horizontal é simplesmente comparar a análise vertical em diferentes períodos da DRE e a evolução de outros itens da DRE.

O exemplo mais simples de entender de uma análise horizontal é comparar a evolução das margens ao longo de períodos diferentes.

Existem vários casos de empresas que ao longo dos anos veem suas margens serem reduzidas.

Isto pode se dar por diversos motivos, como pelo fato da empresa ser cíclica ou então estar presente em um ambiente cada vez mais concorrido.

Este último caso foi o que aconteceu com o setor de adquirência.

Cada vez mais, novos competidores foram entrando no mercado, reduzindo de forma agressiva os seus preços, e ameaçando a liderança dos players já estabelecidos.

Visto de outra forma, pode-se dizer que as empresas com vantagens competitivas dentro de um mesmo setor são aquelas que possuem margens em média mais elevadas do que a dos seus concorrentes.

Ganhos de escala

Outra informação que é possível extrair a partir da análise horizontal é a identificação de economias de escala.

Ou seja, é a situação em que, à medida que a receita aumenta, as margens aumentam também.

A situação reversa também pode ser observada dependendo da circunstância.

Isto é, a medida que a empresa vende mais, suas margens encolhem, caracterizando o que se denomina de deseconomia de escala.

Melhora na eficiência

Como diz um grande empresário brasileiro, custos é que nem unha, tem que cortar sempre.

Se após uma mudança de gestão, as margens da companhia começam a melhorar significativamente, isto pode ser um efeito direto de um programa de redução de despesas.

De fato, existem escolas de gestão caracterizadas por esta filosofia de enxugar ao máximo os custos da empresa sem prejudicá-la.

Alterações na estrutura de capital

A evolução ou declínio da margem líquida, por exemplo, pode indicar mudanças na alavancagem da empresa.

Empresas que conseguem retornos sobre o capital acima dos juros pagos conseguirão auferir lucros e margens maiores.

Por outro lado, aquela empresa que alocar os seus negócios de forma errada, destruindo valor aos seus acionistas, poderão incorrer em sérios prejuízos.

Benefícios fiscais

Outra informação útil em uma análise comparativa é a evolução da alíquota de impostos.

Um aumento nesta alíquota pode significar o fim de isenções fiscais, de perdas a compensar, mudanças na depreciação.

Crescimento da empresa

Outra utilidade da análise horizontal é verificar o crescimento da receita da empresa e dos seus lucros.

Quedas sucessivas na receita e nos lucros podem indicar problemas sérios com o modelo de negócios de determinada empresa.

Por outro lado, pode ser apenas reflexo do ciclo de baixa pelo qual passa determinado setor de tempos em tempos.

Valuation

Outra utilidade da análise horizontal é conseguir estimativas para utilizar o modelo de fluxo de caixa descontado.

De fato, em muitos casos, a melhor forma de projetar o futuro é se baseando no passado.

Assim, uma empresa madura que cresce suas receitas a 5% não deverá crescer a 20% no longo prazo.

Existem diversas empresas que apresentavam crescimento acelerado e conforme foram aumentando de tamanho, passaram a ter uma evolução mais comedida.

A análise horizontal permite identificar essa tendência de crescimento dos negócios.

Outra informação interessante é comparar a despesa de depreciação em relação à receita total da companhia.

Uma despesa crescente pode indicar investimentos em capital mais intensivos por parte da companhia.

Considerações importantes

É fundamental que se fique claro que uma Demonstração do Resultado do Exercício é, basicamente, uma “fotografia” do resultado da empresa naquele período específico.

Tomando-se como exemplo o caso do Magazine Luiza   ( ) acima destacado.

Isso significa, em outras palavras, que mesmo a companhia apresentando um lucro líquido de R$ 92,5 milhões no terceiro quarto de 2017.

Mas não significa que aquele foi o montante financeiro que, de fato, entrou no caixa da companhia no período.

Regime de competência

Isso é assim definido por conta do princípio contábil conhecido como regime de competência.

Este regime estabelece que o reconhecimento das receitas e despesas de um determinado período de tempo sejam registradas no ato de suas realizações, independentemente de ter acontecido ou não o efetivo faturamento dos rendimentos ou do pagamento das despesas em questão.

Ainda em relação ao regime de competência, costuma-se dizer que as empresas registram, em suas demonstrações contábeis, as suas receitas, custos e despesas no ato da geração das mesmas, não levando em consideração se houve ou não o pagamento do referido compromisso financeiro.

Isso significa que, mesmo o Magazine Luiza reportando um lucro de R$ 92,5 milhões no terceiro trimestre de 2017, existe a possibilidade de boa parte desse montante ser proveniente de compras a prazo.

E isso pode fazer com que esse capital entre no caixa da empresa somente com o passar do tempo e de acordo com as condições de venda estabelecidas no ato da mesma.

O processo acima descrito é válido também para os custos e despesas da empresa no período.

Pode ser que muitos compromissos destacados na DRE possam ainda não ter sido honrados pelo Magazine Luiza, não por má fé, mas sim, apenas, por condições normais de negociação típicas em estruturas comerciais de livre mercado.

Quem nunca fez uma compra parcelada de um produto/serviço qualquer?

O mesmo é válido e acontece com muita frequência no cenário empresarial.

Importância da DRE

Mesmo levando-se em consideração que o regime de competência estabelecido pelas normas da contabilidade pode levar à conclusão de algumas inverdades por parte de investidores desorientados, é necessário frisar que uma Demonstração do Resultado do Exercício possui uma alta relevância em um processo de análise operacional.

Através dele, é possível visualizar aquilo que está, de certa forma, “destinado” a acontecer, em relação à entrada ou saída de capital de uma empresa.

Assim sendo, a DRE serve para nortear os investidores, o mercado, e até mesmo a própria companhia e seus colaboradores, no que diz respeito à evolução ou não das vendas, receitas, despesas, custos.

Ou seja, aos resultados operacionais, como um todo, do empreendimento em questão.

Portanto, ao analisar este documetno é possível constatar, do ponto de vista da saúde empresarial e em termos de durabilidade no mercado, como foi, como está sendo e, ainda, como será o desempenho de sua gestão no que diz respeito a geração de valor aos acionistas daquele negócio.

Contudo, é importante e muito recomendável que, de maneira conjunta à DRE, se analise, também, a Demonstração do Fluxo de Caixa.

Essa recomendação é muito relevante para se constatar a compatibilidade das vendas de determinada empresa com os seus respectivos recebimentos provenientes dessas operações.

De que adianta uma companhia vender em grande quantidade, se o capital não entrar, de fato, no caixa da companhia o quanto antes?

Conclusão sobre a Demonstração do Resultado do Exercícioconclusão demonstração do resultado do exercício

De acordo com as definições a respeito dessa importante ferramenta contábil, fica coerente concluir que, não só para empresas, mas para a vida particular de toda pessoa, uma boa execução, gestão e, principalmente, interpretação de uma DRE pode fazer total diferença ao longo do tempo.

Contudo, é importante destacar que a análise da Demonstração do Resultado do Exercício não deve ser feita, em hipótese alguma, de maneira isolada no âmbito de uma análise de desempenho de uma empresa. Haja vista que, conforme mencionado, o regime de competência, quando não levado em consideração, pode proporcionar inúmeras surpresas, um tanto quanto desagradáveis, a investidores que não se atentarem a suas peculiaridades.

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Rodrigo Wainberg

Rodrigo Wainberg

Profissional aprovado no Level III da certificação CFA, investidor em ações há 6 anos, possui registro de Analista e Consultor de Valores Mobiliários, e é Bacharel em Física pela UFRGS.