deflacao
Por: Tiago Reis

O que é deflação e quais as suas consequências para a economia

Seria ótimo se toda vez que você fosse no mercado, os preços estivessem mais baixos do que na sua última compra, não é mesmo?

A primeira impressão é que, com isso, você poderia comprar mais coisas ou mesmo investir o dinheiro que restasse em ações ou de qualquer outra forma.

Esse fenômeno tem um nome: deflação.

Mas, na prática, ela não é tão boa assim. Se persistir por por mais do que alguns meses, a deflação pode levar à recessão econômica, e as consequências podem ser piores para a economia do que a própria inflação.

No Brasil, o índice é medido pelo IPCA, do Banco Central.

Economicamente, deflação significa o aumento no valor do dinheiro, causado principalmente por uma demanda agregada menor do que a oferta potencial.

Como o dinheiro passa a valer mais mês após mês, a tendência é que os investimentos se reduzam, já que ele não precisa ser empregado para trazer retorno aos investidores.

Com menos investimentos, a demanda também diminui e, por consequência, os preços continuam a cair.

Agora vamos pensar nos juros. A deflação aumenta o chamado “juro real”, que é a diferença entre a inflação e a taxa de juros.

Com um juro real alto, as famílias usam mais de sua renda para pagar juros, o que reduz a liquidez e deixa menos para o consumo e investimentos.

Assim, por causa de todos esses fatores, é criado um ciclo muito difícil de ser quebrado sem uma intervenção do governo.

Consequências da deflação

consequencias-deflaçãoQuando se transforma em um ciclo vicioso, a deflação vira um problema estrutural. Isso traz algumas consequências graves para a economia do país:

  • Recessão
  • Desemprego
  • Quebra de empresas que não conseguem vender seus produtos
  • Aumento da informalidade
  • Queda na arrecadação pública

Economistas costumam classificar como deflação uma queda de preços generalizada – em bens e serviços – pelo período mínimo de um ano.

Como acabar com a deflação

deflacao-acabarA resposta parece simples: gerar inflação. Na prática, não é tão fácil assim.

Tudo depende da estrutura econômica do país. O primeiro passo, na maioria dos casos, seria aumentar a liquidez da moeda e uma das medidas seria imprimir mais dinheiro.

Mas nem sempre inundar o mercado com nova moeda acaba com o problema. Muitas vezes, a inflação gerada dura apenas alguns meses, o que exige outras medidas.

Esse é o caso do Japão, por exemplo, que enfrenta um problema crônico de deflação.

Com intenção de estimular o consumo, o Banco Central do Japão (BoJ) estabeleceu uma taxa de juros negativa de 0,1%. Ou seja, as pessoas perdiam dinheiro ao deixá-lo parado.

Títulos da dívida pública de longo prazo – 10 anos – são remunerados (ou não são) a 0%.

Também há a compra de mais de 700 bilhões de dólares – 80 trilhões de ienes – por ano. Tudo para aumentar a circulação da moeda. Todos os esforços são para atingir uma meta de inflação de 2% ao ano.

Inflação ou deflação?

deflacao-inflacaoEmbora as consequências macroeconômicas sejam parecidas, a maioria dos economistas diz que um cenário de hiperinflação é mais fácil de enfrentar do que uma deflação.

Isso porque existem mecanismos econômicos que funcionam melhor contra a esse primeiro cenário, como a correção monetária. Ela foi muito usada no Brasil até 1994, período em que os produtos ficavam cada dia mais caros nas prateleiras.

Por último, a deflação é diferente da desinflação, que ocorre quando a inflação baixa, mas fica ainda acima de 0%.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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