déficit público
Por: Tiago Reis

Déficit Público: o que acontece quando o governo gasta mais do que tem?

A regra mais trivial das finanças diz que não se deve gastar mais do que tem. Porém, nem sempre essa condição é respeitada pelo governo – o que causa uma situação conhecida como déficit público.

Ao contrário do superávit, o déficit público gera um grande impacto negativo na economia do país. Além de piorar a situação das contas do governo, sua existência pode resultar em endividamento, alta na taxa básica de juros, inflação e até mesmo desemprego.

O que é déficit público?

O déficit público ocorre quando um governo possui despesas maiores que suas receitas. Este termo é usado na economia para indicar quanto o governo precisa arrecadar a mais para saldar todos os seus gastos em um ano.

Ele surge de acordo com a necessidade financeira do governo, que precisa constantemente de recursos para custear seu funcionamento, cumprir suas funções sociais e pagar todas suas obrigações. Porém, se esse dinheiro é usado de forma irresponsável, acima da capacidade de arrecadação, as contas públicas entram em déficit.

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Normalmente, o seu valor é expresso percentualmente em relação ao PIB do país – permitindo a comparação entre diferentes períodos e situações.

A situação oposta (arrecadação maior que despesas) é chamada de superávit público.

Tipos de déficit público

O déficit público pode ser classificado de três formas diferentes:

Déficit primário

Ocorre quando apenas as despesas primárias são consideradas no cálculo do déficit. Não é considerado os gastos do governo com juros e correção monetária. O déficit primário mostra a diferença entre a arrecadação e gastos de funcionamento da máquina pública.

Déficit operacional

Ocorre quando as despesas primárias e o gastos do governo com juros são consideradas no cálculo do déficit. Não é considerada a correção monetária dos valores.

Déficit nominal

Ocorre quando todas as despesas e gastos do governo com juros são consideradas no cálculo do déficit, com o acréscimo de correção monetária. O déficit nominal representa, de fato, a diferença real entre despesas e receitas – já que contabiliza efetivamente tudo que o governo gastou.

Como calcular o déficit público?

A equação que define o déficit público é a seguinte:

  • Déficit público = resultado primário + variação patrimonial + variação monetária – serviço da dívida.

Onde:

  • Resultado primário: equivale ao gasto público (salários e despesas da máquina pública, investimentos, repasses do governo) menos a receita pública (arrecadação de impostos, taxas, tributos e dividendos de empresas públicas);
  • Variação patrimonial: expressa as compras (aquisição de bens e imóveis, estatizações) e vendas (privatizações) de ativos pelo governo;
  • Variação monetária: aumento ou diminuição de moeda circulante (base monetária) da economia. Está diretamente relacionada com a inflação do país;
  • Serviço de dívida: expressa os juros que são pagos pela dívida interna e externa do país.
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Consequências do déficit público para a economia

A consequência imediata do déficit público é um aumento da dívida pública – pois o governo terá que tomar dinheiro emprestado para saldar suas contas. Com a necessidade de aumentar a arrecadação, uma elevação na carga tributária também pode acontecer posteriormente.

Ou seja, indiretamente, a existência de um déficit público também impacta a atividade econômica do país. Seus efeitos geram uma queda na capacidade de investimento das empresas – afetando negativamente o nível geral de produção, emprego, renda e limitando o crescimento econômico do país.

Porque o governo deve evitar o déficit público?

Manter despesas em um nível menor que as receitas é essencial para manter o equilíbrio financeiro em qualquer situação. Quando se trata do dinheiro de todos os contribuintes, essa regra se torna mais importante ainda.

Por isso, o desejável é sempre buscar um resultado primário com superávit – que consiste na situação onde as receitas são superiores às despesas públicas.

A formação do superávit primário geraria uma “poupança” para pagar os juros da dívida pública e reduzir o endividamento do governo no médio e longo prazo.

Por outro lado, entrar em déficit público representa um aspecto muito negativo para o país, indicando a falta de responsabilidade financeira do governo e a contração de mais dívidas para cobrir o déficit.

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Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

11 comentários

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  • Franklin Santos Hora 5 de junho de 2019

    Particularmente penso que um estado Grande é também um grande fazedor de dívidas. Pois quando se compromete a realizar serviços sem gerar a correspondente receita ainda que possua boa reserva financeira no momento tende a gastar mais do que arrecada.

    Responder
  • Graciela fetter viscardi 7 de junho de 2019

    Manter despesas em um nível menor que as receitas é essencial para manter o equilíbrio financeiro em qualquer situação. Quando se tratada do dinheiro de todos os contribuintes, essa regra se torna mais importante ainda.
    Por isso,o desejável é sempre buscar um resultado primário com superávit -que consiste na situação onde as receitas são superiores as despesas publicadas.

    Responder
  • inácia Rodrigues de Sousa 8 de junho de 2019

    Sim um estado grande, é um grande fazedor de dividas, principalmente quando o governo gasta o dinheiro que arrecarda dos contribuintes,com serviços superfaturados, como acontece com as empresas que prestam serviços para o governo.com isso só aumenta o déficit público.

    Responder
  • Sandra Regina Gonçalves 9 de junho de 2019

    Tomando por exemplo o Brasil, aonde o déficit público sempre está à frente do que é arrecadado, principalmente agora, com um rombo gigante nas contas e dividendos, com fechamento de muitas indústrias, desemprego em massa, falta de arrecadação de impostos e subsequentemente de contribuições não pagas pelos trabalhadores desempregados junto ao INSS, faz com que a arrecadação seja insuficiente para manter as contas públicas em equilíbrio.
    O que seria desejável é cortar gastos desnecessários, adotar políticas públicas urgentes, como frentes de trabalho nas prefeituras, corte dos altos salários do alto comando e a redução de transporte de alimentos e produtos nas estradas aonde há superfaturamento de pedágios o que encarece os trabalhadores desta área e investimentos na malha ferroviária urgente, numa forma rápida e eficiente de transporte dos produtos agrícolas e demais, trazendo renda para todas as regiões e aos trabalhadores locais.

    Responder
  • sueli 27 de junho de 2019

    Importante informações para a população que não faz idéia dos juros e correção que pagam para tampar esse buraco

    Responder
  • Aniceto Joaquim 28 de setembro de 2019

    Digite seu comentário…o que o governo deve fazer para superar o déficit público?

    Responder
    • Vinicius 25 de abril de 2020

      matar a população de fome

      Responder
    • Inaldo F Barreto 17 de maio de 2020

      Nessa crise o governo nem sabe o que fazer…Vai ficar pendurado um déficit como uma espada no pescoço do contribuinte pelos próximos dez anos. Sem a reforma tributária vamos para o Caos. As empresas combalidas não suportarão a carga tributária e o desempreo junto com a quebradeira pode gerar Estagflação.

      Responder
  • adriana cristina ramos 17 de maio de 2020

    Onde receber

    Responder
  • Laidsane 30 de maio de 2020

    Muito interessante,como a economia é importante,e mau administrada traz consequências.

    Responder
  • Elisangela 26 de junho de 2020

    pra mim na minha opinião não gostava de economia,mais agora eu vejo como é de suma importância no nosso cotidiano e o que eu aprendi hoje me fez entender como um líder do governo não faz as coisas certas ele só pensa em si mesma e esquece daqueles que o elegeu para administrar o país ou estado e cidade comprometendo as finanças do país e assim deixando o país estado cidade no vermelho sem condições de seguir em frente ai vem outro com o pensamento de tirar o país do vermelho e só consegue afundar cada vez mais e com isso quem sofre somos todos nós trabalhadores com o aumento da sexta básica e outras coisas! E trago isso pra minha vida meu cotidiano tipo se eu ganho mil reais não devo gastar os mil reais mais gastar menos do que eu ganho pra que assim possa fazer um investimento financeiro e com isso não fico no vermelho.

    Responder
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