Acesso Rápido

    Debêntures: aprenda como investir nesses títulos de renda fixa

    Debêntures: aprenda como investir nesses títulos de renda fixa

    Quando a Taxa Selic, que é a taxa básica de juros da economia, alcança patamares mais baixos, muitos investidores procuram por opções mais rentáveis dentro do universo de investimento de renda fixa. E entre as alternativas mais buscadas estão as debêntures.

    Isso porque as debêntures são títulos de renda fixa atrelados à empresas. Por isso, são títulos considerados mais arriscados do que, por exemplo, os títulos do governo. Esse maior risco, portanto, oferece também uma maior rentabilidade financeira.

    O que são debêntures?

    As debêntures são títulos de dívida que uma Sociedade Anônima (S/A) possui com um investidor, sendo que eles podem ser de médio ou de longo prazo. E por investir nesses títulos, o credor da dívida passa a ter um direito de crédito na companhia emissora das debêntures.

    Esse direito de crédito poderá ser entendido com mais clareza ao avaliar quais são os tipos de debêntures. Mas, antes disso, é importante saber interpretar para o que servem esses títulos no ponto de vista da empresa e do investidor.

    Guia de Investimento em Renda Fixa

    Invista com segurança e rentabilidade: baixe gratuitamente o nosso ebook e conheça as principais opções de investimento em Renda Fixa!

    Parabéns! Cadastro feito com sucesso.

    Ops! Algo deu errado. Tente novamente.

    Afinal, para cada um desses agentes, as debêntures têm funções diferentes. Sendo que para a empresa elas são um mecanismo de levantar capital, enquanto para investidores são uma maneira de aplicar recursos com maior rentabilidade financeira.

    A seguir, um pouco mais sobre as debêntures no ponto de vista de uma empresa e de um investidor:

    Debêntures para empresas

    De forma simplificada, as debêntures para empresas são uma forma de financiamento. Isso porque, ao emitir o título, a companhia recebe, em contrapartida, os recursos de investidores interessados em aplicar seus recursos.

    Em outras palavras, a companhia vende uma promessa de remuneração de capital no futuro para investidores, recebendo, em contrapartida, os recursos desses aplicadores no presente. Ou seja, é uma forma de financiamento por meio de capital de terceiros.

    Afinal de contas, esse recurso levantado com a debênture será utilizado pela companhia para financiar sua operação. Seja para custear seus produtos ou serviços, para pagar funcionários ou até para quitar outras dívidas com terceiros.

    Debêntures para investidores

    Do outro lado, as debêntures para investidores são um mecanismo de remuneração de capital. Isso porque, ao adquirir um desses títulos, o aplicador entrega seu recurso a uma determinada empresa com a expectativa de receber, no futuro, uma remuneração por isso.

    E apesar de não ser uma aplicação de renda fixa tão conhecida, as debêntures têm recebido cada vez mais a atenção dos investidores. Afinal de contas, elas possuem um risco maior que proporciona, logicamente, um maior retorno por isso.

    Esse risco maior vem do fato das debêntures serem títulos privados de crédito emitidos, obviamente, por empresas. Ou seja, isso significa que o investidor fica à mercê do sucesso da companhia para receber seu recurso remunerado no vencimento do título.

    Isso ao contrário dos títulos públicos de renda fixa, que são os títulos emitidos pelo governo e aqueles mais seguros do mercado. Afinal, caso o governo brasileiro não tenha recursos para pagar os investidores, ele imprime dinheiro e paga, algo que não pode ser realizado por companhias privadas.

    Tipos de Debêntures

    Debêntures

    Apesar de todas serem títulos de crédito privado de renda fixa, existem alguns diferentes tipos de debêntures. Sendo que cada uma dessas modalidades os investidores estão sujeitos a regras distintas, o que faz com que conhecê-las seja fundamental.

    Por isso, os tipos de debêntures são:

    Debêntures Simples

    A primeira e mais comum forma de encontrar esse título de renda fixa é na forma das debêntures simples. Como próprio nome diz, essa modalidade é a mais básica desse tipo de investimento.

    Nela, os investidores emprestam recursos para determinada empresa, recebem um título com uma promessa de remuneração para, no futuro, gozarem dos rendimentos da aplicação financeira.

    Além disso, destaca-se que neste tipo de debênture a remuneração ao investidor é realizada em moeda corrente, no caso o Real. Pode parecer óbvio, mas existem debêntures em que a rentabilidade é entregue por meio de uma participação societária, sendo este o caso das debêntures conversíveis.

    Debêntures Conversíveis

    As debêntures conversíveis, diferente das simples, são aquelas que podem remunerar o investidor com uma participação societária, ao invés de com dinheiro. Por isso, elas são chamadas de conversíveis, porque é possível converter o título em ações da empresa.

    Neste caso, a companhia emissora da debênture não precisa desembolsar recursos para pagar os investidores. Na verdade, ela apenas converte o título em ações da empresa, sendo que esses papéis representam uma fração do capital social e da sociedade anônima.

    Com isso, ao invés de receber seu recurso aplicado com juros, o investidor de uma debênture conversível pode optar por receber uma pequena fração da sociedade (representada por um determinado número de ações) como forma de remuneração de seu capital.

    Com isso, esses ativos conversíveis são comumente interessantes para o investidor que enxergue uma potencial valorização do empreendimento ao longo do tempo. Então, destaca-se que a conversão poderá ser interessante dependendo do preço da ação na Bolsa de Valores.

    Debêntures Permutáveis

    Outro jeito de encontrar esse título é com a forma de debêntures permutáveis. Basicamente, esse tipo de investimento funciona de maneira análoga às debêntures conversíveis, pelo fato de ações poderem ser utilizadas como forma de remuneração do investidor.

    Contudo, a diferença é que no caso das permutáveis, as ações entregues como forma de remuneração daquele que investiu na debênture não são da própria empresa emissora. Isso significa que a conversão do título pode se dar por meio da entrega de papéis de outras companhias.

    Planilha de Controle de Investimentos

    Faça o controle completo das suas ações, FIIs e todos os seus investimentos com a nossa planilha gratuita de Controle de Investimentos!

    Parabéns! Cadastro feito com sucesso.

    Ops! Algo deu errado. Tente novamente.

    Debêntures Incentivadas

    Por fim, as debêntures incentivadas são aquelas que possuem, como o próprio nome diz, remuneração incentivada pelo governo, por meio da isenção de imposto de renda. Isso significa que, ao contrário dos outros tipos de debêntures, as incentivadas não incidem esse tributo sobre o rendimento do título.

    Essa isenção, então, é realizada pelo governo como forma de estimular o financiamento de determinadas áreas que carecem de investimento no Brasil. Principalmente, o setor de infraestrutura, ligado à construção, por exemplo, de estradas ou aeroportos.

    Com isso, companhias interessadas em investir nesse setor possuem um estímulo do governo. Afinal, a demanda de investidores por essas debêntures será maior, garantindo um recurso suficiente para o investimento.

    Além disso, como há a isenção de imposto de renda sobre o rendimento das debêntures incentivadas, a companhia também consegue, na maioria das vezes, reduzir o juro que será pago ao investidor. Afinal de contas, esse aplicador já possui a isenção de IR no ganho de capital estimulando o seu rendimento.

    Rentabilidade das Debêntures

    Debêntures

    Outro ponto que muitos investidores, claro, se questionam em relação a esse título de renda fixa diz respeito ao seu rendimento. Isto é, sobre qual seria a rentabilidade das debêntures.

    Como qualquer título de renda fixa, a rentabilidade de uma debênture dependerá, em primeira instância, da taxa de juros do país, a Taxa Selic. Então, quanto maior a taxa básica de juros do país, maior também tende a ser o rendimento dessa aplicação.

    Contudo, vale destacar que a rentabilidade da debênture está diretamente ligada ao risco e à solidez financeira da empresa. Afinal de contas, o investidor desse tipo de título está se expondo ao risco de crédito da empresa para a qual está emprestando seu recurso.

    Então, quanto mais arriscada e quanto menos sólida financeiramente uma companhia, maior será a rentabilidade das suas debêntures emitidas. Por outro lado, quanto mais sólida e saudável financeiramente a empresa, menor a rentabilidade do título.

    Em outras palavras, como em qualquer outro investimento, a máxima se mantém:

    • Quanto maior o risco, maior o retorno; e;
    • Quanto menor o risco, menor o retorno.

    Além disso, vale destacar que a rentabilidade das debêntures pode ser oferecida para o mercado de diferentes modos. É por isso que existe a remuneração com taxas pós-fixadas, pré-fixadas e híbridas.

    Debêntures Pós-fixadas

    As debêntures pós-fixadas fazem parte do primeiro modelo desse título que pode ser investido por investidores no mercado. Nessa modalidade, o rendimento do investidor estará relacionado a um indexador externo do mercado, como o CDI (Certificado de Depósito Interbancário).

    Então, a taxa contratada sempre dependerá da variação desse indicador. Por exemplo:

    • 100% do CDI;
    • 120% do CDI;
    • 140% do CDI.

    Por isso, quanto maior a variação desse indexador exógeno, maior será o rendimento da aplicação. Além disso, vale destacar também que normalmente a rentabilidade das debêntures pós-fixadas varia ao longo do tempo.

    Afinal de contas, o indexador do título não é fixo, podendo sofrer grandes oscilações ao longo do tempo e alterar a rentabilidade da debênture. Mas para investidores que não gostam dessa variação, há outra opção: as debêntures pré fixadas.

    Debêntures Pré Fixadas

    As debêntures pré fixadas, como foi colocado, são títulos que possuem rentabilidade fixa, isto é, pré fixada na hora da aplicação. Por isso, a remuneração do investidor que aplica seu recurso neste tipo de debênture não se altera ao longo do tempo, não dependendo de nenhum indicador externo.

    Minicurso: Aprenda a Investir em Dividendos

    Inscreva-se no nosso minicurso online gratuito sobre investimento em dividendos mais acessado do Brasil e junte-se a mais de 10.000 Alunos!

    Parabéns! Cadastro feito com sucesso.

    Ops! Algo deu errado. Tente novamente.

    Então, a rentabilidade dessas debêntures é encontrada da seguinte maneira:

    • 5% ao ano;
    • 8% ao ano;
    • 10% ao ano;
    • 12% ao ano.

    Como pode ser observado, a rentabilidade é fixa e predeterminada. Isso significa que independentemente da alteração da Taxa Selic ou de qualquer outro indexador externo, a remuneração do investidor se mantém a mesma.

    Debêntures Híbridas

    Por fim, existe outra forma de remuneração desses títulos, que é a rentabilidade das debêntures híbridas. E como o próprio nome diz, a taxa neste caso é híbrida, possuindo uma parte pós-fixada e outra pré fixada.

    Isso significa que a remuneração desses títulos terá uma parte que é determinada na hora da aplicação e outra parte que dependerá de um indexador externo. Por isso, a rentabilidade pode ser apresentada da seguinte forma:

    Como pode ser observado, uma parte do rendimento da debênture híbrida depende de um indexador externo, como o CDI, o IPCA ou ou IGP-M. Contudo, outra parte é fixa e predeterminada, não se alterando até o vencimento do título.

    Custos das Debêntures

    Debêntures

    Apesar de conhecer a rentabilidade seja importante, vale destacar que é fundamental também saber quais são os custos das debêntures. Afinal de contas, os encargos devem ser sempre considerados antes de realizar qualquer investimento.

    Por isso, a seguir será possível conferir um pouco mais sobre a tributação das debêntures e também sobre quais taxas esse investimento está sujeito.

    Tributação das Debêntures

    A primeira atenção que os investidores devem ter diz respeito à tributação das debêntures. Afinal de contas, nenhum investidor gostaria de ficar sabendo sobre os tributos que devem ser pagos apenas na hora do vencimento do título, quando o imposto é recolhido.

    Portanto, vale destacar que as debêntures sofrem a incidência do imposto de renda sobre ganho de capital, conforme a tributação da renda fixa. Isto é, sobre o rendimento bruto que o investidor obteve até o vencimento do seu título.

    E para saber quanto deverá ser recolhido como imposto, basta conferir a tabela regressiva de imposto de renda. Sendo que a alíquota de recolhimento de tributo será de:

    • 22,5% para investimentos até 6 meses;
    • 20,0% para investimentos entre 6 meses e 1 ano;
    • 17,5% para investimentos entre 1 ano e 2 anos;
    • 15,0% para investimentos superiores a 2 anos.

    Com base nessa regra, é possível concluir que quanto maior o prazo do investimento, menor será o recolhimento de imposto de renda sobre o ganho de capital. E quanto menor o prazo, mais tributo o investidor deverá pagar.

    Além disso, vale destacar que tanto a tributação quanto as alíquotas apresentadas acima não valem para as debêntures incentivadas. Afinal de contas, como foi colocado, elas possuem o incentivo fiscal da isenção de IR.

    Taxas das Debêntures

    Além da tributação, é fundamental que todo investidor também tenha conhecimento sobre quais são as taxas das debêntures. Isto porque muitas instituições podem cobrar encargos dos investidores que aplicam neste tipo de investimento de renda fixa.

    Basicamente, as taxas que os investidores podem estar sujeitos nas debêntures são:

    1. Comissões

    As comissões são um dos maiores custos que um investidor pode ter ao aplicar seu dinheiro em uma debênture. Afinal, algumas instituições financeiras, principalmente os grandes bancos de varejo, podem cobrar percentuais sobre o valor investido.

    Então, quanto maior o recurso aplicado, maior a comissão que será cobrada no momento da aplicação. Então, no caso de uma comissão de 1%:

    • 1000,00 reais investidos: R$10,00 de comissão;
    • 1000,00 reais investidos: R$100,00 de comissão;
    • 1000.000,00 reais investidos: R$10.000,00 de comissão.

    Note que, obviamente, quanto maior o valor aplicado, maior também a comissão que pode ser cobrada pela instituição financeira. Por isso, é preciso ficar atento para não desprender muito recurso com esse tipo de taxa.

    2. Taxa de corretagem

    Outra taxa que os investidores estão sujeitos ao investir em debêntures são as taxas de corretagem. Normalmente, esse encargo possui valor fixo e é cobrado sempre que o investidor negociada uma debênture, seja comprando ou vendendo.

    No caso de uma taxa de corretagem de 20 reais, por exemplo, o investidor pode precisar de pagar 40 reais ao longo do seu investimento em uma debênture. Afinal, pagará vinte no momento da aplicação e mais vinte na hora de uma eventual venda do título.

    Neste caso, para um investidor que possui menos recursos, esse valor pode ser significante. Por exemplo, no caso de uma aplicação de R$1.000,00, esse valor corresponde a 4% do capital total investido.

    Por outro lado, para investidores capitalizados, a taxa de corretagem pode não ser tão significante assim, sendo uma forma muito mais econômica do que uma eventual comissão de 1% sobre o valor investido.

    3. Taxa de custódia

    Por fim, outro custo das debêntures que pode existir são as chamadas de taxa de custódia. Apesar de ser um encargo que vem sendo eliminado pela maior parte das instituições financeiras, algumas organizações ainda insistem em mantê-lo.

    Basicamente, essa taxa funciona como uma mensalidade que a instituição cobra simplesmente para custodiar o investimento. Isto é, para mantê-lo registrado. Então, mês a mês um determinado valor é debitado da conta do investidor para manter essa custódia.

    Aconselha-se, portanto, que investidores tentem evitar ao máximo as instituições que cobrem essa taxa para manter a custódia do título. Afinal, para uma debênture de 3 anos, por exemplo, o investidor poderá acabar pagando 36 “mensalidades” apenas para manter seu investimento registrado. Isto, sem dúvida, impactará o seu rendimento na aplicação.

    Prazos e resgates das Debêntures

    Debêntures

    Outro ponto fundamental de ser compreendido diz respeito aos prazos e resgates das debêntures. Afinal, quando se fala de dinheiro, todos querem saber por quanto tempo o recurso será aplicado e como funciona o seu resgate.

    Vencimentos das Debêntures

    O primeiro ponto que deve ser observado pelo investidor na hora de aplicar seu dinheiro nesses títulos se refere aos vencimentos das debêntures. Isso porque o prazo de aplicação de cada título pode ser muito diferente, dependendo de cada emissão.

    Neste sentido, vale destacar que a maior parte das debêntures possuem vencimento superior a 2 anos. Contudo, existem casos em que esse prazo pode ser de 5 ou até de até 10 anos até o vencimento.

    Isso faz muito sentido, porque o recurso emprestado pelos investidores para determinada empresa podem ser utilizados para novos projetos, por exemplo. Nesse caso, o tempo até o payback (retorno do capital investido) pode ser longo, fazendo com que a companhia precise de um maior prazo para realizar o pagamento aos detentores dos seus títulos de dívida.

    Liquidez das Debêntures

    É perfeitamente possível, por exemplo, que determinado investidor aplique em uma debênture de prazo mais longo, como de 5 ou 10 anos, e precise do seu recurso antes do investimento. Por isso, todo aplicador desse título precisa conhecer a liquidez das debêntures.

    Como foi colocado, as debêntures, na maioria das vezes, possuem prazo de vencimento longo, acima de dois anos. Durante esse período, as companhias ficam protegidas de acordo com a Escritura do título, a qual reserva o direito da empresa de apenas fazer o pagamento aos investidores no vencimento do título.

    Afinal, imagine se determinada companhia capta recursos junto ao mercado para um projeto, aloca esse capital em ativos imobilizados e, após um ano do investimento, os debenturistas solicitam todo o recurso emprestado de volta. Sem dúvida isso prejudicaria muito a empresa, que possivelmente não teria capital para reembolsar seus credores.

    Por isso, a liquidez (facilidade de transformar um ativo em dinheiro) do recurso aplicado nas debêntures é baixa, ficando disponível para os aplicadores apenas no vencimento do título. Contudo, há uma possibilidade de recuperar o capital investido, que é vendendo a debênture no mercado secundário.

    Nesse mercado, o debenturista pode vender seu título de crédito para outro investidor, que compra essa debênture “no meio do caminho”. Contudo, vale destacar que o preço de venda dependerá da marcação a mercado e da demanda de investidores pelo título.

    Isso significa que é perfeitamente possível que um investidor tenha prejuízo ao se desfazer antecipadamente de seu título antes do vencimento. Por isso, o aconselhável é sempre investir em debêntures com prazos compatíveis com o horizonte de investimento do aplicador.

    Pagamento de cupom das debêntures

    Outro detalhe importante de ser conhecido é sobre o pagamento de cupom das debêntures. Sendo que algumas delas podem ter esses cupons periódicos, enquanto outras não. Basicamente:

    • Debêntures com cupom: a companhia emissora pode pagar parcelas de juros ou de amortização da dívida ao longo do período do título;
    • Debêntures sem cupom: todo o juro e toda a amortização do valor devido pela empresa é realizado de uma só vez, na data de vencimento do título.

    Riscos das Debêntures

    Debêntures

    Antes de investir em qualquer debênture, todo investidor deve estar ciente de quais riscos está correndo. Afinal de contas, como foi colocado, os riscos das debêntures dependerá sempre do risco de crédito da companhia emissora.

    Por isso, é preciso não cometer o erro de comparar apenas a rentabilidade oferecida por diferentes debêntures. Isto porque não necessariamente um título com rendimento maior é melhor do que outro com remuneração inferior.

    A companhia de telecomunicações Oi (OIBR3), por exemplo, emitiu nos anos de 2019 e 2020 algumas debêntures com rendimentos muito altos. Na emissão de dezembro de 2019 a companhia chegou a emitir títulos com taxas superiores a 1% ao mês, como pode ser observado abaixo:

    Debênture

    Como pode ser observado, a companhia estava prometendo altas taxas nessa emissão de debêntures, a qual pretendia arrecadar 2,5 bilhões de reais. Contudo, vale destacar que a empresa está em recuperação judicial. Ou seja, o risco desse investimento é alto, sendo que existe a chance da impossibilidade de pagamento.

    Por isso, para orientar investidores na avaliação dos riscos de uma debênture, há a necessidade de avaliar os ratings das debêntures. Sendo que essa classificação ajudará na compreensão dos riscos de cada título.

    Ratings das Debêntures

    Os ratings das debêntures são, sem dúvida, a melhor forma dos investidores entenderem qual o nível de risco de cada título disponível no mercado. Isso porque o rating fornece uma nota de risco que serve para orientar a tomada de decisão de investimento de cada aplicador.

    Além disso, vale destacar que essa nota é atribuída para cada título por uma agência de rating. Ou seja, a própria emissora do título não influencia nessa tomada de decisão do rating da sua debênture.

    Abaixo, é possível conferir, por exemplo, as notas de rating atribuídas à Oi. Sendo que essa informação fica disponível no próprio site de relação com investidores da companhia:

    Garantias das Debêntures

    Como foi colocado, os títulos emitidos pelas empresas possuem uma remuneração que é proporcional ao risco de cada empresa. Por isso, companhias mais saudáveis financeiramente conseguem captar recursos no mercado com títulos com remuneração menores. Ao passo que empresas não tão sólidas assim precisam aumentar as taxas para conseguir levantar capital.

    Mas, além disso, há outro ponto que acaba influenciando – e muito – na forma e na remuneração dos títulos, que são as garantias das debêntures. Abaixo, um pouco mais sobre os tipos de garantias das debêntures:

    1. Garantia Real

    A primeira forma de garantia da debênture é por meio de uma garantia real. E como o próprio nome diz, nessa modalidade de garantia, o recurso dos debenturistas é protegido por ativos reais da emissora.

    Portanto, esses ativos não podem ser negociados pela companhia emissora dos títulos, como forma de justamente garantir os recursos dos investidores. Afinal, caso a empresa não consiga arcar com o pagamento dos títulos, os debenturistas estão garantidos por um determinado ativo real.

    E-book: Invista como Warren Buffett

    Baixe gratuitamente o nosso ebook e aprenda os conceitos por trás da estratégia de Warren Buffett, o maior investidor de todos os tempos!

    Parabéns! Cadastro feito com sucesso.

    Ops! Algo deu errado. Tente novamente.

    2. Garantia Flutuante

    A segunda forma de proteção dos debenturistas é a garantia flutuante, que é mais branda que uma garantia real. Nessa modalidade, os investidores dos títulos emitidos também são garantidos por ativos da emissora. Contudo, não há uma proibição no que diz respeito à negociação desses ativos pela empresa.

    Isso significa que a  garantia flutuante apenas dá o privilégio geral sobre os ativos do emissor, mas concorrendo em igualdade com outros interessados, como colaboradores, fornecedores e outros credores.

    3. Garantia Quirografária

    Em terceiro lugar, há também a garantia quirografária de uma debênture. Neste caso, os debenturistas não possuem qualquer preferência sobre os ativos da empresa. Por isso, no caso de essa vir à falência, os investidores deverão concorrer com todos os outros credores (por exemplo, fornecedores) em iguais condições.

    4. Garantia Subordinada

    Por último, há ainda o tipo de garantia subordinada. Nela, o debenturista ainda possui alguma preferência no recebimento do seu recurso, no caso de falência da empresa. Afinal, a garantia subordinada garante o ressarcimento do investidor antes dos acionistas da companhia.

    Vantagens das Debêntures

    Depois de conhecer mais sobre quais são os tipos de debêntures, sobre como funcionam os rendimentos e também sobre quais são os riscos desse investimento, muitos podem ainda ficar com uma dúvida. Isto é, quais são as vantagens das debêntures.

    1. Maior rentabilidade

    A primeira vantagem da debênture está na maior rentabilidade que esses títulos oferecem em relação a outros títulos de renda fixa. Por isso, via de regra, ao investir em uma debênture, o investidor terá um rendimento superior a outras aplicações de renda fixa, como:

    Em primeiro lugar, essa maior rentabilidade vem do fato das debêntures possuírem um risco maior que essas outras aplicações de renda fixa. E quanto maior o risco, maior também o retorno.

    Contudo, há uma outra questão. É o fato de que as emissoras dos títulos conseguem pagar mais para os investidores porque não estão levando recursos com instituições financeiras, que costumam cobrar taxas muito altas.

    Por isso, ao invés de pegar um empréstimo a uma taxa, por exemplo, de 12% ao ano em um banco, uma companhia pode tentar levantar o recurso junto ao mercado por meio de debêntures com uma taxa, por exemplo, de 10% ao ano.

    Neste caso, os dois lados (empresa e investidor) saem na vantagem. Afinal, não há um intermediador no meio da operação. Então, a empresa consegue pagar menos juros e, ao mesmo tempo, o investidor consegue obter ganhos maiores.

    2. Diversificação

    Outra vantagem das debêntures que não pode ser deixada de lado é a diversificação dos investimentos. Afinal, essa é mais uma modalidade de aplicação disponível dentro da gama dos investimentos em renda fixa.

    Por isso, ao investir em debêntures, o investidor está ampliando sua carteira e reduzindo riscos de concentrar seus investimentos em poucas aplicações.

    Desvantagens das Debêntures

    Apesar de possuir suas vantagens, as debêntures possuem também, assim como qualquer investimento, seus pontos negativos. Por isso, antes de investir nesses títulos, é preciso que todo investidor esteja ciente de quais são as desvantagens das debêntures.

    1. Menor liquidez

    A primeira desvantagem da debênture é a menor liquidez que essa aplicação possui. Isso porque, como foi colocado, a maior parte dos títulos possuem vencimento superior a 2 anos, sendo que alguns podem chegar até mais de 10 anos.

    Por isso, a liquidez do capital investido é baixa, tendo o investidor acesso ao recurso investido apenas no vencimento do título. A única alternativa, contudo, para conseguir acessar o capital antecipadamente, é a venda do título no mercado secundário. Todavia, como foi colocado, essa operação não é simples e pode gerar, inclusive, prejuízo.

    2. Possibilidade de repactuação

    Outra desvantagem da debênture é a possibilidade de repactuação que os títulos podem ter, sendo que isso deve estar previsto em sua escritura. Neste caso, a emissora pode ajustar as condições do título na hipótese de mudança do cenário e do mercado.

    Então, caso uma empresa tenha emitido títulos com uma taxa muito alta e na hipótese do juro do mercado reduzir muito em determinado período, a emissora poderá solicitar uma repactuação e uma alteração das condições da debênture, as quais foram definidas no momento da sua emissão.

    Com isso, investidores que realizaram a aplicação por conta, justamente, das condições da emissão, podem sair prejudicados. Portanto, vale a pena sempre observar se a debênture disponível possui a possibilidade de repactuação em sua escritura.

    3. Risco e retorno

    Outra desvantagem das debêntures que é levantada por especialistas diz respeito a uma relação risco e retorno desfavorável para o debenturista. Isto pelo fato de essa aplicação ter rendimento de renda fixa com risco de renda variável.

    Em outras palavras, a remuneração do investidor segue a regra e o costume das aplicações de renda fixa. Contudo, o risco do investimento acaba sendo muito parecido com o risco da renda variável, que é o daquele que compra ações da empresa pela Bolsa de Valores.

    Por isso, na visão de alguns, ao invés de aplicar o recurso em uma aplicação de renda fixa mais arriscada e com horizonte de longo prazo, seria melhor comprar ações da empresa de uma vez. Afinal, o rendimento dos sócios da companhia é, na maioria das vezes, maior do que dos se seus credores.

    Como Investir em Debêntures?

    Debêntures

    Depois de conhecer como esse investimento funciona e de saber quais são suas vantagens e desvantagens, uma pergunta pode surgir: mas como investir em debêntures? E, neste sentido, o investidor deve seguir o passo a passo abaixo:

    1. Abrir conta em uma corretora

    O primeiro passo para investir em uma debênture é abrir conta em uma corretora de valores, como forma de reduzir os custos e de possuir uma maior gama de possibilidade de investimentos.

    Isso porque, na grande maioria das vezes, as corretoras oferecem taxas menores, ou até a isenção de taxas, para o investimento em debêntures. Então, o investidor não precisará se preocupar com o quanto de encargo está pagamento para realizar a sua aplicação.

    Além disso, na maioria das vezes as corretoras possuem uma maior variedade de títulos disponíveis. Com isso, o debenturista poderá ter mais opções para analisar e para investir seu capital.

    2. Transferir os recursos

    O segundo passo para investir em debêntures é, claro, transferir os recursos para a conta da corretora. Assim, o investidor terá o capital disponível em sua conta para aplicar em uma determinada debênture oferecida ao mercado.

    3. Escolher a debênture

    Em terceiro lugar, depois de transferir o recurso para investir, os investidores devem, claro, escolher qual debênture irão investir. Para isso, é preciso avaliar, por exemplo:

    • Objetivo do investidor;
    • Prazo de investimento;
    • Risco da emissora;
    • Rendimento oferecido.

    Depois de avaliar os pontos acima, o investidor terá mais clareza sobre qual título investir. Ou seja, naquele que se encaixa melhor no seu objetivo, em termos de risco, prazo e rendimento pretendido.

    4. Aplicar e aguardar

    Por fim, o último passo é confirmar a aplicação e, claro, aguardar. Afinal, como foi colocado anteriormente, as debêntures são investimentos que possuem, via de regra, prazos de vencimentos longos.

    Por isso, é preciso estar focado no longo prazo, ter paciência e aguardar o vencimento do título. Após isso, então, o debenturista terá acesso ao capital investido com o devido rendimento e remuneração.

    Minicurso: Valuation e Precificação de Ativos

    Inscreva-se no nosso minicurso gratuito de Valuation e aprenda os principais conceitos sobre como avaliar ativos e empresas do jeito certo!

    Parabéns! Cadastro feito com sucesso.

    Ops! Algo deu errado. Tente novamente.

    Vale a pena investir em Debêntures?

    Por fim, a pergunta final que não cessa é: mas enfim, será que vale a pena investir em debêntures?

    Infelizmente, não há uma resposta pronta para essa pergunta. Afinal de contas, em alguns casos esse investimento pode, sim, valer a pena. Contudo, em outros casos, aplicar em debêntures pode não ser tão interessante assim.

    Por isso, é preciso que os investidores estejam sempre atentos a algumas questões, como:

    • Qual o objetivo do investimento?
    • Qual o prazo do investimento?
    • Quanto de risco quero expor o capital?
    • Qual remuneração pretendo obter?

    Respondendo essas e outras perguntas, o investidor conseguirá determinar se investir em debêntures ou em determinados títulos específicos vale ou não a pena. Mas, para isso, é preciso, claro, conhecer bem esses títulos, sabendo como ele funciona, quais seus riscos, garantias, vantagens e desvantagens.

    E então, conseguiu conhecer e entender mais sobre as debêntures? Deixe abaixo suas dúvidas e comentários sobre esses títulos de renda fixa.

    Perguntas frequentes sobre Debêntures
    As debêntures são títulos de crédito privado emitidos por sociedades anônimas (S/A) para o mercado em geral. Basicamente, é uma forma de grandes companhias se financiarem por meio do capital de terceiros, remunerando estes por isso.
    Os tipos de debêntures são: simples, conversíveis, permutáveis e incentivadas. Para cada um desses tipos de debêntures existem regras de remuneração, conversão e tributação diferentes.
    O quanto rende uma debênture dependerá sempre do risco da empresa emissora. Por isso, quanto maior o risco, maior o retorno, e; quanto menor o risco, menor também a remuneração do investidor.
    O investimento em debêntures funciona de forma com que fundos de investimentos, empresas e pessoas físicas possam emprestar recursos diretamente para sociedades anônimas (S/A). Sendo que essas companhias remuneram seus debenturistas para utilizar de seu recurso ao longo do tempo.
    Os riscos de investir em debêntures estão ligados aos riscos do não pagamento do recurso emprestado para a companhia emissora dos títulos. Por isso, quanto maior o risco da emissora, maior será a remuneração das debêntures emitidas.

    Bibliografia para Debêntures

    https://web.bndes.gov.br/bib/jspui/bitstream/1408/13462/2/RB%2003%20Deb%C3%AAntures_Um%20Instrumento%20Moderno%20de%20Aplica%C3%A7%C3%A3o%20e%20Capta%C3%A7%C3%A3o%20de%20Recursos_P_BD.pdf

    http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/6506/1/td_2158.pdf

    https://congressousp.fipecafi.org/anais/artigos162016/182.pdf

    http://www.cvm.gov.br/export/sites/cvm/legislacao/instrucoes/anexos/200/inst281consolid.pdf

    http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12431.htm

    Tiago Reis
    Compartilhe sua opinião
    Nenhum comentário

    O seu email não será publicado. Nome e email são obrigatórios *