Custo marginal
Por: Tiago Reis

O que é custo marginal e como esse conceito é usado na produção econômica?

Analisar os custos em uma operação é de suma importância para melhorar constantemente a eficiência de todo a produção. Porém, muito além da contabilidade, é preciso também entender as implicações econômicas envolvidas nesse processo. Dentre elas, uma das principais é a análise do custo marginal.

Amplamente estudada pela microeconomia, o custo marginal é uma relação matemática que visa encontrar um ponto ótimo, onde o custo de produzir mais uma unidade seja igual ao custo médio total da produção inteira. Dessa forma, o cálculo mostra qual em qual quantidade o produtor é mais eficiente.

O que é custo marginal?

De acordo com a microeconomia, custo marginal é a mudança ocorrida no custo total quando se aumenta ou diminui a produção total de bens ou serviços em uma unidade. Ou seja, ele representa o custo individual da última unidade produzida – e assim sucessivamente, a medida em que forem produzidas mais ou menos bens ou produtos.

De acordo com a Lei dos Rendimentos Marginais Decrescentes, a tendência é que, a partir de um ponto, os custos marginais sejam crescentes com produção de mais unidades, e decrescentes assim que produção se tornar menor. Isso acontece porque, em certo ponto do arranjo produtivo, para conseguir mais unidades é necessário acrescentar cada vez mais insumos e fatores de produção no processo.

Como o custo marginal é calculado?

Matematicamente, o custo marginal é igual a variação do custo total sobre a variação da quantidade total produzida. Ou seja, a fórmula do custo marginal é a seguinte:

  • Cmg = ∆CT/∆Q;

Onde:

  • Cmg = Custo Marginal;
  • ∆CT = Variação do Custo Total;
  • ∆Q = Variação da Quantidade Produzida.

Como o custo marginal é representado graficamente?

Ou seja, em um gráfico, a curva que representa os custos marginais é uma parábola côncava (voltada para baixo). Logo, no ponto mínimo de curva, está o número de bens produzidos onde o custo marginal é mínimo. Dessa forma, o custo começa decrescente, atinge o valor mínimo, e depois vira uma linha crescente.

A trajetória dessa curva, que começa decrescente e termina crescente, é explicada por dois fatores. Na primeira fase, o custo marginal cai devido a diluição dos custos fixos em mais unidades. Porém, na segunda fase, a partir do ponto mínimo, a lógica que passa a valer é a da Lei dos Rendimentos Decrescentes.

Custo marginal

Gráfico mostrando a curva de custo marginal.

Relação entre custo marginal e custo médio

Enquanto o custo marginal é relaciona as variações de custo e quantidades produzidas, o custo médio é a razão absoluta entre custo total e produção. Ou seja, dessa forma, quando o custo marginal for menor que o custo médio, isso signifca que a operação está lucrativa. Porém, ao adicionar mais unidades, o custo médio vai se reduzindo – até que esse se iguale, em algum ponto, ao seu equivalente marginal.

Logo, quando os dois custos são iguais, encontra-se o ponto onde a produção oferecer o menor custo médio possível. Esse ponto, conhecido como limiar de rentabilidade, é ponto onde o processo produtivo atinge sua maior eficiência.

Entendendo o custo marginal zero

Em alguns casos, o custo marginal para se produzir e disponibilizar ao mercado uma unidade a mais do seu bem ou serviço é baixíssimo. Nesse caso, pode-se dizer que produção atingiu o patamar de custo marginal zero.

Essa situação é muito comum principalmente em mercados de escala, onde a produção possui um custo fixo extremamente maior quando comparado seu custo variável. Hoje em dia, um dos grandes responsáveis por criar negócios com custo marginal zero é a tecnologia e inovação, que conseguem criar processos tão intensivos e eficientes que acabam reduzindo o custo marginal a valores mínimos.

Um grande exemplo disso são os negócios digitais, que funcionam através da distribuição pela internet. Nesse caso, o produto ou serviço pode ser replicado infinitas vezes, sem custo adicional nenhum para o produtor.

Ao mesmo tempo, por não serem produtos físicos ou serviços presenciais, a sua distribuição se dá de forma totalmente virtual. Logo, o valor que o produtor gasta para produzir uma unidade ou mil unidades do seu produto é praticamente o mesmo. Dessa forma, o seu custo marginal é nulo.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

1 comentário

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  • Pedro 29 de agosto de 2019

    Ótimo artigo. Tirou todas as minhas dúvidas acerca de custo marginal com um enfoque muito interessante para a Engenharia de Produção.

    Responder
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