crise financeira

Apesar de a taxa de lucro de bancos, como o Bradesco, continuar subindo, nos últimos anos as manchetes dos jornais brasileiras repetiam incessantemente a expressão “crise financeira”.

Empresas falindo, milhares de demissões, índices de desemprego cada vez maiores, desvalorização da moeda e o alto endividamento são sintomas de uma crise financeira.

Em termos gerais, crise financeira é a perda de valor de forma abrupta de ativos financeiros ou instituições, que dão origem a períodos de recessão econômica.

A última pela qual passamos a nível global foi a crise que eclodiu em 15 de setembro de 2008, quando as bolsas de valores de todo o mundo despencaram, pegando os investidores de surpresa.

Um marco importante desta época foi a falência do banco de investimentos Lehman Brothers, dos Estados Unidos. A instituição era uma das maiores do segmento.

Na época, vimos países europeus como a Grécia e a Espanha terem suas estruturas financeiras abaladas pelo impacto do tsunami de dívidas.

Neste caso, a crise financeira foi causada por uma espécie de calote coletivo, especialmente no setor imobiliário.

O problema ocorreu após um período de crédito facilitado, que levou até quem não tinha condições de arcar com os empréstimos a obterem esse aporte financeiro.

No entanto, as crises financeiras são, de certo modo, cíclicas, ocorrendo com certa periodicidade.

Crises financeiras na história

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Uma crise financeira pode ser causada por diversos fatores.

A mais famosa delas, a crise de 1929, teve início com a queda da produção norte americana, mas ficou mais conhecida pela quebra da bolsa de Nova Iorque.

O problema fez com que milhares de acionistas perdessem seu dinheiro em um piscar de olhos.

Este período, também chamado de “Grande Depressão”, gerou o caos econômico na maior parte do mundo.

Na Europa, que já sofria os efeitos da Primeira Guerra Mundial, viram os problemas financeiros se agravarem com a crise econômica e o início da Segunda Guerra Mundial.

Por falar em Primeira Guerra Mundial, ela foi a principal causadora da crise financeira.

Isso porque estes combates fizeram com que os Estados Unidos passassem a produzir e exportar mais produtos para a Europa, que estava focada na disputa por território e fontes de riquezas.

Com isso, gerou-se um otimismo capitalista que elevou o consumo a níveis nunca antes vistos, em um modelo de superprodução que, com o passar do tempo, tornou-se insustentável.

Apesar de o epicentro ter sido nos Estados Unidos, a crise financeira afetou quase todos os países do mundo.

Para tentar sair do buraco, o presidente norte americano Franklin Delano Roosevelt implementou, em 1933, o plano conhecido como New Deal.

A ideia era recuperar o mercado, até com uma maior da participação do Estado na geração de empregos.

Foi nesta época que o governo norte americano criou regras para beneficiar a população, como: salário mínimo, seguro-desemprego e seguro-aposentadoria.

Tanto que, para combater o desemprego, o governo investiu U$ 4 bilhões (na época) em obras públicas.

No entanto, o empurrão que faltava para os Estados Unidos sanarem sua crise veio com o início da Segunda Guerra Mundial, que gerou ainda mais demanda de trabalho.

Crises financeiras no Brasil

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Neste período da crise de 29, no Brasil, que sobrevivia basicamente da exportação do café, os estoques ficaram encalhados.

Tanto que, para evitar uma maior desvalorização do produto parado nos estoques, o então presidente Getúlio Vargas mandou queimar as sacas sobressalentes.

Com a crise, surgiu também a necessidade de uma industrialização urgente e, de certo modo, até atrasada.

Anos mais tarde, em meados de 1990, o Brasil se viu em meio a uma nova (e assustadora) crise.

Com a inflação galopante, as pessoas corriam ao supermercado para pegar o menor preço do dia e lutavam para conseguir colocar carne em suas panelas.

Por isso, em 1994, o então ministro da Fazenda do Brasil, no governo Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, mudou a moeda do país, criando o Plano Real.

O plano também incluía cortes de gastos públicos (uma das principais causas do problema econômico) e os impostos aumentaram para conter as contas do governo.

A medida, que tinha o objetivo de conter a inflação e estabilizar a economia, foi um sucesso.

A mais recente crise financeira brasileira

Por ainda basear muito da sua economia em commodities e pouco nos produtos com maior valor agregado, a economia brasileira tem ainda maior probabilidade de oscilação.

Em 2004, passamos pelo chamado “boom das commodities”, com o aumento de demanda e, consequentemente, de preços.

Este foi um período no qual o PIB brasileiro cresceu, minimizando os impactos da crise mundial de 2008.

A crise financeira mais recente no Brasil teve início em meados de 2014.

Estre as causas do problema são apontadas a queda do preço das commodities e a insegurança política vivida pelo país.

Novamente, milhares de pessoas perderam seus empregos, tanto na indústria, quanto no setor de serviços e no comércio.

Quem não foi demitido, viu seu salário diminuir ou estagnar, enquanto a inflação aumentava sem dó.

Alguns especialistas dizem que já saímos desta crise financeira, outros que ainda há um árduo caminho a percorrer. A nós, resta proteger nossas finanças e investi-las com sabedoria.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.