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    Crise econômica: o que é e como se proteger dos seus efeitos?

    Embora seja um tema que afeta a vida de todos, a maioria da população não conhece como funciona a dinâmica, as variáveis e os ciclos da economia. Apesar disso, sem dúvida a maior parte dela sente na pele quando uma crise econômica chega no país.

    Afinal, os diversos impactos que uma crise econômica pode gerar são sentidos no dia a dia da população, como no aumento dos preços, da pobreza e do desemprego. Mas o que é e como essa crise surge? E o que fazer com os investimentos nesses períodos de escassez?

    O que é crise econômica?

    Uma crise econômica é o período pelo qual uma determinada economia passa por uma retração da atividade econômica, medida pelo PIB (Produto Interno Bruto). Este indicador, por sua vez, mostra a soma dos produtos e serviços finais que foram produzidos.

    Por isso, quando o PIB retrai em determinado período em relação a outro, isso significa que a economia produziu (ofertou) menos riqueza. E, basicamente, essa redução do Produto Interno Bruto é justamente o que caracteriza uma crise econômica.

    Além disso, o PIB pode ser entendido pelo lado da demanda da economia, e não só pelo lado da oferta (produção). Isso significa que ele também pode ser calculado pela soma do:

    • Consumo das famílias;
    • Gastos do governo;
    • Investimentos das empresas;
    • Balança comercial líquida (exportações – importações).

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    Nessa ótica, fica simples entender como a economia é um sistema totalmente interligado. Isso porque, quando há uma redução da demanda (gastos) das famílias e do governo, as empresas passam a lucrar menos.

    Esse menor lucro faz com que as companhias tenham que reduzir suas operações, o que inclui a demissão de funcionários. Essas demissões, por sua vez, fazem com que a renda média da população reduza.

    Por fim, a redução da renda faz com que a demanda reduza mais ainda, intensificando esse ciclo de escassez. E apesar de ser um período conturbado e prejudicial para um país, as crises na economia fazem parte dos ciclos econômicos.

    Entendendo os ciclos econômicos

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    Como foi dito, as crises fazem parte dos ciclos econômicos que são naturais. Basicamente, as economias tendem a seguir a seguinte narrativa:

    1. Expansão econômica: período em que as taxas de juros estão em patamares mais baixos, quando há um estímulo para a produção e para o consumo (custo de oportunidade menor).
    2. Boom econômico: é o pico do ciclo econômico, quando a produção e o consumo atingem patamares máximos. Esse pico da atividade econômica geram desequilíbrios econômicos, como o aumento da inflação.
    3. Contração econômica: quando ocorre uma redução da atividade econômica, pelo aumento da taxa de juros para conter a inflação. Nesse período, o desemprego começa aumentar e gerar uma redução intensa do consumo.
    4. Recessão: ponto mais intenso da crise econômica, quando o desemprego e as taxas de juros se encontram em patamares altos e quando há uma sobra de capacidade produtiva.

    Esses ciclos econômicos são comuns no capitalismo e a sua existência é, inclusive, benéfica. Isso porque, muitas vezes, a bonança na economia pode ser gerada artificialmente por políticas keynesianistas do governo que contribuem para o aumento do PIB por meio do incremento nos gastos do governo.

    Contudo, essas políticas muitas vezes geram bolhas econômicas e distorções na economia. Então, quando a crise ocorre, há um estímulo para o aumento da produtividade e para uma alocação de recursos mais racional. Sendo que:

    1. Maior produtividade: para amenizar os impactos de uma receita menor durante a crise (demanda menor por produtos e serviços), as empresas acabam sendo mais produtivas. Para isso, reavaliam suas despesas e investimentos que, em tempo de bonança, normalmente são menos avaliadas.
    2. Alocação racional de recursos: durante crises, os impactos de maus investimentos são ainda mais severos. Por isso, nesses períodos há um movimento natural para uma alocação de recursos mais racional, naqueles projetos realmente viáveis e rentáveis.

    Qual a diferença entre recessão e depressão?

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    Ao aprofundar mais sobre as crises econômicas, é possível notar que há uma diferença de avaliação desses crises entre recessões e depressões. Então, muitas pessoas se questionam: mas qual a diferença entre recessão e depressão?

    De maneira geral, cada uma delas procura demonstrar a duração da retração econômica. E, nesse sentido, é possível diferenciá-las da seguinte maneira:

    Recessão econômica

    Uma recessão econômica acontece quando há um período de retração generalizada da atividade e produção da economia. Mas, para que um país seja enquadrado nessa terminologia, é preciso que a retração do Produto Interno Bruto ocorra por dois trimestres consecutivos, independentemente da sua intensidade.

    Isso significa que uma economia que retrai -0,1% em um trimestre e -0,2% em outro está enquadrada em uma recessão da mesma forma que outra economia que retrai -3% e -5% em dois trimestres consecutivos.

    Essa é a chamada recessão técnica, que é utilizada por economistas para caracterizar economias em retração econômica. Como pôde ser observado, esse termo não busca necessariamente demonstrar a intensidade de uma crise. Na verdade, o objetivo é de caracterizar a sua duração.

    A crise econômica de 2008, nos Estados Unidos, por exemplo, durou cerca de 1 a 2 anos e, ao mesmo tempo, foi uma crise de grande intensidade. Sendo que ela foi caracterizada por ser uma recessão.

    Mas além das recessões, existem outros momentos em que as economias podem enfrentar retrações da atividade por períodos mais longos, que normalmente possuem maior intensidade. Sendo que essa é a depressão econômica.

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    Depressão econômica

    O termo depressão econômica existe para denominar recessões prolongadas, que se alastram na economia por mais de 2 anos. Por conta disso, toda depressão foi, um dia, uma recessão, que depois passou a ser considerada depressão pela sua longa duração.

    Normalmente, as depressões também costumam ter mais intensidade que as recessões. Isto é, o desemprego e a produção do país são extremamente impactados pela severa e duradoura crise.

    Quais são as causas de uma crise econômica?

    Em primeiro lugar, as causas de uma crise econômicas não são tão óbvias quanto parece. Isso porque, muitas vezes, a recessão é desencadeada justamente por políticas que foram implementadas para evitar a própria crise.

    Por exemplo, em alguns casos a inflação alta por causa de um aumento desenfreado do consumo pode vir a causar uma crise econômica. Para evitar essa crise o governo pode aumentar as taxas de juros do país, de forma a desacelerar o consumo.

    Contudo, a elevação da taxa pode ser mais impactante para a economia do que a inflação (alta dos preços). Já em outros casos, essa elevação da taxa de juros pode ser inclusive importante para evitar que a crise se inicie.

    Em outras palavras, as crises são desencadeadas por questões muito complexas e que envolvem diversas variáveis e políticas econômicas diferentes. Não é à toa que o tempo passa e o mundo continua observando novas recessões. Afinal, os contextos econômicos vão se alternando ao longo do tempo.

    Essa subjetividade não deve ser encarada de forma angustiada. Isto porque se soubéssemos exatamente quais são as causas de uma crise econômica, seria muito mais fácil de evitá-las.

    Apesar disso, uma questão que é sabida e que assombra os economistas e a população em relação às recessões diz respeito às consequências de uma crise econômica.

    Consequências de uma crise econômica

    Apesar da subjetividade a respeito das diferentes causas de uma recessão, as consequências de uma crise econômica são amplamente conhecidas não só entre os pesquisadores e economistas, mas também entre a população.

    Isso porque os efeitos de uma crise como essa se alastra por toda a cadeia econômica, atingindo praticamente toda a população. Nesse sentido, as possíveis consequências de uma crise econômica são:

    • Aumento do desemprego;
    • Redução da arrecadação do governo;
    • Crescimento do endividamento estatal;
    • Depreciação da moeda oficial;
    • Falência de empresas;
    • Aumento das taxas de juros;
    • Crescimento da pobreza;
    • Inflação.

    Quais foram as maiores crises econômicas da história?

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    Ao longo do tempo, o mundo viveu algumas severas crises na economia. Essas crises, diferentes de maioria, impactaram não apenas um país ou região, mas o mundo todo, e por isso é importante saber quais foram as maiores crises econômicas da história.

    Inclusive porque entender bem essas crises faz com que economistas e governos possam traçar estratégias para evitar cometer os mesmos erros. Evitando, assim, que tenhamos crises econômicas pelos mesmos motivos do passado.

    Por fim, as duas maiores crises econômicas até hoje foram:

    1. Crise de 1929

    A crise de 1929 (ou apenas “crise de 29”) é considerada por muitos economistas como a maior crise econômica da história. Também chamada de a Grande Depressão, essa crise se originou nos Estados Unidos e se alastrou ao longo de vários anos pelo mundo todo.

    Diversas economias do mundo da época, como Canadá, Alemanha, Reino Unido, França e Itália sofreram com altíssimas taxas de desemprego, queda do PIB, de ações e de basicamente qualquer outro indicador econômico.

    Para se ter uma ideia do quão intensa essa crise foi, houve uma retração de 15% do PIB mundial entre os anos de 1929 e 1932. Não foi à toa que a bolsa de Nova York sofreu uma das maiores quedas da história durante a crise de 29, conhecida como o Crash da Bolsa.

    Algumas das causas da crise de 29 foram:

    • Quebra da bolsa, por conta de uma bolha econômica;
    • Queda drástica do consumo da população;
    • Superprodução agrícola, que causou grande excesso de mercadorias;
    • Alta alavancagem da economia e das empresas.

    Para acabar com a Grande Depressão e para recuperar a economia dos EUA, o então presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt implementou uma série de medidas econômicas entre 1933 e 1937. Sendo que algumas dessas medidas foram:

    • Intenso investimento público em infraestrutura;
    • Destruição do estoque de produtos agrícolas em excesso;
    • Controle da produção de mercadorias, para evitar uma superprodução;
    • Redução da jornada de trabalho, para estimular novas contratações;
    • Fixação de salário mínimo e a implementação do seguro-desemprego.

    Todas essas medidas, e outras, fizeram parte do famoso plano econômico nomeado de New Deal, que seria como um “novo trato” ou “novo acordo”. Suas bases e princípios foram, inclusive, utilizados mais tarde em outra crise norte-americana, a crise de 2008.

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    2. Crise de 2008

    A crise de 2008, também conhecida como a crise do subprime, foi uma crise financeira que se iniciou em 2007 nos Estados Unidos e que se estendeu por quase dois anos ao redor de todo o mundo, impactando praticamente todas as economias do mundo.

    Basicamente, essa crise do subprime aconteceu por conta de uma grande bolha imobiliária que se formou nos EUA. Para que a bolha surgisse, bancos, financeiras e agências de crédito estavam concedendo empréstimos imobiliários para praticamente qualquer família, independente da renda ou da capacidade de pagamento do credor.

    Isso fez com que os títulos imobiliários da época, os subprimes, tivessem altíssimo risco. Mas, apesar disso, as agências de crédito da época avaliavam esses títulos com as melhores notas de rating do mercado, as chamadas “triple A”, ou AAA.

    Isso fez com que esses títulos de alto risco fossem concedidos e negociados no mercado com grande facilidade. Isso significa que um banco poderia emitir um empréstimo imobiliário e vender esse título para outros agentes financeiros ao redor do mundo, o que fez com que o estouro da bolha imobiliária americana afetasse as maiores economias e instituições.

    Para se ter uma ideia da seriedade da crise, um dos maiores bancos americanos e do mundo da época, o Lehman Brothers, precisou declarar falência durante a crise. Este fato desencadeou uma série de consequências que fizeram com que a crise se intensificasse mais ainda.

    A solução para o desastre econômico da crise de 2008 foi amenizado por um amplo pacote de intervenção aprovado pelo congresso e pelo senado americano. Ao total, mais de 800 bilhões de dólares foram destinados para combater as causas e consequências da crise.

    Quais foram as maiores crises econômicas do Brasil?

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    Além dessas grandes crises mundiais, logicamente os países também podem passar por crises econômicas específicas. E, nesse sentido, as maiores crises econômicas do Brasil foram:

    1. A década perdida

    A chamada de década perdida foi um período de estagnação não apenas para o Brasil, mas também para grande parte das economias da América Latina. Sendo que ele ocorreu durante a década de 1980.

    De maneira geral, durante essa época os países latino americanos possuíam grandes dívidas externas, enormes déficits fiscais e uma grande pressão inflacionária nas moedas oficiais dos países, inclusive no Brasil.

    Foi durante esse período da década perdida que o Brasil precisou trocar de moeda diversas vezes, por conta da hiperinflação da época. E não só isso, mas o país precisou passar também pelo confisco da poupança e até pelo congelamento de preços.

    O fim dessa crise econômica só veio em 1994. Neste ano, o Plano Real foi implementado com uma série de medidas para acabar com a inflação e com a crise, entre elas a adoção do Real como a moeda oficial brasileira.

    2. Desvalorização do real de 1999

    Outro momento de crise econômica para o Brasil foi no final dos anos 2000, quando houve a desvalorização do real de 1999. Naquele contexto, o Real, em 1994, já havia conseguido acabar com a hiperinflação brasileira.

    Contudo, outras políticas econômicas foram mantidas ao longo da década de 1999, como:

    Essas políticas contribuíram não só para uma redução da inflação, mas também para a manutenção de um câmbio artificial que valorizava o real frente a outras moedas fortes. Afinal, os fluxo de capital estrangeiro para o país era incentivado pelas taxas de juros atraentes e pelo controle inflacionário.

    Contudo, quando o câmbio flutuante foi adotado em 1999, a artificialidade cessou. Isto fez com que o real sofresse uma grande depreciação frente ao dólar e a outras moedas estrangeiras, como o Euro.

    3. Crise econômica de 2014

    Mais recentemente, a crise econômica de 2014, originada no segundo mandato do governo da ex-presidente Dilma Rousseff, assolou o Brasil em uma grande crise que se alastrou por quase 4 anos.

    Para se ter uma ideia da gravidade da crise, o PIB brasileiro sofreu retração de:

    • -3,5% em 2015;
    • -3,3% em 2016.

    A economia não só sofreu com a redução do PIB, mas também com altas taxas de desemprego e de falência de empresas. Para se ter uma ideia, a taxa de desemprego brasileira chegou aos 13,7% – o que significou mais de 14 milhões de desempregados.

    Toda essa crise tem diversas origens, sendo algumas delas externas e outras diretamente ligadas à política econômica do governo Lula e Dilma. E entre os fatores que desencadearam a crise foi:

    • Queda dos preços das commodities;
    • Redução artificial das taxas de juros;
    • Elevação dos gastos estatais;
    • Aumento do endividamento do governo;
    • Intervenção estatal em preços;
    • Concessão de subsídios duvidosos.

    Todos esses aspectos, e outros, causaram um aumento expressivo do risco-país brasileiro. Este fato acabou desencadeando o aumento da incerteza, e, claro, das taxas de juros, que ultrapassaram os 14% ao ano.

    Com uma taxa de juros tão alta, as empresas não tinham estímulos para investir; e a população, de consumir. Então, as demissões começaram e assolaram o país, ainda mais, em uma espiral de recessão.

    Investimento durante crise econômica para empresas

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    Apesar de todas as dificuldades que podem ser enfrentadas durante uma recessão,  uma empresa também pode usufruir de oportunidades de crescimento durante uma crise econômica. Afinal, nesses momento os ativos se tornam mais baratos, assim como a força de trabalho.

    Além disso, novas aquisições podem ser feitas a preços que não seriam possíveis em momentos de crescimento econômico. Deste modo, qual será o posicionamento mais interessante para uma empresa sair da crise: investir ou desinvestir?

    Uma crise econômica tem o poder de afetar todos os aspectos de uma empresa, seja no ambiente interno ou externo, incluindo todo o relacionamento com os clientes, fornecedores, colaboradores, acionistas e demais stakeholders envolvidos.

    Destaca-se, ainda, que a crise gera uma enorme mudança no panorama competitivo da indústria. Isso favorece as empresas que conseguem utilizar seus recursos estratégicos com sapiência durante o período de incertezas.

    Por isso, Flammer e Ioannou perceberam duas abordagens possíveis que as empresas poderiam utilizar na tentativa de sobreviver à crise de 2008. São elas:

    1. Poupar para sobreviver à crise

    A primeira estratégia das empresas para passar pelos momentos de escassez na economia é poupar para sobreviver à crise. Para tanto, as empresas adotam algumas estratégias, como:

    • Reduzem o quadro de colaboradores;
    • Adiam, ou até cancelam, projetos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D);
    • Eliminam programas de CSR (Corporate Social Responsibility);
    • Desinvestem em ativos fixos – ou ao menos cortam os investimentos em bens de capital (CAPEX).

    Todas essas medidas, claro, como parte de um plano de os fluxos de caixa suficientes para arcar com o cenário instável.

    Contudo, há outra possibilidade: utilizar investimentos como forma de sair da crise. Sendo que isso seria feito aproveitando as oportunidades de adquirir ativos e força de trabalho a preços descontados.

    2. Investir para sair da crise mais forte

    Na segunda abordagem sobre como passar pelas crises, as companhias também poderiam utilizar do cenário de escassez na economia para expandir suas atividades, ganhando, assim, market share da concorrência que está poupando recursos na tentativa de sobreviver.

    Contudo, o estudo de Flammer e Ioannou indica que nenhuma das duas soluções (poupar ou investir) é a melhor maneira de sair da crise.

    Afinal, as empresas que cortaram seus gastos não conseguiram sustentar a competitividade com o reaquecimento da economia. Por outro lado, empresas que mantiveram seus investimentos não sustentaram fluxos de caixa saudáveis até o término da crise.

    Entretanto, o estudo constatou que havia um terceiro grupo de empresas que conseguiu apresentar resultados satisfatórios com o reaquecimento da economia. Sendo que este grupo equilibrou os desinvestimentos e os investimentos para manter a competitividade sem comprometer os fluxos de caixa da empresa.

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    Em outras palavras, os melhores resultados foram apresentados pelas empresas que reduziram seus investimentos em bens de capital (CAPEX) e seus quadros de colaboradores. Mas que, ao mesmo tempo, mantiveram seus investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e em CSR.

    Isso sugere que investimentos em capacidade de inovação e relacionamento com stakeholders, sejam eles clientes, funcionários, fornecedores ou acionistas, auxiliam na manutenção da competitividade durante uma crise econômica.

    E além de auxiliar a sobrevivência durante a crise, as empresas que sustentaram os investimentos em P&D e CSR apresentaram resultados superiores no período posterior à crise. Ou seja, isso evidencia que tais investimentos contribuem para a competitividade no longo prazo.

    Em contraste, empresas que, além de realizar estes investimentos, mantiveram os gastos com CAPEX e colaboradores, não apresentaram performance superior nos anos posteriores à crise.

    Este estudo se torna relevante à medida que mostra, contraintuitivamente, que a melhor maneira de uma empresa sobreviver a uma crise econômica é utilizar seus recursos estratégicos de maneira a sustentar sua competitividade sem expandir suas atividades.

    Afinal, a expansão das atividades compromete os fluxos de caixa e dificulta a retomada dos resultados eficientes em períodos posteriores às crises. Enquanto a manutenção da competitividade permite uma rápida recuperação do crescimento quando a economia passa a reaquecer.

    Vale a pena investir durante crises econômicas?

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    Vivemos em um país onde as crises são frequentes. E, como foi visto, esses são momentos delicados em que o ciclo econômico desacelera, o Produto Interno Bruto deixa de crescer, as taxas de desemprego se elevam, o consumo cessa e o mercado de ações despenca.

    Contudo, assim como trazem riscos, as crises são repletas de oportunidades para aqueles investidores pacientes que investem para o longo prazo e com mentalidade de sócio.

    É por isso que é comum ouvir no mercado a que as crises econômicas são como uma grande promoção para os investidores, que podem adquirir ativos financeiros a preços extremamente descontados devido à insegurança do mercado. Para as empresas, entretanto, as crises geralmente trazem diversos riscos.

    Afinal, as receitas de inúmeros setores diminuem, os fluxos de caixa deixam de ser pujantes, o crédito passa a ser limitado, seu custo se eleva significativamente e a necessidade de honrar compromissos onerosos se torna um desafio que leva muitas empresas à recuperação judicial ou falência.

    É por isso que muitos investidores da bolsa ficam receosos de investir durante crises e acabam se perguntando: será que vale a pena investir durante crises econômicas?

    Como investir durante crises econômicas?

    Investidores possuem diversas razões para desacreditar em uma economia e em determinadas empresas durante períodos de crise. Afinal, nesses momentos o pessimismo toma conta do mercado e o sentimento é de que a recessão nunca irá acabar.

    É por isso que é importante saber como investir durante crises econômicas, para não ser aquele investidor que compra no otimismo (alta) e vende no pessimismo (baixa). Nessa perspectiva, existem duas frases famosas de Warren Buffett, o megainvestidor norte-americano:

    • “Compre ao som de canhões e venda ao som dos violinos”;
    • “Seja ganancioso quando os outros forem medrosos e seja medroso quando os outros forem gananciosos”.

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    Essas duas frases são importantes porque mostram a experiência de um investidor de mais de 70 anos de mercado que sabe qual é o comportamento do mercado. Resumidamente, Buffett sabe que crises existem, mas também tem a certeza de que elas são passageiras.

    Afinal, ao longo do tempo a humanidade se reinventa, aumenta a produtividade, reduz a pobreza e incluir novas pessoas no mercado consumidor. Toda essa evolução natural do homem contribui não só com os indicadores sociais (como a redução da pobreza do mundo), mas também com as empresas.

    Não é à toa que mesmo com todas as crises econômicas, os mercados acionários valorizam ao longo dos anos e entregam excelentes retornos para investidores pacientes, que investem com mentalidade de sócio e para o longo prazo.

    Para se ter uma ideia de como o investimento para o longo prazo é poderoso, o gráfico abaixo mostra a evolução de $1 investido no mercado acionário americano em 1790 até 2000.

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    Como pode ser observado, o investimento em ações para o longo prazo é realmente poderoso, mesmo depois de tantas crises econômicas.

    Então, entendeu o que é e como funciona a crise econômica? Deixe abaixo seus comentários sobre o assunto.

    Perguntas frequentes sobre Crise Econômica
    A crise econômica é quando uma determinada economia passa por uma retração de sua atividade econômica em relação a um período anterior. Sendo que essa retração medida pelo PIB (Produto Interno Bruto).
    Conceitualmente, durante uma crise econômica o produto interno bruto da economia retrai. Contudo, existem diversas outras possíveis consequências de uma crise como essa, como o aumento do desemprego, da inflação e a queda das bolsas de valores.
    Uma crise econômica pode ser desencadeada por diferentes fatores que façam com que haja uma redução da atividade econômica. Alguns desses fatores podem ser: alto endividamento governamental, altas taxas de juros e inflação.
    A maior crise econômica do Brasil ocorreu a partir do ano de 2014, quando o país viveu um longo e inédito período de redução do PIB (Produto Interno Bruto) e de aumento substancial da taxa de desemprego.
    A maior parte dos economistas consentem que a maior crise econômica mundial foi a crise de 1929, quando houve o crash (quebra) da bolsa de valores de Nova York. Essa crise foi não só intensa, mas também duradoura – o que a fez ser nominada de a Grande Depressão.

    Bibliografia

    https://unctad.org/en/docs/gds20091_en.pdf

    https://www.oecd.org/finance/Tracing-the-origins-of-the-financial-crisis.pdf

    https://www.brookings.edu/wp-content/uploads/2016/06/0615_economic_crisis_baily_elliott.pdf

    https://kingcenter.stanford.edu/sites/default/files/publications/407wp.pdf

    https://www.rba.gov.au/education/resources/explainers/pdf/the-global-financial-crisis.pdf

    Tiago Reis
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    3 comentários

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    • Marcelo 12 de março de 2020

      Tiago, parabéns por mais este artigo, sensacional. Você é um cara diferenciado, acho que entende tudo de fundamentos de um empresa.
      Por isso, assino e recomendo a Suno Research.

      Responder
    • Amanda 24 de março de 2020

      ótimo texto.

      Responder
    • Mateus Silva 14 de junho de 2020

      Achei muito interessante, agora sei como me preparar para um crise. Obrigado!

      Responder