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Cooperativas de crédito: como funcionam essas instituições financeiras?

By 12 de Janeiro de 2018 No Comments
As cooperativas de crédito são uma espécie de banco, porém com algumas ressalvas

No mercado financeiro, com destaque para o mercado de capitais, muito se fala dos bancos e das corretoras de valores, porém pouca gente tem conhecimento a respeito das cooperativas de crédito.

Para um investidor de longo prazo, entender sobre a maioria dos termos e definições do mercado é muito importante e, por isso, uma atenção especial às cooperativas de crédito é uma atitude importante a ser tomada.

Cooperativas de crédito – Definição

Em sua definição, uma cooperativa de crédito é uma instituição financeira formada pela associação de pessoas para prestar serviços financeiros exclusivamente aos seus associados.

Nesse sentido, esses tipos de instituições oferecem aos seus associados os principais serviços dos bancos, como aplicações financeiras, conta corrente, cartão de crédito, financiamentos e empréstimos.

Contudo, as principais linhas de produtos dessas associações é o Recibo de Depósito Cooperativo (RDC), que é uma aplicação financeira semelhante ao Certificado de Depósito Bancário (CDB) oferecidos pelos bancos comuns.

No âmbito dessas aplicações oferecidas pelas cooperativas, é importante mencionar que os depósitos realizados em cooperativas de créditos possuem a proteção do Fundo Garantidor de Cooperativismo de Crédito (FGCoop), que é uma espécie de fundo que ampara os investidores em relação a essas instituições.

Em linhas gerais, toda a parte operacional e de funcionalidades das cooperativas são muito semelhantes aos bancos, porém, a grande diferença se faz no fato de que os cooperados são, ao mesmo tempo, donos e também usuários das cooperativas, podendo, assim, participar de sua gestão e também usufruir de seus produtos e serviços como um cliente comum.

Atuando como “sócios” das cooperativas, os cooperados recebem, geralmente, uma remuneração em cima do seu capital social aplicado de até 100% da taxa Selic.

Além disso, o resultado (se positivo) das cooperativas é, comumente, dividido entre os cooperados proporcionalmente ao seu capital ali empregado.

Não poderia deixar de ser mencionado que, os cooperados, no papel de sócios do negócio, tem o dever de participar e votar nas assembleias e acompanhar os resultados financeiros da cooperativa, além de monitorar e suplantar todas as decisões a serem tomadas pelo empreendimento no que diz respeito ao seu modelo de gestão.

Ainda, os direitos e deveres de todos os sócios – ou seja, os cooperados – são iguais, e a adesão ao negócio é livre e voluntária.

Consideração

Num cenário temeroso, mas provável, o cooperado está sujeito a participar do rateio de eventuais perdas proporcionalmente a dimensão de sua participação no negócio, caso as mesmas venham a acontecer.

Esse fator faz com que um rigoroso estudo seja feito de maneira antecipada em relação a uma cooperativa, caso haja o interesse, por parte de uma pessoa, em se associar ao empreendimento em questão.

Outro ponto a se levar em consideração é o fato de que esses bancos não visam lucro, além de apresentarem tarifas mais atrativas em suas operações e, por conta disso, normalmente oferecem produtos mais conservadores e tradicionais do que a maioria das outras instituições bancárias do mercado.

Conclusão

Pelos motivos acima supracitados, muitas pessoas consideram essas instituições bancárias como sendo uma empresa de participação democrática na sociedade, haja visto que cada sócio possui direito a voto as assembleias, independentemente do capital que possui ali investido.

Dito isso, para saber se vale a pena se associar a um empreendimento dessa natureza, recomendamos ao investidor levar em consideração a sua necessidade, capacidade de investimentos, riscos e, por fim, mas não menos importante, as características que a cooperativa de crédito em questão apresenta.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.