consórcio

Adquirir um carro, uma casa, ou até mesmo realizar uma viagem internacional são sonhos de consumo bastante comuns para boa parte da população. Mas por serem bens e serviços de valor elevado, muitas vezes as pessoas não possuem dinheiro para pagar à vista, e acabam recorrendo a empréstimos, financiamentos e parcelamentos com a incidência de juros. Porém, no Brasil, uma outra modalidade de compra também costuma ser muito popular para esse tipo de aquisição: o consórcio.

Por ter prestações mais baratas que um financiamento, um consórcio pode ser uma alternativa interessante em algumas situações, principalmente em compras planejadas. Porém, é preciso tomar cuidado e analisar todos os prós e contras antes de fechar esse tipo de negócio.

O que é consórcio?

Consórcio é uma modalidade de compra realizada conjuntamente por um grupo de pessoas (físicas ou jurídicas) que estão interessadas em adquirir o mesmo tipo de bem. Com ele, um número de compradores se reúne para contribuir mensalmente para um fundo em comum, que irá comprar os bens para todos os membros do grupo.

Dessa forma, todos os meses (ou conforme estipulado em contrato), o dinheiro pago pelos consorciados é reunido e utilizado para que, pelo menos, uma pessoa do grupo possa fazer sua aquisição. Com isso, a distribuição dos bens vai acontecendo progressivamente, até que no final do consórcio todos os cotistas sejam contemplados.

Tipicamente brasileiro, o consórcio é uma forma de aquisição muito utilizada na compra de bens com valor elevado. Dentre os tipos de consórcio mais comuns, estão os:

  • Consórcios imobiliários (casas, apartamentos, terrenos, imóveis comerciais);
  • Consórcios de automóveis (carros, motos, ônibus, caminhões, tratores);
  • Consórcios de bens (máquinas, equipamentos, móveis, aparelhos eletrônicos);
  • Consórcio de serviços (viagens, cursos e educação, casamentos, tratamentos estéticos, serviços empresariais).

Como funciona um consórcio?

Avaliar se vale a pena ou não entrar em um consórcio irá depender principalmente da situação do comprador e dos seus objetivos. Para isso, é necessário entender alguns aspectos do funcionamento de um consórcio antes de se decidir. Os principais são:

Administração

A atividade de consórcios é regulamentada e fiscalizada diretamente pelo Banco Central. Por isso, todo consórcio deve, obrigatoriamente, ser organizado por uma instituição administradora de consórcios com autorização para funcionar.

Regulação

Além da legislação do setor, todo consórcio possui um estatuto para normatizar seu funcionamento, definindo os direitos, deveres e obrigações tanto da administradora quanto dos consorciados.

Sorteio

A principal forma de entrega dos bens em um consórcio acontece por sorteio. Logo, havendo saldo em caixa, a administradora sorteia mensalmente um ou mais consorciados para serem contemplados naquele momento. Esse processo se repete regularmente, até que no final do consórcio todos recebam o seu bem. Por isso, o consorciado pode ter que esperar um longo tempo ser contemplado.

Contemplação

Na maioria das vezes, a entrega do bem não acontece diretamente, e sim através de uma carta de crédito. Garantida pelo Banco Central, esse documento funciona como um título de crédito com valor equivalente ao total do consórcio, sendo assim utilizado para comprar do bem a vista. Porém, também é possível vender e negociar a carta de crédito com terceiros.

Leilão

Todos os meses, após a contemplação pelo sorteio, o consórcio organiza uma assembleia, onde os participantes do grupo podem comprar e vender as cartas de crédito recebidas. A negociação é feita por meio de um leilão. Dessa forma, quem oferecer o maior lance ou adiantar mais parcelas do seu consórcio adquire o carta de crédito.

Custos

Não existe incidência de juros em um consórcio. Porém, os consorciados precisam pagar, de forma diluída durante o período de contrato, custos como taxa de administração do consórcio, seguro e fundo de reserva. Quando somados, esses valores podem representar até 20% a mais no valor do bem.

Inadimplência

Em caso de desistência ou atraso no pagamento, o comprador pode ser retirado do consórcio e perder tudo que investiu. Nesse caso, ele só poderá reaver seu dinheiro se conseguir vender sua cota para outra pessoa ou quitar todos os pagamentos.

O consórcio seria um investimento?

Pelas vantagens apresentas, muitos pessoas pensam que entrar em um consórcio seria uma espécie de investimento. Porém, essa afirmação é equivocada – pois o valor aplicado pelos consorciados não é rentabilizado, e sim utilizado para a aquisição de um bem.

Além disso, ao adquirir o consórcio, o participante está pagando mais caro pelo bem, devido ao pagamento das taxas de administração, ao tempo de espera e ao custo de oportunidade envolvido. Por isso, considera-se que o consórcio seja, na verdade, um tipo de “autofinanciamento” sem juros e de forma 100% parcelada.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.