Como selecionar ações

O “O que fazer?” de hoje, será um pouco diferente do anterior.

Hoje, faremos um “Como fazer?”, respondendo uma pergunta que todo investidor se faz: como selecionar ações?

Esta é uma das perguntas que eu mais recebo.

E não é por menos.

A escolha de uma ação é tão importante quanto à própria decisão de investir em ações.

Certa vez eu li um estudo, realizado pela gestora de investimentos Dimensional, em que chegavam à conclusão de que 25% das ações eram responsáveis por 100% do retorno de investimentos em ações.

Ou seja, as demais 75% das empresas empatavam dinheiro para quem investisse somente nelas.

O que isso significa?

Quem faz bem a seleção de ações tem um desempenho muito superior.

E depois de alguns anos investindo eu desenvolvi um manual para iniciantes evitarem problemas.

Criei um verdadeiro passo a passo para que você evite entrar em empresas perdedoras.

Quais são os critérios que você deve seguir para selecionar ações?

A Empresas de rentabilidade elevada:

O ROE (Returno on Equity, em português Retorno sobre Patrimônio Liquido) é uma das melhores métricas para avaliar a capacidade que uma empresa tem de gerar valor aos seus acionistas.

Basicamente, este indicador mede o quanto de lucro a empresa produz anualmente para cada real investido pelos acionistas. Quanto maior melhor.

Em geral, eu busco empresas com ROE acima de 10%. O ideal é que seja ainda maior: 15% ou mais seria melhor ainda.

Outras métricas de rentabilidade podem servir encorpar a analise: busque empresas com margens elevadas e estáveis.

O ROIC (Return on Invested Capital, ou em português retorno sobre capital investido) também pode ser usado.

Obviamente, nem todo lucro equivale à geração de caixa. Lucro pode ser fraudado e atrapalhar a analise. Isso ocorre raramente.

Por isso, é importante acompanhar a geração de caixa da empresa. Mas isso é assunto para outro dia.

B Empresas que não estejam caras:

Reparem que eu disse “não estejam caras”. Que é diferente de baratas.

Vamos ser realistas: somente em grandes crises as boas empresas ficam baratas.

O objetivo aqui é criar um manual que possa ser utilizado em tempos de paz, ajudando o investidor a selecionar ações em outras épocas que não apenas em crises.

E uma ação negociada acima de 20 vezes seu lucro líquido (relação Preço/Lucro, ou a sigla P/L) para mim é cara.

Para justificar este preço, a empresa precisa apresentar um bom crescimento, o que é bastante difícil na atual conjuntura econômica.

C Endividamento Saudável:

A causa de mortes número 1 de empresas é divida.

Alguns vão dizer “é gestão incompetente”.

Mas a gestão incompetente leva a queda de receitas e aumento de custos, o que faz a empresa recorrer a dívidas. Então, estamos falando da mesma coisa.

É falta de dinheiro que quebra as empresas. E geralmente, antes de faltar dinheiro a empresa recorre ao endividamento.

Foi assim na OGX. Foi assim na PDG. Foi assim na Kodak. E vai ser sempre assim.

Como evitar empresas com problemas de dívida? Investir em empresas que possuam endividamento confortável, simples assim.

O melhor jeito de não se queimar é ficar longe do fogo.

E qual é um nível de divida confortável?

Para mim, a divida liquida (divida menos caixa) não pode ser maior do que o patrimônio da empresa.

Recapitulando o nosso checklist:

  1. ROE > 10%
  2. P/L < 20x
  3. DL/PL < 100%

E quais empresas passam neste filtro atualmente?

Comgás, Grendene, Itaúsa e  M Dias Branco são alguns exemplos.

Não significa que quem investir seguindo essas regras irá se dar bem 100% do tempo.

É natural que nem todas as empresas irão se valorizar.

Isso também não significa que você deve comprar indiscriminadamente todas as empresas que seguem estes critérios.

Existem outros aspectos que devem ser analisados, tais como: capacidade da gestão, potencial do mercado, dinâmicas competitivas (concorrentes e novos entrantes).

Estes outros aspectos abordamos com bastante profundidade em nossos relatórios exclusivos a assinantes.

Além disso, pode ser que os resultados da empresa tenham sido impactados positivamente por efeitos não recorrentes. Desta forma, os números não refletem a realidade recorrente daquela empresa.

Quem seguir estas regras irá evitar os principais problemas que vejo iniciantes se envolverem: comprar empresas problemáticas.

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Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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