Na semana passada foi comemorado o aniversário de 88 anos do Warren Buffett.

Em uma entrevista comemorativa do seu aniversário, Buffett em uma das partes falou que sempre comprou ações independente de quem fosse o presidente.

Eu tenho proximidade com o Luiz Barsi, e ele me falou algo parecido certa vez: compra ações todos os anos desde que começou a investir.

E é isso que eu vou fazer: vou continuar adquirindo participações em ativos geradores de renda independente de quem seja o presidente.

Os presidentes vão, as empresas ficam.

Mesmo durante os últimos anos, os mais difíceis da história econômica do Brasil, a maior parte das empresas continuaram distribuindo dividendos e gerando valor aos seus acionistas.

Algumas empresas líderes, inclusive, aproveitaram-se da fragilidade de concorrentes para comprar ativos baratos.

O melhor exemplo foi a Unipar adquirindo os ativos da Indulpa. Uma aquisição que adicionou muito valor ao acionista. Suas ações dispararam desde então.

Condições adversas criam oportunidades, em alguns casos.

Às vezes, tendemos a colocar muito peso na política.

Alguém vai dizer “Pro Buffett é fácil falar isso. Mas o Brasil não é os Estados Unidos”.

Sim! Mas também não é a Cuba.

No Brasil nós temos um congresso dominado por partidos de centro, que tornam as reformas que precisamos em grandes desafios. Mas também não deixam as coisas piorarem.

Nosso Congresso não é perfeito.

Mas sempre que foi preciso, geralmente em momentos de crise que ele mesmo criou, o Congresso atuou para consertar as coisas. Deputado tem medo de povo na rua.

A inflação controlada, um dos maiores desafios históricos do Brasil, foi uma conquista feita através do Congresso.

Mais recentemente a modernização das leis trabalhistas foi também uma conquista do Congresso.

Ninguém sabe quem será o próximo presidente.

Ao longo dos próximos vinte ou trinta anos, teremos presidentes ruins e bons para o mercado. Se você for esperar o presidente perfeito, nunca vai investir.

Eu não quero fazer uma defesa do Lula, mas foi em seu governo que tivemos uma das maiores valorizações da Bolsa.

Quem tivesse vendido ações quando o Lula foi eleito teria perdido uma valorização de quase 1000%. E isso que o Lula nunca foi um cara amado pelo mercado em períodos eleitorais.

Lógico que Lula foi beneficiado pelo preço valorizado das matérias primas que o Brasil exporta, como soja e minério de ferro.

Sorte pode ajudar qualquer presidente. Inclusive o próximo.

Aonde quero chegar? Mesmo um presidente mal visto pelo mercado pode surpreender o mercado acionário.

E quem ficar de fora, pode perder uma valorização. O nome do jogo é investir no longo prazo, sabendo que o mercado não anda em linha reta, mas tende a se valorizar com a riqueza das empresas.

Como eu irei investir na eleição?

Como sempre investi: buscando ativos que gerem caixa, possuam margens elevadas e estáveis. E baixo endividamento.

As empresas que indicamos possuem essas características.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.