Como funciona renda fixa é uma dúvida muito comum

Como funciona renda fixa é uma questão que está relacionada a qualquer tipo de investimento que possui regras bem estabelecidas de retornos antes mesmo de sua aplicação, além disso, existem regulamentos previamente acordados antes da aplicação no qual se definem prazos para resgate da aplicação.

Muitos investidores iniciantes no mercado apresentam a dúvida de como funciona a renda fixa.

De forma geral, o conceito de como funciona a renda fixa pode ser definido como uma forma de um empréstimo que o investidor concedesse ao tomador do dinheiro em troca de juros. Esse tomador do empréstimo pode ser uma instituição financeira ou o Tesouro Nacional

Desse modo, a instituição financeira ou o Tesouro Nacional, emitem um documento onde eles se comprometem a devolver o dinheiro emprestado acrescido de uma remuneração preestabelecida chamada juros.

Por exemplo, se o investidor aplicar um valor de R$ 100.000 a uma taxa de 1% ao mês, quer dizer que o que ele receberá será um valor de R$ 101.000 no mês seguinte, pois o cálculo se dá pela soma do montante do mês anterior acrescido dos juros acordados naquele mês.

Para investir em renda fixa é muito simples, pois praticamente todas instituições financeiras comerciais e corretoras oferecem esse tipo de aplicação com pouca ou nenhuma burocracia.

Existe também a opção de investir através de fundos de investimento. Ao realizar este investimento em renda fixa é muito importante estar de olho nas taxas de administração, pois as mesmas podem minar boa parte da rentabilidade de sua carteira.

  1. Como funciona a renda fixa – classificações
  2. Tesouro Direto – como funciona a renda fixa
  3. CDB
  4. LCI  e LCA – renda fixa
  5. Riscos da renda fixa
  6. Conclusão sobre como funciona a renda fixa

Como funciona renda fixa – Classificações


classificações de investimentos em renda fixa
Os títulos de renda fixa podem ser divididos em dois tipos: os pré-fixados e os pós-fixados.

Títulos pré-fixados

São os títulos dos quais são determinadas a remuneração do investidor antes mesmo da sua aplicação.

Em geral, essas aplicações são muito conservadoras, pois o investidor sabe exatamente qual será a sua rentabilidade futura.

Títulos pós-fixados

Os títulos pós-fixados funcionam de forma diferente.

Quando se investe nesse tipo de aplicação, o investidor somente saberá quanto irá receber após o final do prazo da aplicação.

Geralmente, nesses títulos o que determina o rendimento é a variação de um certo índice (IPCA ou Selic por exemplo) acrescidos de uma taxa de juros determinada no início.

Na prática o investimento em pós-fixado é mais vantajoso quando se espera que a inflação aumente, bem como a Selic (taxa básica de juros da economia), pois como vimos, a elevação desses índices impacta positivamente na rentabilidade dessas aplicações.

Tesouro direto – como funciona a renda fixa


como funciona a renda fixa tesouro direto
Ao se deparar com o tema de como funciona a renda fixa, muitos investidores apresentam dúvidas a respeito do Tesouro Direto.

O Tesouro Direto é um grande exemplo de como funciona a renda fixa.

No caso dessa aplicação o devedor é o Governo Federal. Ou seja, o investidor está na prática emprestando dinheiro ao Governo Federal, que irá pagar esta dívida no futuro com um acréscimo de juros.

O Governo Federal necessita emitir dívida para financiar todos os seus gastos e investimentos. Por isto, oferece títulos no mercado.

No passado esses títulos só podiam ser comprados bancos bancos e investidores institucionais, como fundos de pensão.

No entanto, com a criação do Tesouro Direto, qualquer pessoa pode facilmente se tornar um credor do Governo Federal.

Os títulos do Tesouro Nacional se mostram uma boa opção para o investidor iniciante, visto que este é o investimento considerado de menor risco no mercado.

Isto ocorre pois o governo possui o risco soberano. Como o governo apresenta o monopólio da emissão de moeda, ele pode em tese simplesmente emitir mais moeda para pagar suas dívidas.

Obviamente que isto não pode ser feito sem causar fortes pressões inflacionárias.

O Tesouro Direto apresenta a vantagem ainda de fornecer liquidez diária. Ou seja, se o investidor desejar vender o seu título antes do vencimento o Governo Federal garante a compra pelo preço de mercado.

Embora seja considerada uma aplicação de baixo risco, é importante lembrar que ela não é totalmente livre de risco.

O investidor que adquire está expostos a todos os riscos inerentes ao investimento em renda fixa. Embora de forma reduzida quando comparado a títulos de renda fixa privados.

Os títulos disponíveis para pessoas físicas no Tesouro Direto são:

  1. Tesouro Selic
  2. Tesouro IPCA+
  3. Tesouro Prefixado

Tesouro Selic

O Tesouro Selic é um dos títulos mais recomendados para os investidores iniciantes.

Isto porque ele é um investimento de baixíssima volatilidade.

O investidor que adquirir o Tesouro Selic (LFT) terá como rentabilidade a variação da Selic acumulado durante o período de carregamento do investimento.

Por exemplo, se um investidor adquiriu uma LFT com prazo de 3 anos, e a Selic acumulada durante este período foi de 20%, o investidor que aplicou R$ 1 mil terá, ao final do terceiro ano, R$ 1,20 mil.

Portanto, este é um título pós fixado. Visto que o valor de sua rentabilidade só é conhecido no momento do resgate.
A LFT apresenta a vantagem em relação aos demais títulos de não oscilar o seu valor conforme variações na taxa de juros.

O que oscila é somente a rentabilidade do investimento.

Ainda, este tipo de investimento costuma ser recomendado em períodos em que se espera uma alta da taxa de juros. Pois assim o título terá uma maior remuneração.

Por ser o investimento menos volátil disponível no Tesouro Direto, a LFT é também o título que apresenta o menor retorno no longo prazo.

Por isso, ele é adequado para aplicações de curto prazo. Como por exemplo, uma reserva de emergência. Ou uma reserva de liquidez para aproveitar oportunidades em outros mercados.

A LFT, assim como os demais títulos, conta com liquidez diária. O que representa uma segurança a mais para o investidor.

Este investimento, no entanto, não apresenta opção que contem com juros mensais, ao contrário do Tesouro IPCA+ e do Tesouro Prefixado.

Tesouro IPCA+

Este é o investimento mais popular do Tesouro Nacional.

A NTN-B corresponde por quase 50% de todo o volume de negócios no Tesouro Direto.

Este investimento apresenta uma composição híbrida, ou seja, possui uma parcela pré fixada, e uma parcela pós fixada.

A parcela pós fixadas diz respeito à inflação, medida pelo IPCA (índice de preços ao consumidor amplo).

Enquanto a parcela prefixada é definida no momento da compra.

Este título é bastante popular pois, ao comprá-lo, o investidor está protegido da inflação.

Ele garante, portanto, um rendimento real em sua aplicação.

Por exemplo, se um investidor adquire uma NTN-B que pague IPCA+ %5 ele garante 5% de juros reais todo ano.

Ainda, ele irá receber também uma parcela da rentabilidade referente ao IPCA do período.

Por exemplo, se o IPCA em um determinado ano for de 5% a sua rentabilidade será de um total de 10% ao ano. Pois é somado os 5% referentes à inflação com os 5% referente à parcela prefixada.

A inflação é historicamente alta no Brasil, e apresenta grandes picos em alguns momentos.

Por isto, se proteger da inflação ao investir na renda fixa pode ser uma boa ideia.

Em 2015, por exemplo, a inflação no Brasil chegou a 10%.

Dessa forma, quem tinha títulos como IPCA+7% garante uma rentabilidade de 17% ao ano.

Sendo 7% a parcela líquida de inflação, ou seja, a parcela real.

Já quem possui títulos prefixados de 9% apresentou rentabilidade real negativa. Isto porque a inflação do ano foi maior do que a rentabilidade nominal contratada.

O Tesouro IPCA+ está disponível ainda com a opção do pagamento de juros semestrais. Esta pode ser uma boa opção para o investidor que busque renda em seus investimentos.

Tesouro Prefixado

O Tesouro Prefixado apresenta a sua rentabilidade completamente prefixada.

Desta forma o investidor sabe exatamente qual será a sua rentabilidade no momento da compra.

Isto considerando que ele irá carregar o título até o seu vencimento.

Pois, durante o decorrer do tempo até o vencimento o investimento está sujeito às variações de mercado.

Quando a Selic sobe, por exemplo, os títulos prefixados desvalorizam na marcação a mercado.

Da mesma forma, quando a Selic cai os títulos se valorizam.

Isto ocorre pois, com uma subida da taxa de juros, é necessário uma quantia inferior de capital inicial para se chegar em um mesmo valor de capital final.

Por exemplo, suponha uma taxa de juros de 10% ao ano. Para chegar ao valor de R$ 110 no final do ano o investidor precisa investir R$ 100.

No entanto, se a taxa de juros for de 20% ao ano o investidor só precisa investir R$ 91 para chegar ao valor de R$ 110 no fim do ano.

Por isso, ao investir no Tesouro Prefixado é necessário ter cuidado com as oscilações na taxa de juros.

Ainda, por ter toda a sua rentabilidade prefixada, o investidor corre o risco de a inflação corroer os seus ganhos.

Como no exemplo anterior, onde a rentabilidade real de um investimento com taxa de 9% ao ano foi negativa, devido à inflação de 10% no período.

Os títulos prefixados costumam ser recomendados em períodos onde se espera uma queda da Selic.

Pois dessa forma é possível obter uma rentabilidade superior à contratada.

Este título também está disponível em uma versão com juros semestrais. E assim como os demais investimentos do Tesouro Direto o Tesouro Prefixado apresenta liquidez diária.

CDB’s – renda fixa


como funciona a renda fixa CDBÉ muito comum para os brasileiros investirem em bancos.

Embora os investimentos disponíveis nestas instituições não sejam os melhores disponíveis no mercado, grande parte dos investidores brasileiros possuem algum tipo de aplicação em bancos.

Neste cenário, uma das aplicações mais comuns em bancos são os CDBs (certificados de depósito bancário).

Assim como o Governo Federal emite títulos de dívida no Tesouro Direto, os bancos disponibilizam títulos de dívida para os investidores.

Estes títulos podem remunerar de forma pós fixada, prefixada ou híbrida.

O mais comum é que a rentabilidade seja pós fixada e expressa em um determinado percentual do CDI.

A grande vantagem do CDB está por ele contar com a garantia do FGC, o fundo garantidor de crédito.

O fundo garante o pagamento em caso de inadimplência do banco no valor de até 250 mil por CPF por instituição financeira.

Os bancos utilizam os recursos captados com CDBs para realizar investimentos. Tais como a concessão de crédito para empresas e pessoas físicas.
A diferença entre a taxa de captação do banco e a taxa de empréstimo é chamada de spread bancário. Através deste spread os bancos conseguem grande parte de suas receitas.

Por exemplo, se um banco capta recursos através de CDBs com uma taxa de 10% ao ano e empresa estes recursos a uma taxa de 20%, na prática o banco está tendo como receita a diferença de 10% entre estas duas taxas.

Os CDBs apresentam taxas maiores do que os títulos do tesouro direto visto que os seus são maiores.

Geralmente, quanto menor o banco maior tende a ser a taxa oferecida como rentabilidade.

Isto ocorre pois em grandes bancos, como o Itaú, há uma grande demanda de investidores por CDBs, sendo assim, a taxa acaba sendo pressionada para baixo.

LCI E LCA


como funciona o investimento em lci e lca
Outro exemplo de como funciona a renda fixa ocorre nos títulos de LCI e LCA.

Estes são títulos emitidos por bancos e instituições financeiras, assim como os CDBs.

LCI é a sigla para letra de crédito imobiliário. Enquanto LCA representa letra de crédito do agronegócio.

Como o nome indica, o objetivo destes títulos é obter recursos para financiar estes dois setores da economia: Imobiliário e agronegócio.

A grande diferença em relação ao CDB pela ótica do investidor é que este títulos contam com a isenção do imposto de renda.

Isto pode fazer uma grande diferença no resultado final do investidor, principalmente se o prazo da aplicação for curto.

Assim como no CDB, os bancos emissores buscam obter lucro nessas operações através do spread.

A LCI e o LCA pode ter sua rentabilidade pré fixada ou pós fixada. O mais comum, no entanto, é que ela seja pós fixada.

Geralmente as operações giram em torno de 100% do CDI líquido, a depender do risco de crédito do emissor.

Muitas pessoas comparam a aplicação em LCI e LCA com a poupança, e se perguntam qual a melhor aplicação.

No gráfico abaixo é possível observar o CDI em preto, representando uma aplicação em uma LCI ou LCA.

lci e lca renda fixaA poupança, em azul. E a inflação em vermelho.

Como pode ser notado, o investimento em LCI e LCA supera amplamente a poupança. Esta última por muito pouco não supera a inflação, apresentando um rendimento real muito baixo.

Portanto, LCI e LCA representam um bom exemplo de como funciona a renda fixa e como ela pode superar o investimento em poupança.

CRI e CRA

Outras aplicações de renda fixa disponíveis no mercado são o CRI e o CRA.

Embora menos populares que a LCI e a LCA, é importante conhecer os seus conceitos.

CRI é a sigla para certificado de recebíveis imobiliários. Enquanto CRA é a sigla para certificados de recebiveis do agronegocio.

Estes títulos são muito similares ao LCI e LCA, apenas com algumas diferenças, tais como:

  • CRI e CRA não contam com garantia do FGC
  • CRI e CRA são emitidos por companhias securitizadoras

Por não contar com a garantia do FGC os certificados de recebíveis costumam apresentar uma maior rentabilidade, no entanto, também apresentam maior risco.
Estes títulos são emitidos pelas companhias securitizadoras com lastro de crédito em empresas privadas, portanto, o risco que o investidor corre é o de as empresas se tornarem inadimplentes.

Ainda, é importante se atentar à liquidez desses títulos, que costuma ser restrita.

Uma alternativa para investir em CRI e CRA pode ser investir em fundos imobiliários de recebíveis.

No vídeo abaixo, discute-se sobre como os fundos imobiliários podem ser uma boa opção para o investidor de longo prazo. Inclusive como uma alternativa à renda fixa.

Riscos da renda fixa


riscos da renda fixa
Apesar de ser considerada uma aplicação conservadora e de baixíssimo risco, a renda fixa apresenta alguns riscos inerentes à capacidade de pagamento do tomador do crédito.

Dito isso, é possível entender que acompanhar com alguma periodicidade a saúde financeira do mutuário é muito importante para a segurança do dinheiro do investidor.

A seguir listamos alguns dos riscos a se considerar antes de fazer uma aplicação desse tipo:

  • Risco de inflação: possibilidade de redução do poder de compra do valor investido em relação aos juros recebido pela aplicação.
  • Risco da taxa de juros: possibilidade das taxas de juros subirem para níveis superiores aos disponíveis na época da aplicação anterior do investidor, gerando um custo de oportunidade.
  • Risco de liquidez: possibilidade de o investidor necessitar do dinheiro aplicado antes do prazo de liquidação e por isso a aplicação pode trazer riscos ao assumir perdas devido à volatilidade de alguns títulos.
  • Risco de crédito: possibilidade do mutuário não ser capaz de honrar com suas dívidas tomadas, gerando um calote para o investidor daquele título.

Conclusão sobre como funciona a renda fixa


conclusão sobre como funciona a renda fixa
Pelo que vimos, podemos concluir que essa classe de investimentos são aplicações bastante interessantes, simples e apropriadas para os investidores que necessitam de alguma certeza de receber o seu capital de volta, acrescidos de algum retorno dado o tempo de espera.

Entretanto, é sempre preciso estar de olho nos possíveis perigos e algumas legislações desse tipo de aplicação, tal como as diversas peculiaridades presentes por trás de como funciona a renda fixa para que o investidor não seja pego de surpresa.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.