Por: Tiago Reis

Como a revolução digital está mudando o setor bancário

O setor bancário, historicamente é formado por um oligopólio onde grandes grupos dominaram por décadas, boa parte da participação do mercado nacional.

Com grandes seguradoras, corretoras, bancos de crédito e de investimentos, os Bancos tradicionais atuaram por muito tempo com certa liberdade para operar com taxas excessivas e spreads altíssimos.

Tal liberdade se devia a uma grande barreira de entrada que impedia que novos entrantes competissem no setor com equivalência de poder, a distribuição.

Antes da era digital, para que os bancos conseguissem clientes era necessário colocar diversas agências nas cidades e isso demanda muito capital para sustentar estruturas físicas colossais.

Com essa barreira de entrada, os Bancos tradicionais podiam oferecer um nível de serviço relativamente baixo e com altas taxas sem que novos entrantes ameaçassem sua participação no mercado.

A barreira permitiu que, por muito tempo, os bancos tratassem boa parte de seus clientes, ou pelo menos àqueles cuja renda não é suficiente para chamar atenção dos gerentes, de maneira precária, sem um nível de serviço digno.

Com a revolução digital, a barreira de entrada cai e surge uma grande oportunidade no mercado financeiro. Novas empresas são criadas para tentar aproveitar esse gap de atendimento às classes média e baixa da população.

Novas corretoras, empresas de máquinas de cartões, bancos digitais e fintechs inundam o mercado na tentativa de ganhar participação nessa corrida da era digital.

Com menores taxas – ou até isenção delas – as fintechs passam a apresentar as soluções que os bancos tradicionais costumavam oferecer, porém de maneira digital e simplificada, sem a necessidade de grandes estruturas físicas para dar suporte as mesmas.

Tal proposta trouxe aos novos entrantes grande crescimento e a população se mostrou adepta aos novos modelos de negócio.

Com o aumento da participação por parte destas novas instituições, os bancos tradicionais viram suas margens pressionadas e devem se reinventar se quiserem manter seus postos de líderes no mercado.

Esse movimento já se iniciou e boa parte dos bancos tradicionais se esforçam para ingressar na era digital. Isso fica evidente tanto no lançamento de novos produtos como no marketing das grandes marcas.

O Itaú vem aprimorando seu aplicativo na tentativa de melhorar o nível de serviço, simplificando as operações. Entre as novas possibilidades estão a abertura de conta corrente através do próprio aplicativo, sem a necessidade de ir a uma agência.

Além disso, entre os esforços de criar soluções para o novo mercado que vem se consolidando, o grupo fundou um dos maiores e mais relevantes centros de empreendedorismo tecnológico da América Latina, o Cubo.

O Bradesco também entrou na era digital, lançando seu primeiro banco 100% digital, o Next. Entre os diferenciais oferecidos pelo banco estão os “mimos”, diversos descontos para restaurantes, transporte, ingressos de cinema, shows, entre outros.

Cada vez mais surgem novas soluções no setor bancário e a guerra dos gigantes começa a ser influenciada por pequenos players que vem ganhando muito espaço.

Não acredito que a era digital será marcada pela queda dos gigantes, mas inevitavelmente, suas margens pressionadas reduzirão os retornos obtidos e, aqueles que não se reinventarem perderão muito espaço no mercado.

Provavelmente, vivenciaremos muitas aquisições no médio prazo, onde os grandes players da indústria competirão para ver quem adquire as melhores soluções que guiarão o futuro do setor.

O cenário de aumento da competitividade beneficia o cliente, pois na tentativa de não perder participação de mercado, muitos bancos reduzirão suas taxas de serviço e novos benefícios serão oferecidos.

O futuro do setor bancário é pouco previsível. A dinâmica de mudanças está cada vez mais acelerada e novas soluções são pensadas diariamente para atender às necessidades crescentes dos clientes.

Quem vencerá essa guerra? Só o futuro dirá.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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