commodities

Você sabe o que são as commodities? Esta é uma aplicação que não serve para quem deseja viver de dividendos.

Apesar de muitas pessoas defenderem o investimento em commodities, este tipo de aplicação não gera muito riqueza no longo prazo.

As commodities são todos aqueles bens indistinguíveis, cujo valor de mercado depende essencialmente da dinâmica de demanda e oferta mundial por cada produtos. Exemplos: Ouro, Prata, Petróleo, Soja, Milho, Trigo.

Para todo investidor, quanto maior o seu conhecimento acerca dos mais variados segmentos de atuação das empresas que são listadas na bolsa de valores, certamente melhores serão os seus resultados no longo prazo e, neste sentido, entender o que é uma commodity é fundamental.

Apesar de existir uma grande variedade de setores, o de commodity é, sem dúvida, um dos mais representativos, muito por conta de ser, também, uma das áreas de operação mais tradicionais no mercado de capitais.

Commodities – o que são?o que são commodities

Originário do idioma inglês, a palavra commodity, em sua tradução literal, pode ser entendida como qualquer tipo de “mercadoria” que é, na sua essência, indistinguível.

Desta forma, cada produtor de commodity é apenas mais um dentre milhares que produzem o mesmo produto.

Dito de outra forma, para o consumidor não importa se determinado produto foi produzido pela empresa A ou empresa B.

Estes bens são chamados de bens fungíveis. Ou seja, que podem ser substituídos por outros sem que ocorra perda nas suas características básicas.

Vale destacar, ainda, que os produtos que recebem esse tipo de denominação são, normalmente, cultivados, ou também de extração mineral.

Dessa forma, possuem a característica de poderem ser estocados e/ou armazenados por determinado período sem que se observe uma perda significativa de qualidade, dependendo de sua conservação.

Commodity Soft e Commodity Hard

Esses tipos de mercadorias, por apresentarem uma grande variedade de acordo com suas qualidades e características, comumente são subdividas em grupos, de acordo com suas peculiaridades particulares.

Cada commodity pode ainda ser classificada de soft ou hard.

A commodity soft é aquela que precisa ser cuidada para que atinja sua forma final. Por exemplo:

  • Gado
  • Café
  • Milho
  • Trigo
  • Soja
  • Arroz
  • Cacau
  • Açúcar
  • Algodão

Ou seja, tratam-se dos bens que não se encontram em estado bruto na natureza.

Logo precisam de tempo e cuidado para que possam ser extraídos e vendidos ao mercado consumidor.

Por outro lado, a commodity classificada como hard pode ser extraída da natureza de maneira imediata.

É o caso dos minerais metálicos, como:

  • Ouro
  • Prata
  • Platina
  • Cobre
  • Minério de ferro

Os recursos energéticos e combustíveis também podem ser considerados indistinguíveis em geral, apesar de existirem diferentes níveis de pureza e classificações.

Exemplos:

  • Petróleo
  • Gás Natural
  • Gasolina
  • Diesel

Existem, ainda, tipos de bens “commoditizados” pouco mencionadas no mercado, mas que também não deixam de ter as suas respectivas importâncias na economia mundial, como por exemplo o setor químico (Ex.: ácido sulfúrico, sulfato de sódio) e o Ambiental (Ex.: água, créditos de carbono).

Como são formados os preços

Um aspecto que diferencia as commodities do restante dos bens e serviços é a forma como os preços de mercado são formados.

Como não existe diferenciação de produto, então o preço de negociação de uma commodity é decorrente da demanda e oferta mundial pelo produto.

Ou seja, cada produtor desta commodity é um tomador de preço.

Assim, ele não possui nenhuma influência sobre o preço de mercado do seu produto.

Não poderia deixar de ser mencionado, ainda, que o que faz esses tipos de produtos serem tão representativos na economia do planeta é que eles possuem suas respectivas cotações no âmbito global, além terem suas transações efetuadas também em ordem mundial.

Assim sendo, as oscilações nas cotações destes produtos normalmente apresentam impacto significativo nos mercados financeiros de vários países, haja vista que muitas nações transacionam entre si os produtos os quais conseguem fabricar com maior representatividade – vendendo-os no mercado internacional – e comprando aqueles que não os quais não possui capacidade de produzir em escala que atenda a sua demanda interna.

Isto posto, é possível perceber que um desequilíbrio da oferta e demanda de qualquer que seja a Commodity possui a capacidade de causar consideráveis perdas a agentes econômicos e até mesmo a países inteiros.

Indústrias “commoditizadas” X Serviços únicos

No caso de um produtor de commodity, as suas receitas basicamente dependem do preço da commodity no mercado internacional e do câmbio da sua moeda local.

Logo existem quatro situações de mercado diferentes que afetam esta receita. São eles:

  • Dólar em alta e commodity em alta. Resultado: Positivo
  • Dólar em alta e commodity em baixa. Resultado: Incerto
  • Dólar em baixa e commodity em baixa. Resultado: Negativo.
  • Dólar em baixa e commodity em alta. Resultado: Neutro.

Para os preços das commodities subirem, a demanda por esta commodity deve crescer em relação a oferta.

E esta mesma lógica influencia o câmbio de cada moeda em relação ao dólar.

Pelo esquema demonstrado acima, pode-se perceber como a receita do produtor possui um comportamento volátil.

Logicamente, os lucros deste produtor também tenderão a ter um comportamento cíclico.

Um dos instrumentos que vários produtores utilizam para atenuar esta volatilidade nas receitas são os contratos futuros.

Estes contratos permitem que o produtor saiba de antemão qual será a receita que irá receber pelos seus produtos.

Aliás, a origem destes contratos ocorreu justamente por causa da preocupação dos fazendeiros americanos em garantir sua receita.

Esta é a história por detrás da bolsa de Chicago.

A busca por eficiência

Mas para tentar minimizar este impacto na lucratividade, os produtos precisam se tornar cada vez mais eficientes.

Quando se fala em um produtor de algodão, por exemplo, o uso de máquinas tende a melhorar a produtividade da terra.

No caso de uma empresa como a Vale, por exemplo, uma das métricas importantes é reduzir o custo de produção do minério de ferro.

Empresas commoditizadas

Existem alguns negócios de serviços que, apesar de não serem produtores diretos de uma commodity, possuem pouca diferenciação nos seus produtos.

Desta forma, quem presta este tipo de serviço possui pouco poder de barganha com seus clientes.

É o caso das seguradoras, por exemplo.

Para um motorista qualquer, tanto faz quem lhe dará o seguro.

O melhor seguro é aquele que irá cobrar o menor preço e tiver condições de honrar os pagamentos em uma eventual sinistralidade.

Além disto, para este motorista o melhor posto de combustível é aquele com o menor preço e que possua um combustível de qualidade.

A mesma lógica vale para um empréstimo. O melhor empréstimo é aquele com os juros mais baratos.

Em outras palavras, é muito comum, ao se ouvir falar em commodities, que os investidores, num primeiro momento, tendam a pensar em um segmento industrial ou de serviços que negocia produtos de características e qualidades bastante similares.

Ou seja, que não são diferenciados de acordo com quem os produziu ou de sua origem, sendo o seu preço, dessa forma, normalmente estabelecido de maneira igualitária e determinado através da lei da demanda e procura, geralmente através do mercado internacional.

Investir em empresas cujo único diferencial é a prática de preços de mercado inferiores pode ser uma estratégia perigosa.

Afinal, as empresas com maiores vantagens competitivas costumam cobrar um prêmio por seus produtos e serviços.

Serviços únicos

No outro extremo de negócios, existem aquelas empresas cujo produto possui um caráter de exclusividade.

Em outras palavras, a companhia consegue diferenciar o seu produto dos demais ao cobrar um valor acima da média das empresas concorrentes.

Empresas como a Apple, por exemplo, conseguem cobrar mais do que seus concorrentes devido ao valor agregado na sua marca.

Marcas de grife também praticam preços muitos superiores aos seus pares, mesmo que, o produto seja essencialmente o mesmo.

Já em outras circunstâncias, o diferencial está mais relacionado ao produto em si do que à marca.

É o caso dos carros da Volvo, por exemplo, que durante muito tempo foram considerados os mais seguros do mundo.

As desvantagens da commoditiesdesvantagens das commodities

Todo aquele que deseja lucrar com commodity no mercado de capitais precisará se engajar em algum tipo de atividade especulativa.

Como mencionado antes, a finalidade dos contratos futuros na sua origem foi apenas econômica.

Entretanto, a função destes contratos mudou radicalmente ao longo do tempo.

E hoje em dia, a maior parte do mercado é formada por pessoas que desejam especular na direção de preços das commodities.

A postura da Suno com este assunto é clara.

Especulação é uma atividade de alto risco, em que os ganhos são concentrados e as perdas são distribuídas.

Commodity e longo prazo não combinam

Algumas pessoas poderiam então pensar em permanecer com as commodities por longos períodos de tempo.

Ao invés de especularem, elas esperariam pacientemente a valorização da commodity no longo prazo.

Esta estratégia provou-se uma estratégia perdedora.

Existem diversos estudos que mostram que a rentabilidade a longo prazo deste tipo de aplicação mal supera inflação.

É compreensível este resultado, visto que metais preciosos, como Ouro e Prata, por exemplo, são buscados em momentos de crise.

Isto é, quando ocorre um problema econômico local, muitas pessoas buscam resguardar o seu patrimônio através de reservas em Ouro.

No longo prazo não se pode esperar uma valorização acima da inflação (valorização real) significativa para reservas de valor.

Desta forma, quem permanecer com grande parte do patrimônio alocado em reservas certamente terá um custo de oportunidade bastante elevado.

Principalmente, quando se leva em conta que existem aplicações extremamente seguras, que remuneram o investidor de forma superior.

É o caso dos títulos do Tesouro IPCA+, que pagam uma rentabilidade pré-determinada acima da inflação.

Investindo em empresas produtoras

Apesar da especulação direta ser uma atividade de alto risco, investir em empresas produtoras de alguma commodity pode fazer sentido.

Longe de ser trivial, mas é possível.

Para isto, é importante escolher a produtora mais eficiente e comprar na baixa do ciclo.

Isto é, quando o preço da commodity produzida por esta empresa estiver muito abaixo da média histórica.

Geralmente nesta situação os lucros também estão deprimidos, assim como a cotação da ação.

A mesma lógica vale para o momento de se desfazer das ações.

Quando a cotação da commodity estiver em um patamar muito acima das médias históricas, talvez seja hora de diminuir a posição nesta ação.

Em alguns casos, como o da Petrobras, por exemplo, o controle é do Governo.
Assim, adiciona-se um risco de ingerência política na gestão da empresa.

Por este motivo, costuma-se dizer que “estatal só de graça”.

Commodity não gera renda

Todavia, para aqueles investidores que esperam acumular ativos para conseguirem gerar uma renda regular, as commodities não são a melhor opção.

O motivo é óbvio. Um grama de ouro não tem como gerar outro grama de ouro.

A mesma coisa acontece com um litro de petróleo, ou um quilo de milho.

Por outro lado, existem diversos ativos no mercado financeiro que têm esta capacidade de gerar renda.

E a Suno divulga várias recomendações sobre estes ativos que geram renda.

É o caso dos fundos imobiliários.

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Já outros investidores preferem formar uma carteira previdenciária através dos lucros distribuídos pelas empresas listadas na bolsa de valores.

Assista no vídeo abaixo a aula do Tiago Reis, CEO e fundador da Suno, sobre a construção da carteira previdenciária:

Caso você queira se aprofundar no estudo de bons negócios para ser sócio, o aprendizado de contabilidade é essencial.

Para aprender sobre este tema, mesmo que você ainda não saiba nada, comece lendo o Guia Suno Contabilidade.

Conclusão sobre as Commodities

Tentar lucrar diretamente com commodity é uma estratégia difícil de ser executada no longo prazo. Existem, entretanto, formas indiretas de investir, bastando adquirir ações de empresas produtoras.

E é claro que o mercado de produtos agrícolas, de metais e de energia também possui uma função econômica importante.

É possível entender, diante do que foi abordado, que o mercado de commodities, apesar de todos os avanços recentes da indústria de tecnologia e suas derivadas, ainda apresenta um patamar de bastante importância na economia global, contribuindo de maneira significativa para o aumento e manutenção, inclusive, do Produto Interno Bruto (PIB) de vários países ao redor do mundo.

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Rodrigo Wainberg

Rodrigo Wainberg

Profissional aprovado no Level III da certificação CFA, investidor em ações há 6 anos, possui registro de Analista e Consultor de Valores Mobiliários, e é Bacharel em Física pela UFRGS.