Uma das principais características do mercado de capitais é a volatilidade, e todos os dias preços sobem e descem ao sabor dos aplicadores nesse mercado, ocasionando, com isso, dias especiais em que essa volatilidade pode aumentar drasticamente, levando a bolsa de valores brasileira a lançar mão de mecanismos de controle dessa volatilidade extraordinária, e o nome desse mecanismo é o circuit breaker.

Definição

No conceito, o circuit breaker é um mecanismo utilizado pela B3, que permite na ocorrência de movimentos bruscos do mercado o amortecimento das ordens de compra e venda.

Esse mecanismo assemelha-se a um “escudo”, diminuindo a volatilidade excessiva do mercado.

Nas ocasiões em que é acionado, o circuit breaker interrompe por 30 minutos todos os negócios da B3, quando o principal índice de mercado, o Ibovespa, atinge uma queda de 10% em relação ao dia anterior.

Se, ao reabrir, o mercado atingir uma queda de 15% em relação ao dia anterior, dessa vez a B3 interrompe o mercado por um prazo de uma hora.

Ainda, se no caso de o mercado reabrir e a oscilação do Ibovespa atingir o patamar negativo de 20% em relação ao fechamento do dia anterior, a bolsa interrompe as negociações de mercado por tempo determinado pela própria B3.

Histórico

De tempos em tempos, o circuit breaker foi ativado por necessidade de atenuar o pessimismo criado por crises ou acontecimentos extraordinários e, ao longo da história do mercado brasileiro este mecanismo foi acionado por 17 vezes.

Também acontecem casos em que a bolsa não aciona o circuit breaker, mas somente suspende as negociações, como no dia 11 de setembro de 2001, quando as torres gêmeas de Nova York foram atingidas por terroristas.

Na ocasião, os negócios na antiga Bovespa foram interrompidos após uma queda de 9,17% em menos de uma hora.

Antes que o circuit breaker fosse acionado, a bolsa interrompeu as negociações, seguindo a maioria das bolsas do mundo. A abertura só aconteceu no dia seguinte.

Abaixo temos o infográfico com o histórico de acionamentos do mecanismo circuit breaker na bolsa brasileira:

A primeira vez que o mercado de ações brasileiro acionou o circuit breaker foi no dia 28 de outubro de 1997, um dia após a Bovespa cair mais 14% devido a crise financeira asiática.

Já o último circuit breaker se deu no dia 18 de maio de 2017, onde um dos donos da JBS, Joesley Batista, teve áudios gravados numa conversa comprometedora com o presidente Michel Temer, divulgados na imprensa e expondo, dessa forma, a presidência numa situação constrangedora.

Essa notícia ocasionou um forte pessimismo no mercado devido a expectativas que possíveis reformas importantes na economia fossem deixadas de lado devido a questões políticas de sucessão de cargo na presidência.

Antes mesmo que o circuit breaker tivesse sido acionado, muitas empresas tiveram quedas extraordinárias naquele dia, como o exemplo da Cemig (CMIG4) que teve uma desvalorização de 41% na seção.

Finalizando

A Suno Research não encara, na maioria dos casos, situações de quedas expressivas com pessimismo pois acreditamos que os fundamentos das empresas não variam na velocidade que o mercado impõe nessas situações.

Dessa forma, encaramos desvalorizações expressivas de mercado como oportunidades para comprar bons ativos a preços menores do que eram negociados nos dias anteriores, e nas ocasiões em que o circuit breaker é acionado, geralmente muitas janelas de entradas em bons papéis são abertas.

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Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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