Por: Tiago Reis

Checklist rápido para investimentos, por Peter Lynch

Peter Lynch foi um dos maiores gestores de fundos de investimento da história. Seus retornos de quase 30% ao ano no comando do Fidelity Magellan Fund podem ser comparados a poucas outras lendas dos investimentos. Considero Lynch um dos maiores investidores, e acredito que ele tem muito a nos ensinar com tamanha experiência que adquiriu ao longo de sua carreira.

Em seu livro mais conhecido, “One Up on Wall Street”, de 1989, Peter Lynch classifica as ações em seis classes, conforme já abordei anteriormente. Apenas para relembrar brevemente, elas são enquadradas da seguinte maneira:

  • Crescimento Lento
  • Crescimento Moderado
  • Crescimento Rápido
  • Cíclicas
  • Turnarounds
  • Ativos Subprecificados

Para cada uma destas classificações, Lynch traz um checklist específico. Mas, além disso, ele também traz um checklist geral, que serve como um filtro amplo para todas estas classes. É este que desejo compartilhar hoje.

Trata-se de um filtro interessante para separar ações para estudo. Não significa que uma ação boa deve obedecer a todos os pontos do checklist. Por outro lado, uma ação que os obedece tem uma probabilidade maior de ser interessante para um investimento.

1 – A razão preço/lucro

“É alta ou baixa para essa companhia em particular, quando comparada a outras similares no mesmo setor?”

Existem muitas métricas quantitativas diferentes que os investidores podem – e devem – utilizar ao analisar ações. De fato, não devemos confiar somente no indicador preço/lucro. No entanto, trata-se de um filtro preliminar que pode eliminar algumas empresas da lista a ser observada, poupando o tempo do investidor.

2 – Movimentação dos insiders

“Checar se os insiders estão comprando e se a própria empresa está recomprando suas ações. Ambos são sinais positivos”

Concordo bastante com Lynch neste aspecto. Executivos que investem seu próprio dinheiro para comprar uma fatia da companhia que administram têm um incentivo pessoal extremamente forte para desempenhar seus trabalhos, uma vez que serão beneficiados como acionistas também. Trata-se de um bom método de “medir” o alinhamento de interesses.

3 – Crescimento dos lucros

“Checar o histórico do crescimento dos lucros e se os lucros são esporádicos ou consistentes”

De maneira genérica, o crescimento dos lucros sugere que a companhia está incrementando seu valor. É claro que eles devem ser observados com cautela, uma vez que são mais facilmente mascarados pela contabilidade do que os fluxos de caixa, por exemplo.

Assim, é interessante que o investidor saiba discernir de onde vêm os lucros, se são recorrentes ou não. De qualquer forma, o crescimento dos lucros é um bom filtro que pode ser utilizado por investidores. É importante que seja considerado em um checklist.

4 – Saúde financeira

“Checar se a companhia tem um balanço forte ou fraco (como está a sua dívida em relação ao patrimônio líquido), e como está avaliada sua saúde financeira

Uma companhia com endividamento excessivo pode estar mal posicionada, correndo risco de “sobrevivência” em tempos ruins. Assim, uma dívida muito elevada pode sugerir que seja considerada uma margem de segurança estreita.

5 – Posição de caixa

“A posição de caixa é o ‘chão’ das ações”

Com este aspecto, Lynch busca mostrar que o caixa de uma companhia representa o ponto mínimo no qual uma ação pode chegar, mesmo na pior das circunstâncias.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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