elasticidade aplicada

Nos últimos anos, com a democratização do conhecimento financeiro, muitos investidores migraram os seus investimentos da caderneta de poupança para as aplicações em CDB.

O principal fato impulsionador do CDB foram os baixos rendimentos propiciados pela poupança em tempos de juros bastante elevados.

  1. O que é CDB?
  2. Riscos
  3. Prazos
  4. Tipos
  5. Rentabilidade
  6. Tributação
  7. CDB ou Tesouro Selic?
  8. Como investir?
  9. Vantagens e desvantagens
  10. Afinal, vale a pena?

O que é o CDB? De onde ele vem?

O que é o CDB? De onde ele vem?

Para começar, podemos dizer que a sigla CDB significa “Certificado de Depósito Bancário”, na prática, ele é um título emitido por bancos com o objetivo de captar recursos financeiros.

Acontece da seguinte forma: os bancos emitem esse título, então os investidores após compra-los estarão emprestando um determinado valor a uma instituição financeira.

Os bancos então captarão esse recurso de modo a usa-lo para oferecer crédito, cheque especial, capital de giro para empresas, entre outras atribuições dos serviços bancários.

Portanto, ao final da aplicação (CDB possui prazo de investimento), o investidor terá o direito de receber o seu montante aplicado acrescido de juros, que dependerão do tipo de taxa que foi contratada.

Portanto, antes de aplicar qualquer recurso financeiro é importante que saibamos como funciona e como é calculada a rentabilidade desse ativo.

Risco do investimento em CDB

Risco do investimento em CDB

Numa economia capitalista não existe nenhum investimento totalmente livre de riscos.

Portanto, esse investimento, assim como qualquer aplicação em renda fixa deve ser acompanhado com cuidado, sempre observando a qualidade da instituição que o emitiu.

É muito comum pensarmos que a renda fixa, com suas regras claras e retornos bastante previsíveis, são aplicações livres de risco de mercado.

Na verdade, oscilações bruscas na economia, ou má gestão de um ente econômico emissor de certificados de depósitos bancários podem muito bem gerar o calote dessas obrigações.

Então, visando sanar parcialmente esse risco, criou-se o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), instituição privada para prover estabilidade ao sistema financeiro nacional.

Essa instituição serve para assegurar os investimentos que vão até o limite de R$ 250 mil por CPF.

Caso você tenha mais recursos do que esse montante, é sugerível que você aplique o capital em duas ou mais instituições financeiras diferentes.

No entanto, existe um teto global para investimentos com o mesmo CPF em vários bancos diferentes, que a partir de 2017 ficou em R$ 1 milhão.

Por exemplo, digamos que você possua R$ 300.000 para investir e decida aplica-los em certificados de depósitos bancários.

É muito importante que você tenha em mente que esse recurso não deverá ir para somente uma instituição financeira, pois o risco da perca de R$ 50.000 pode se tornar uma realidade.

Desse modo, é aconselhável escolher no mínimo dois bancos diferentes dos quais poderemos distribuir R$ 150.000 entre essas duas instituições.

Por fim também podemos ter o risco de liquidez, que se trata da possibilidade de requerermos a quantia aplicada e a instituição não ter o montante disponível naquele momento.

Qual o prazo de aplicação em CDB?

Qual o prazo de aplicação em CDB?

Não existe prazo estabelecido e generalizado para aplicações e resgates em CDB.

No mercado, é bastante possível encontrarmos aplicações desse tipo com liquidez diária, ou seja, possibilidade de resgatar o dinheiro a qualquer momento.

No entanto, o prazo que sempre existirá será o de resgate da aplicação, que geralmente não ultrapassam os 5 anos.

O que acontece de maneira geral, é que quanto mais tempo o investidor decide passar com a sua aplicação intacta, maior tenderá a ser o seu retorno. Essa é uma forma da instituição financeira estimular o aplicador a manter o dinheiro com o banco por muito tempo.

É possível também que o investidor prefira fazer um resgate parcial do seu capital investido nesses títulos bancários.

Entretanto, é importante salientar que cada instituição possui o seu prazo de carência de resgate, que pode ser de um ou mais dias após a solicitação.

Por exemplo, digamos que você investiu R$ 20.000 em um CDB com prazo de carência (liquidez) de 5 dias e prazo de vencimento em 3 anos.

Dessa forma, você somente poderá resgatar o seu dinheiro após 5 dias da aplicação desse recurso.

Nós da Suno Research acreditamos muito fortemente que o verdadeiro investimento tem que ser aquele voltado para o longo prazo.

Somente num prazo longo de tempo é que os juros compostos mostram a sua força como impulsionador dos investimentos.

Aqueles investidores mais apressados quanto ao resgate dos seus recursos em investimento de valor, geralmente não constroem grandes fortunas ao longo de anos.

Portanto ao pensar em fazer um investimento, sempre procure, na medida do possível, aloca-lo para um prazo mais prolongado de tempo, o que seria de no mínimo 2 anos de aplicação.

Tipos de CDB

Tipos de CDB

Esses títulos de renda fixa possuem várias classificações que variam de acordo como os seus rendimentos funcionam.

De maneira geral, o CDB possui três tipos diferentes de classificações são elas:

  1. CDB pós-fixado: a rentabilidade é determinada pelo desempenho do indexador pelo qual ela está atrelada, e somente será conhecida no momento do resgate final (fim do prazo de vencimento).
  2. CDB pré-fixado: rentabilidade conhecida desde o começo da aplicação.
  3. CDB híbrido: rentabilidade determinada pela soma de uma taxa pré-fixada com uma taxa pós-fixada. Desse modo, a rentabilidade somente será conhecida no vencimento do título.

Rentabilidade do CDB

Rentabilidade do CDB

Um fator que determina a rentabilidade de uma aplicação em títulos bancários é o tamanho da instituição financeira que os emitiu.

De modo geral, bancos maiores e mais bem capitalizados pagam taxas menores em comparação com os seus pares de menor porte.

Esse fato se deve a sua facilidade de captar recursos, além da reputação e poder de marca que também influencia no momento do investimento.

Então, caso esteja em busca de rendimentos mais elevados, o caminho mais vantajoso é o investimento em instituições bancarias de porte médio a pequeno.

Nesses casos de maior risco, é muito importante sempre ter em mente o limite de cobertura do FGC, do qual tratamos anteriormente.

Os investimentos nesses títulos não possuem uma taxa uniforme para todos eles.

O rendimento desses certificados, diferentemente da poupança, por exemplo, variam de acordo com o CDI (Certificado de Deposito Interbancário).

O CDI é uma taxa de referência para a maioria das aplicações em renda fixa no país e ela está muito ligada a taxa Selic.

Vale ressaltar que a influencia do CDI está intimamente ligada ao rendimento dos títulos pós-fixados.

Já os investidores que possuem a modalidade pré-fixada, ou híbrida, a taxa de retorno é atribuída pelo banco que emitiu o título.

Nesses casos o rendimento pode ser atrelado ao CDI ou a inflação daquele momento e não mais alterado até o vencimento do título pré-fixado.

Em tempos de taxas de juros e inflação elevadas, pode ser muito mais interessante o investimento em CDBs pré-fixados, ou indexados a índices de inflação.

Já quando vemos que a taxa de juros e inflação estão num patamar muito baixo e existe uma perspectiva de elevação no futuro próximo, pode ser interessante a aquisição de títulos pós-fixados.

Como é tributado o CDB?

Como é tributado o CDB?

O investidor que possui aplicações em CDB é tributado apenas no momento do resgate ou fim do prazo de vencimento de seus títulos.

Desse modo, a aplicação nessa modalidade de investimento paga Imposto de Renda (IR) e, em alguns casos, Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Então como dissemos anteriormente, o rendimento do aplicador estará diretamente atrelado ao prazo de aplicação nesses títulos.

Como vimos na tabela, o investidor estará exposto a uma alíquota máxima de 22,5% caso resgate sua aplicação num prazo de até 180 dias.

Por outro lado, caso ele seja mais paciente terá uma alíquota mínima de 15%, caso resgate sua aplicação num prazo superior a 721 dias.

Já o IOF pode ser cobrado em aplicações de curtíssimo prazo. Aquelas em que são feitas em menos de 30 dias depois do dia da aplicação.

O imposto de IOF chega a 96% sobre o rendimento no primeiro dia corrido e deixará de ser cobrado após 30 dias de aplicação.

Vale ressaltar que os valores referentes a esses impostos sempre serão recolhidos automaticamente pela instituição financeira no momento do resgate.

Em outras palavras, o investidor não terá dor de cabeça em fazer cálculos para saber quanto deverá pagar de imposto de renda no final do seu investimento.

Adicionalmente é importante que o investidor saiba que essa aplicação geralmente não possui nenhuma outras taxas, ao contrário dos fundos de investimentos disponíveis no mercado.

CDB ou Tesouro Selic – qual escolher?

CDB ou Tesouro Selic – qual escolher?

Uma dúvida bastante comum entre os investidores é sobre a atratividade do certificado de depósito bancário em relação ao Tesouro Direto, especialmente o título Tesouro Selic.

Como vimos anteriormente, assim como no CDB os títulos públicos também possuem incidência de impostos, como IR e IOF.

Mas não somente isso, a própria bolsa de valores brasileira, a B3, cobra uma taxa de 0,3% ao ano sobre o montante do capital aplicado em Tesouro Direto.

Sem contar que muitas corretoras ou bancos cobram taxas que chegam até 2% ao ano sobre esse tipo de aplicação.

Desse modo, como a rentabilidade do Tesouro Selic é dado pela Taxa Selic Over, que é quase idêntica ao CDI.

Então podemos dizer que é mais vantajoso um certificado de depósito bancário que paga 100% do CDI em comparação a um título público que possui outras taxas incidentes sobre o seu capital dos quais oneram os seus rendimentos.

Agora é claro que não devemos esquecer que a qualidade da instituição emissora do seu investimento, especialmente quando o seu capital não se encontra encoberto pelo FGC.

Como faço para investir em CDB?

Como faço para investir em CDB?

Existem duas formas muito simples de se investir nesse tipo de aplicação.

Uma delas é diretamente através da abertura de uma conta em um banco emissor desses títulos.

A outra é indiretamente, pois é feita através da plataforma de uma corretora independente da qual você tenha uma conta.

Nos dias de hoje, a facilidade de se abrir uma conta em uma corretora está bastante grande.

As vantagens com relação a oportunidades de investimentos são muito maiores do que nos tradicionais bancos de varejo.

Isso acontece porque nos grandes bancos, você como um cliente somente poderá ter acesso aos produtos dessa instituição financeira em particular.

Agora sendo cliente de uma corretora, você terá acesso a um leque muito maior de opções de investimento, pois terá ofertas de várias instituições ao mesmo tempo.

Além disso, o investidor terá acesso a plataformas próprias para o investimento em ações ou fundos imobiliários.

Aplicações em renda variável podem muito bem ter um espaço dentro da carteira de investimentos de qualquer brasileiro.

No entanto, apenas aconselhamos que o investidor médio tenha algum conhecimento prático sobre como navegar nessa classe de ativos, dos quais podem trazer muito retorno a sua carteira de investimentos ao longo do tempo.

Desse modo, sugerimos que para melhorar a diversificação dos seus investimentos é muito importante que se abra uma conta em uma corretora independente.

Vantagens e desvantagens do investimento em CDB

Vantagens e desvantagens

O investimento em Certificado de Depósito Bancário, apesar de não ser tão popular quanto a aplicação em poupança, mesmo assim, ele já possui uma boa representatividade dentro do nosso mercado financeiro.

Então como qualquer outro investimento, essa aplicação possui as suas vantagens e desvantagens, das quais explicitaremos melhor logo abaixo:

Vantagens:

  • Segurança: O investimento em CDB possui garantia do FGC para os valores dos quais citamos anteriormente nesse artigo.
  • Liquidez: A liquidez dessa aplicação geralmente é diária, o que permite o investidor realizar o seu resgate a qualquer momento que precisar.
  • Rentabilidade: A rentabilidade dessa aplicação é superior à caderneta de poupança, especialmente em momentos de juros mais elevados.

Desvantagens:

  • Imposto de renda: O imposto cobrado sobre esse tipo de aplicação pode corroer bastante os rendimentos, sobretudo quando o resgate acontece no curto prazo.
  • Rentabilidade: A taxa de rentabilidade pode ser por vezes, muito baixa a depender do momento em que o patamar do CDI se encontra.
  • Taxa de administração: É necessário que os investidores fiquem bastante atentos quanto às taxas de administração cobradas por esses tipos de investimento. Elas podem corroer grande parte dos ganhos reais do aplicador.

Particularmente nós da Suno Research enxergamos o investimento em renda fixa como uma espécie de “vaga de garagem”, pois ela pode ser usada assim que alguma oportunidade de investimento ou emergência aconteça.

Além disso, essa não é somente a nossa visão, o megainvestidor Luiz Barsi Filho demonstrou que a sua opinião é bastante semelhante a nossa. Veja o vídeo:

Desse modo, em momentos de quedas das ações na bolsa de valores, poderia ser interessante ter parte dos seus investimentos nesse tipo de aplicação.

Pois ao mesmo tempo em que o investidor diversifica os seus investimentos, ele estará tomando uma atitude que pode lhe beneficiar bastante em momentos conturbados de mercado.

Como diz Warren Buffett, os melhores momentos de se investir no mercado são quando ninguém mais quer fazê-lo.

 Afinal de contas, vale a pena investir em CDB?

Afinal de contas, vale a pena investir em CDB?

Assim como em qualquer investimento, a resposta é depende do seu perfil como investidor.

Escolher uma classe de investimento dependerá muito da sua experiência, principalmente aqueles voltados para o mercado de renda variável.

Desse modo, o que podemos dizer é que para o curto e médio prazo, o mais indicado é um CDB pós-fixado que ofereça liquidez diária.

Essa é uma boa opção para aqueles que ainda não encontraram uma forma mais rentável de aplicar o seu recurso.

Principalmente para as pessoas que costumam deixar um capital substancial em sua conta corrente, sem que necessitem daquele dinheiro de forma imediata.

Contudo, é preciso salientar para que você fique bastante atento quanto a remuneração oferecida.

Geralmente CDBs que remuneram a uma taxa de apenas 80% do CDI perdem como investimento para a poupança.

Além disso, as instituições financeiras geralmente pagam taxas bastante superiores para aqueles que possuem uma quantidade de recursos substancial.

Então se a sua política for de passar por menos dor de cabeça, indicamos a aplicação de seus recursos em bancos mais consolidados e conhecidos.

Para aqueles que têm uma atitude mais conservadora quanto a investimentos, a aplicação de recursos nesses certificados pode ser uma saída para a diversificação dos investimentos.

Por fim, esperamos que o artigo tenha sido de grande ajuda para que o nosso leitor compreenda os principais aspectos desse tipo de investimento.

Esperamos que a sua trajetória de estudos continue, pois acreditamos que grande parte da rentabilidade dos seus investimentos estará atrelada aos seus conhecimentos no longo prazo.

Portanto fique a vontade para navegar pelo nosso material gratuito, porque além do guia do CDB possuímos muitos outros temas dos quais abordamos de forma bastante completa.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.