Eu vejo com bastante frequência investidores se perguntando se devem investir em empresas de dividendos e fiis desde já, ou se deveriam focar apenas em empresas small caps ou que possuem grandes chances de “subir muito” e multiplicar o patrimônio em pouco tempo.

Eu não tenho a menor dúvida de que vale muito a pena sim, e não só isso, é o que eu considero ideal, sobretudo para aqueles que estão iniciando na bolsa.

Apesar de existir um “mito” de que uma estratégia focada em dividendos não é boa para construção de patrimônio no longo prazo, e é apenas interessante para quem já tem muito dinheiro ou recursos acumulados, isso não faz sentido, pois o próprio reinvestimento de dividendos permite um efeito poderoso dos juros compostos no longo prazo, ideal para quem está construindo patrimônio.

Se compararmos um gráfico ajustado de vários ativos pelos dividendos, com os mesmos ativos sem o reinvestimento de dividendos, a diferença de resultado é absurda.

O gráfico abaixo, por exemplo, mostra a diferença da performance do investidor de ITSA4 que reinvestiu os dividendos e o que não reinvestiu ao longo do tempo.

A diferença é gigante.

Linha azul: ITSA4 com reinvestimento de dividendos. Linha rosa: ITSA4 sem reinvestimento de dividendos.

De fato, reinvestir os dividendos é excelente para construção de patrimônio, além, obviamente, de já proporcionar uma boa segurança ao investidor, com uma renda desde já.

Além disso, existem muitas empresas que crescem mesmo pagando bons dividendos, como é o caso de inúmeras empresas que temos em nossas carteiras, inclusive, que atuam em setores subpenetrados, com ROE elevados, e conseguem crescer mesmo sem realizar grandes investimentos.

Eu não tenho dúvidas de que uma carteira focada em dividendos e renda passiva, desde o início, é uma carteira vencedora no longo prazo, e que inclusive, pode entregar retornos ainda bem superiores que outros perfis de carteira, e principalmente, com muito mais segurança e menos volatilidade.

Quer um exemplo legítimo disso? A estratégia de Décio Bazin, focada em empresas com yields superiores a 6% e com um endividamento controlado.

Backtests que já realizamos da estratégia mostraram que uma carteira seguindo o método Bazin, do ano 2000 a 2016 entregou um retorno extremamente superior que o Ibovespa, como pode ser percebido no gráfico abaixo.

Isso quer dizer que empresas de “valor” e “small caps” devem ser descartadas?

Não mesmo.

Sempre há espaço para todos os perfis de empresas na carteira do investidor, e é interessante o investidor ter empresas em crescimento na carteira também, aquelas que ainda pagam poucos dividendos, mas estão investindo no próprio business com mais intensidade.

Uma carteira ideal, em minha visão, deve possuir especialmente esses três perfis de investimentos: (i) ações de boas pagadoras de dividendos; (ii) fundos imobiliários; (iii) ações de empresas em crescimento e (iv) ações de empresas estrangeiras.

Essa combinação de ativos tende a maximizar a rentabilidade obtida pelo investidor no longo prazo, com menor volatilidade e boa geração de renda passiva.

Além disso, essas empresas que possuem yields e payouts menores hoje tendem a entregar dividendos maiores no futuro, e provavelmente se tornarão ótimas pagadoras de proventos no longo prazo, se adequando também na carteira de quem busca renda.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.