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    Capital intensivo: conheça o fator que impacta o retorno das empresas

    Capital intensivo: conheça o fator que impacta o retorno das empresas

    Quando nos referimos a um negócio que requer quantidades significativas de capital para que o empreendimento continue funcionando quer dizer que estamos nos referindo a uma projeto de capital intensivo.

    Em outras palavras, podemos dizer que o capital intensivo se refere a um processo comercial que requer grande quantidade de dinheiro para conduzir as vendas ou serviços de uma empresa.

    De modo geral, podemos considerar esses tipos de projetos como mais arriscados do que aqueles que demandam menos dinheiro para funcionar.

    Essa ideia parece bem lógica, tendo em vista que existe um maior risco de perda permanente de capital dos acionistas.

    Geralmente empresas lotadas em setores que necessitam de muitos bens tangíveis para a produção dos seus produtos é muito mais intensiva em capital do que as companhias prestadoras de serviço.

    Na realidade, segundo Warren Buffett, podemos dizer que existem basicamente três tipos de empresas que podem ser classificadas segundo as suas necessidades de capital, das quais você pode conhecer nesse artigo.

    Exemplos de negócios de capital intensivo

    Exemplos de negócios de capital intensivo

    Um grande exemplo de um setor que possui um elevado grau de necessidade de capital é o da siderurgia e mineração.

    As empresas que estão lotadas nesse setor precisam desembolsar elevadas quantidades de CAPEX apenas para manter atualizado o seu parque industrial, que sofre muito com a depreciação dos seus ativos.

    Outro setor bastante ilustrativo para esse tema é a industrial de aviação civil, que muitas vezes possui gastos maiores com investimentos em bens tangíveis do que a sua geração de caixa operacional pode suportar.

    Outros fatores também impactam lucros desse segmento, tais como:

    • Elevados custos com combustíveis;
    • Forte concorrência por preço;
    • Serviço tido como commodity pelos clientes.

    Por fim, temos também o segmento de perfuração de petróleo em águas profundas.

    Nessa empreitada, gigantescas quantidades de dinheiro são exigidas para que se consiga por em prática essa operação.

    Muito dificilmente companhias como essas podem se apresentar como ótimos negócios quando comparamos a uma empresa de gestão de projetos, por exemplo.

    Nesse segmento, o capital inicial para começar o negócio é mínimo, além do fato de que estoques muitas vezes são desnecessários, o que desafoga bastante o capital de giro.

    O impacto do capital intensivo sobre os ganhos

    O impacto do capital intensivo sobre os ganhos

    É muito comum vermos empresas intensivas em capital possuírem elevados índices de alavancagem.

    Isso acontece porque muitas vezes o lucro obtido por essas companhias em seus projetos não são o bastante para o investimento no crescimento dos seus negócios.

    Como métrica que pode ajudar na identificação de empresas intensivas em capital temos a análise do ROIC, ou retorno sobre o capital investido.

    Uma empresa que precisa de muitos ativos para produzir um real de lucro possui uma elevada intensidade de capital e é natural que o seu ROIC seja menor do que as empresas que necessitam uma menor quantidade de investimentos para ganhar o mesmo real.

    Portanto, antes de olhar o lucro líquido de uma empresa, um acionista deve querer saber quanto de capital esse empreendimento investiu para ganhar o retorno financeiro.

    Outro dado que pode dar alguma uma informação sobre o grau de necessidade de capital é observar a depreciação de uma empresa, que pode ser localizada no demonstrativo de fluxo de caixa.

    Obviamente que é importante salientar que esse custo é puramente contábil e não onera o caixa da empresa, mas nos dá uma boa noção sobre o quanto a companhia necessitará desembolsar no futuro para recuperar os seus ativos.

    Por fim, podemos concluir que empresas de capital intensivo podem se mostrar investimentos medíocres no longo prazo se o acionista não souber comprar o ativo no momento certo. Para isso, temos relatórios completos de empresas das quais avaliamos esse e muitos outros temas.

     

     

     

     

    Tiago Reis
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    2 comentários

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    • Renato Leopoldo Vaz 27 de maio de 2019

      Muito obrigado pela matéria, foi extremamente esclarecedora em todas as suas intenções e acessível a quem não atua profissionalmente na área de Administração de Empresas.

      Parabéns pelo seu trabalho; lhe desejo todo o sucesso do mundo.

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    • Rita Santos 31 de julho de 2020

      Muito pertinente esse tema principalmente na contemporaneidade, a fluidez do mercado acaba por gerar grande insegurança em decorrência dos altos investimentos demandados por essas empresas. Lendo outros artigos igualmente importantes como esse, o que me deixou mais intrigada é que as empresas de capital intensivo são geradoras de um numero limitado de empregos e isso se deve, em parte, aos processos modernizantes pelo qual estas empresas vem passando.

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