capacidade de pagamento
Por: Tiago Reis

Capacidade de pagamento: como saber se uma empresa tem liquidez suficiente?

Avaliar a sustentabilidade financeira que uma empresa possui é essencial para decidir quanto ela vale. Dentro desse contexto, um dos indicadores mais importantes e saber como anda a capacidade de pagamento das dívidas e obrigações que a empresa possui.

Logo, assim como o giro de caixa, o índice de liquidez e retorno sobre investimento, observar a capacidade de pagamento é um fator de extrema importância e precisa ser levado em conta ao analisar ações da bolsa de valores.

O que é a capacidade de pagamento?

A capacidade de pagamento é um conjunto de indicadores financeiros que mostram se uma empresa consegue honrar com suas dívidas. Dessa forma, ela pode ser descrita através dos clássicos índices de liquidez.

Porém, existem outras formas de avaliar esta capacidade. Duas dessas formas são muito utilizadas para determinar o grau de alavancagem de empresas listadas na bolsa. E, assim, avaliar se a dívida da companhia é ou não saudável.

Qual a relação do tamanho da dívida com a capacidade de pagamentos?

Primeiro, é importante ressaltar que nem toda dívida é ruim. Muitas pessoas acreditam que qualquer dívida é terrível para uma empresa. Mas na realidade não é bem assim.

A alavancagem feita com prudência e um bom planejamento é inclusive ideal para otimizar a estrutura de capital. Justamente por isto que tantas grandes empresa de sucesso possuem dívidas. E isto não significa, necessariamente, que elas não são empresas saudáveis financeiramente.

Imagine, por exemplo, que uma empresa pode investir em uma fábrica que irá lhe trazer um retorno mínimo de 15% ao ano sobre o valor aplicado.

E que, além disso, esta mesma empresa pode pegar recursos emprestados no mercado através de debêntures pela taxa de 5% ao ano.

Isto significa, portanto, que a empresa ao pegar emprestado pode obter um retorno líquido de no mínimo 10%. Assim, a empresa deixa de utilizar o seu capital próprio na alocação, e passa a usar o capital de terceiros — liberando espaço, então, para aplicar o seu capital próprio em outras áreas mais rentáveis.

Logo, os fatores que irão determinar se a empresa irá captar dívida ou usar recursos próprios são:

  • Taxa de juros do empréstimo;
  • Custo de capital do acionista.

Agora que você já sabe que nem toda dívida é ruim, é hora de analisar os indicadores da capacidade de pagamento.

Os principais indicadores da capacidade de pagamento

capacidade de pagamento indicadores

Os dois indicadores recomendados para avaliar a alavancagem de uma ação e, por consequência, a sua capacidade de pagamentos, são:

  • Dívida líquida/Patrimônio Líquido;
  • Dívida líquida/Ebitda.

1. Dívida líquida sobre o patrimônio líquido

A dívida líquida é a dívida bruta da empresa menos as suas disponibilidades de caixa. Já o patrimônio líquido representa o valor contábil pertencente aos acionistas.

É recomendado que a empresa não ultrapasse o valor do seu patrimônio líquido com a sua dívida líquida.

Ou seja, o limite recomendado dessa relação é, portanto, 1.

Isto irá garantir que a empresa sempre terá capital necessário para honrar com suas dívidas.

2. Dívida líquida / Ebitda

Já o Ebitda é uma proxy da geração de caixa de empresa. Recomenda-se que, para manter um endividamento saudável e uma boa capacidade de pagamento, esta relação não ultrapasse o valor de 3x.

Ou seja, dessa forma, o importante é que dívida líquida nunca supere o triplo do Ebitda anual.

Isto irá garantir que em um tempo relativamente curto a empresa possa quitar os seus débitos com o uso da sua geração de caixa. Logo, a empresa não irá precisar, por exemplo, de vender ativos — o que pode ser muito prejudicial no longo prazo.

Com o uso dessas duas relações o investidor pode ter uma boa noção da capacidade de pagamento da empresa. É importante que uma companhia respeite não apenas uma, mas ambas as condições. Para saber mais sobre essa relação, acesse o nosso Minicurso de Valuation e Precificação de Ativos e aprenda tudo sobre como determinar o valor justo de uma empresa através das suas informações financeiras.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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