c-bond
Por: Tiago Reis

C-bond: entenda como funcionava esse título da dívida pública brasileira

A emissão de títulos públicos consiste em uma das principais fontes de receita financeira de um governo. Entretanto, muitas vezes eles também funcionam como um instrumento para rolar e renegociar outras dívidas. Um exemplo disso, ocorrido no Brasil, foi com o chamado C-bond.

Conhecido como Capitalization Bond, o C-Bond, começou a ser emitido em 1994. Na época, o governo brasileiro anunciou a renegociação da dívida externa.

O que foi o C-bond?

O C-bond foi um título público emitido pelo governo para ser utilizado na renegociação da dívida externa que o país tinha. Isto é, o Tesouro Nacional emitiu o título para conseguir captar recursos para fazer os pagamentos.

Assim, com o C-bond, o governo garantiu taxas de juros menores e prazo maiores. Porém, por ter sido um título de caráter temporário, a emissão do C-bond ocorreu durante o seu ano de lançamento, em 1994.

Atualmente, não existem mais C-bonds em circulação. Isso porque o prazo de vencimento do C-bond era de 2014.

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C-bond e a dívida Externa brasileira

Em 1994, a dívida externa renegociada com bancos internacionais chegava a U$ 52 bilhões. Para o pagamento, o governo criou seis modelos de títulos de dívidas com vencimentos em até 30 anos.

O C-bond ficou conhecido como “brandies“. Isso porque foram criados a partir do Plano Brady, nome do plano serviu para formulação de políticas para o pagamento da dívida externa. O plano foi feito pelo ex-secretário do Tesouro do Estados Unidos, Nicholas Brady.

O Plano Brandy foi criado para ajudar países emergentes a reorganizarem suas contas. Isso aconteceu quando o México, por exemplo, fez um anúncio de moratória. Ou seja, nessa ocasião, o país não conseguiria pagar suas dívidas. Desta forma, as opções de crédito para países emergentes foram reduzidas.

Dessa forma, o governo conseguiu pagar com desconto a dívida principal. Além disso, quatro anos depois, o C-bond era o título mais negociado pelo banco londrino ING Barings. De acordo com a instituição, num único trimestre U$145 bilhões de dólares foram movimentados pelo título.

Como funcionava o C-bond?

O C-bond foi um título pré-fixado lançado com vencimento de 20 anos. Na época, o governo emitiu U$7, 38 bilhões de reais em títulos. Os papéis foram lançados com três principais regras:

  • Definição dos rendimentos durante a emissão dos títulos;
  • Definição do cupom na primeira emissão;
  • Cupons de juros semestrais;
  • Pagamento do Principal na data de vencimento.

Os títulos de dívida externa foram emitidos com uma rentabilidade anual de 8%. Mas os valores eram pagos duas vezes ao ano. Assim, o C-bond chegou a ser usado como um termômetro da economia brasileira.

Os investidores avaliavam o risco de investir no Brasil de acordo com a procura pelos títulos. Ou seja, quanto maior era a procura, melhor ia a economia brasileira. Em 1999, por exemplo, o valor do título despencou 50% do preço de quando foi emitido. Na época, o país enfrentava uma enorme crise cambial.

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Substituição do C-bond

Em 2004, o governo começou a recolher os títulos. Eles foram substituídos pelo A-bond, que teve vencimento em Janeiro de 2018. A substituição deu um prazo de 3,75 anos a mais para o pagamento. A operação foi só de troca de títulos, não houve pagamentos em moeda.

Títulos de dívida pública brasileira têm grande procura no exterior. Tanto que o C-bond chegou a ser o título mais negociado no mercado internacional.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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